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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 348 | Março de 2006 | Campo Mourão - Paraná

18° Encontro de Cooperados

Plantas daninhas em soja RR

FAZENDA COAMO ORIENTA COOPERADOS PARA O CONTROLE, NA PÓS-EMERGÊNCIA, ALERTANDO PARA AS DOSAGENS E MOMENTO DA APLICAÇÃO DO PRODUTO, QUE SÃO DIFERENTES DOS UTILIZADOS NA DESSECAÇÃO PARA O PLANTIO

A recomendação adequada para o controle das plantas daninhas em soja RR foi um dos assuntos em destaque este ano na Fazenda Experimental Coamo, durante a 18ª edição do Encontro de Cooperados. A cooperativa montou uma estação específica para tratar do tema, relativamente novo para os produtores rurais, uma vez que o plantio comercial de cultivares transgênicas acontece, oficialmente, pela primeira vez nesta safra.

O engenheiro agrônomo Fernando Borba, do Detec da Coamo em Boa Esperança (Centro-Oeste do Paraná), explica que por ser uma novidade no campo, a soja RR ainda oferece muitas dúvidas para os agricultores, especialmente no uso adequado do Roundup Read, o herbicida recomendado para as cultivares geneticamente modificadas que estão no mercado. Segundo Borba, “o objetivo central do trabalho desenvolvido pela Coamo foi mostrar qual a melhor maneira de utilizar o produto, otimizando a sua eficiência e possibilitando a racionalização dos custos da lavoura, que são as grandes vantagens da soja transgênica”.

Nesse primeiro ano de cultivo da soja RR técnicos e agricultores já sentiram as dúvidas para as plantas daninhas nas lavouras transgênicas. “O produtor imaginava que somente com uma aplicação, trabalhando com os mesmos critérios da aplicação para a soja convencional, iria controlar as ervas daninhas. E não tem sido assim, porque o posicionamento do produto vai depender do nível de infestação da lavoura. Por isso é importante uma vistoria na área e um planejamento com o agrônomo que assiste a propriedade”, esclarece o agrônomo Roberto Shigueo Takeda, do Detec da Coamo em Faxinal (no Vale do Ivaí, no Paraná).

De forma geral, conforme acrescenta o agrônomo Nilton Cezar Caavalheri, do Detec da Coamo em Peabiru (Centro-Oeste do Paraná), o controle das plantas daninhas em soja RR é feito basicamente com o Roundup Read, sem nenhuma mistura. “Estamos percebendo, e os próprios experimentos aqui na fazenda mostram, que o ideal é trabalhar o controle em duas aplicações seqüenciais”, orienta Cavalheri.

A soja RR está sendo utilizada pelos agricultores, conforme recomendação da assistência técnica, principalmente em áreas de maior infestação de plantas daninhas resistentes.

Manejo das plantas RR voluntárias

COMO LIDAR COM AS PLANTAS VOLUNTÁRIAS, COMUMENTE CONHECIDAS POR “TIGÜERA” OU “GUAXA”, DE SOJA RR, NA ENTRESSAFRA?

A chegada da soja transgênica aos campos comerciais trouxe, além dos benefícios com a redução de custos e facilidade com o controle de plantas daninhas, uma outra preocupação: o manejo das plantas voluntárias de soja, que nascem na entressafra. Conhe-cidas por “tigüeras” ou “guaxas”, estas plantas competem com a cultura subseqüente e passam a ser consideradas ervas daninhas. Então... como lidar com elas de uma forma economicamente sustentável?

Antecipando-se ao problema, a Fazenda Experimental Coamo desenvolveu um trabalho específico sobre o tema e demonstrou os resultados e soluções durante o 18º Encontro de Cooperados. O engenheiro agrônomo Waltemberg Machado de Lima, encarregado técnico do entreposto da Coamo em Quinta do Sul (Vale do Ivaí, no Paraná), coordenou a estação, que foi uma das que mais chamou a atenção dos agricultores. Ele diz que até então o produtor não tinha problema para controlar as plantas voluntárias de soja. “Porém, com a soja transgênica, isto passou a ser um grande problema, porque o glifosate, que é o herbicida usado nas dessecações normais para o plantio da próxima cultura, acaba não tendo efeito sobre a soja RR”, alerta.

O agrônomo explica que o problema é novo, mas a solução não é difícil. “O produtor deve entrar em contato com o seu agrônomo e fazer um planejamento para o controle”, recomenda.

Tecnicamente os produtores podem enfrentar esse tipo de problema já nas lavouras de inverno. Lima explica que por melhores que sejam as regulagens das colheitadeiras, sempre se perde grãos durante a safra. “Por isto, a nossa preocupação em demonstrar para os cooperados as soluções que existem para que eles possam controlar essas plantas voluntárias de soja RR da melhor forma possível e dentro de um custo economicamente sus-tentável”, conclui.

Ferrugem avança, sob controle

MAIS CONSCIENTES, COOPERADOS CONFIRMAM QUE A PREVENÇÃO É A MELHOR ALTERNATIVA PARA O CONTROLE DA DOENÇA

No 18º Encontro de Cooperados, na Fazenda Experimental Coamo, uma das 11 estações montadas para o evento, a exemplo do ano passado, tratou sobre o manejo das principais doenças da soja, em especial a ferrugem asiática. A doença se tornou a preocupação central de agricultores e técnicos nos últimos anos, quando se fala na produção da oleaginosa. Após um intenso trabalho de orientação e conscientização, relacionado aos cuidados para o controle da doença, o Detec da Coamo acredita que o produtor rural está mais interessado e preocupado em se prevenir para não ter que remediar o ataque do fungo.

