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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 348 | Março de 2006 | Campo Mourão - Paraná

18° Encontro de Cooperados

Pulverização na lição de casa

APLICAÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS CORRESPONDE A MAIS DE 50% DOS CUSTOS DA LAVOURA. QUALQUER DESLIZE NA HORA DE PULVERIZAR SIGNIFICA DINHEIRO JOGADO FORA, PERDENDO NA EFICIÊNCIA DO TRABALHO E EM PRODUTIVIDADE DA CULTURA NA CULTURA INVESTIDA

Pelo segundo ano consecutivo, o tema Tecnologia de Aplicação de Defensivos Agrícolas mereceu destaque no Encontro de Cooperados da Coamo. A assunto foi, inclusive, muito comentado pelos produtores que participaram do evento, porque a pulverização é um item de lição de casa, ou seja, um trabalho comum nas pro-priedades rurais, mas que na maioria das vezes não é executado com eficiência por falta de conhecimento do aplicador ou por falhas na regulagem das máquinas.

O engenheiro agrônomo Gilberto Guarido, do Detec da Coamo em Campo Mourão, explica que a Tecnologia de Aplicação (TA) reúne um conjunto de pro-cedimentos que o produtor deve adotar pra melhorar a eficiência de suas aplicações. “Nos últimos anos temos percebido a maior incidência de pragas e doenças de difícil controle, como a ferrugem e a lagarta falsa medideira. E um dos fatores que têm contribuído para esta situação é a falta de eficiência na pulverização”, afirma. Diante deste fato, o produtor deve lançar mão de estratégias para assegurar um melhor resultado na atividade, “como um profissionalismo maior de todos os aplicadores, bem como o conhecimento do tipo de equipamento para a sua melhor utilização”, orienta.

O produtor também deve levar em conta outros aspectos, como a escolha dos bicos e a diferença que existe entre eles na indicação para as culturas e o momento ideal para a aplicação, controlando os ventos, temperatura e umidade relativa do ar. “Notamos que uma grande parte dos produtores está evoluindo nesta área e está buscando novas informações, mas o agricultor, muitas vezes, quer economizar nos bicos de pulverização e perde dinheiro, conforme demonstração prática na estação”, esclarece Fernando Adegas, pesquisador da Embrapa.

Programa Coamo - No ano passado a Coamo lançou o Programa de Tecnologia de Aplicação de Defensivos Agrícolas e de lá para cá a cooperativa tem buscado a experiência de várias entidades, como faculdades e empresas parceiras, para trazer para os seus cooperados mais informações sobre o assunto. “É um tema que chama a atenção tanto aqui como em outras em outras partes do Brasil até do mundo, porque os problemas são comuns”, revela Adegas, ressaltando que há necessidade de melhorar ainda mais a eficiência, uma vez que a aplicação de produtos químicos corresponde a mais de 50% dos custos de produção da lavoura. “Qualquer deslize significa que o agricultor está jogando dinheiro fora. Além de contaminar o meio ambiente e perder em eficiência do produto e em produtividade da lavoura”, completa.

Dicas – Gilberto Guarido aproveita para dar algumas dicas de pulverização para os produtores rurais. “Acima de tudo o aplicador deve conhecer o seu alvo, ou seja, o que ele está querendo fazer com aquela aplicação. Depois, se atualizar das condições climáticas; conhecer o produto que ele vai utilizar e só usar, efetivamente, no momento correto; saber qual o momento que aquele alvo (praga, doença ou planta daninha) está mais suscetível, porque aí você vai ter melhor eficiência; e, principalmente, saber das exigências do produto. Aí você vai escolher o melhor bico para buscar a melhor eficiência”, ensina.

“Muitas vezes não é a questão do equipamento mais moderno ou o pulverizador novo que vai resolver. O que conta, de verdade, é que o aplicador tem que saber o que ele está fazendo. Ser um profissional nesta área. E na maioria das vezes os equipamentos de medição das informações que o produtor possui resolve a situação com segurança”, finaliza Guarido.

Fala Cooperado:

Edson Pinto de Godoy, de Faxinal (Vale do Ivaí, no Paraná) – “É a segunda vez que venho aqui na fazenda e minha expectativa é sempre ultrapassada no final do dia. A diretoria da Coamo está de parabéns, pois quem está informado está sempre à frente”.
Jorge Schnaider, de Dez de Maio (Oeste do Paraná) – “Realmente esse dia é muito produtivo. A cooperativa está sempre saindo na frente para oferecer as melhores opções para nós, associados”.
José Evaldo de Oliveira, de Laguna Carapã (Sul do Mato Grosso do Sul) – “Estou aqui pela primeira vez e muito impressionado. A