O engenheiro agrônomo Edson Aparecido Negrão, do Detec da Coamo em São João do Ivaí (região do Vale do Ivaí, no Paraná), coordenou a estação. Ele afirma que o sojicultor precisa buscar cada vez mais informação sobre a doença, que age de forma severa e não perdoa, causando enormes prejuízos quando encontra espaço para se instalar e devastar a lavoura. “A nossa estação mostrou aos cooperados as características das principais doenças de soja e a agressividade de cada uma delas”, relata, assegurando que “os resultados da unidade de-monstrativa comprova a eficiência dos modos de controle com os produtos recomendados, sendo possível verificar os danos nas testemunhas, onde não houve aplicação”.

Avanço da ferrugem - O agrônomo Brasil dos Reis, de Detec da Coamo em Engenheiro Beltrão (região do Vale do Ivaí, no Paraná) lembra que na área de ação da Coamo a ferrugem avançou de vez depois das primeiras chuvas ocorridas no final do mês dezembro, após a estiagem. “É uma das características da doença: se tornar mais agressiva diante de um clima quente e chuvoso, que é propício para o seu desen-volvimento”, revela.

No entanto, ficou claro durante o encontro que o cooperado Coamo entendeu o recado do Detec da cooperativa e se preveniu. “O monitoramento constante da lavoura até o florescimento e a primeira aplicação preventiva nesta fase, recomendados pela assistência técnica da Coamo, foram decisivos para a boa sanidade que as lavouras de soja atingiram nesta safra”, afirma Brasil. O agrônomo lembra que quem seguiu as recomendações não se arrependeu, uma vez que esse tipo de manejo propiciou um melhor controle da lavoura, sendo que em muitos casos não foi preciso nem fazer a segunda aplicação contra o fungo.

Outras doenças – Comum em regiões com clima ameno, o oídio também esteve presente nas lavouras de soja durante a fase vegetativa da cultura. Outra que também chamou a atenção de técnicos e produtores foi o míldio. Brasil dos Reis também destaca a incidência de doenças de final de ciclo, na floração da soja, e em grande porcentagem, e faz um alerta para abrir os olhos do produtor: “muitas vezes estamos cobrindo a cabeça e descobrindo os pés. Não podemos nos preocupar apenas com a ferrugem e deixar que as outras doenças do complexo soja minem a capacidade de produção da nossa lavoura”, alerta.

Para redução desse volume de doenças a orientação do agrônomo é para que o produtor mantenha o solo sempre fértil, pois quanto mais nutrida menor probabilidade de doenças antecipadas e manter contato com a assistência técnica, utilizando das suas ferramentas entre outras.

Quando a ordem do fator altera o produto

CORRETA MISTURA DE DEFENSIVOS E ADJUVANTES EVITA DESGASTE DO PULVERIZADOR, INEFICIÊNCIA DA APLICAÇÃO E DESPERDÍCIO DE DINHEIRO

No 18º Encontro de Cooperados na Fazenda Experimental Coamo uma novidade prendeu a atenção dos participantes e desencadeou importantes questionamentos: a mistura de defensivos e adjuvantes. O tema fez com que muitos percebessem a grande diferença entre apenas misturar produtos no tanque do pulverizador, sem observar certos cuidados, e fazer essa mistura na ordem correta, evitando o desgaste do equipamento e a ineficiência da aplicação, causando desperdício de dinheiro com prejuízos na lavoura.

“O produtor encontra hoje uma série de dificuldades na hora fazer a mistura de defensivos e adjuvantes, que muitas vezes feita na ordem errada causa o desperdício” alertam os agrônomos Edivan Abel Moraes e Luiz Cezar de Souza, coordenadores da estação. Para eles, o produtor deve buscar orientação antes de fazer qualquer tipo de mistura e não arriscar para não errar. “Uma simples mudança na ordem de adição da mistura dos produtos no tanque do pulverizador é o suficiente para se obter sucesso ou agregar um enorme prejuízo”, lembra Souza. “O agricultor tem que estar sempre questionando sobre aquilo que ele não sabe, e jamais fazer experiências desnecessárias na propriedade, antes de perguntar a melhor forma de agir”, acrescenta Moraes.

De forma didática e prática o cooperado Coamo pôde observar na estação, algumas demonstrações, feitas em garrafas pet, de possíveis misturas que podem ser feitas. “Isso não significa que ele terá problemas com todas as misturas”, explica Souza. “Porém - continua, se a ordem de adição dessa mistura não for feita corretamente, é certo que o prejuízo virá”.

Um exemplo citado pelos agrônomos é a mistura de alguns inseticidas adicionados na água antes do micronutriente. “Esta combinação com certeza não terá o efeito necessário. Sendo que, se essa ordem for invertida, adicionando primeiro o micro nutriente e depois o inseticida, a mistura corresponderá sem problema”, ensina Moraes.

Outra observação é com relação à qualidade da água utilizada na pulverização. Segundo os técnicos a Coamo tem feito inúmeros testes para verificar o pH, alcalinidade e dureza dessa água misturada aos produtos. Todos os aspectos que dizem respeito às características físicas e químicas da água devem ser observados. “É possível evitar o problema com uma simples conversa que o produtor tenha com os nossos técnicos. A ordem de adição dessa mistura no tanque do pulverizador é muito importante, e muitas vezes o cooperado não se dá conta disso”, alertam.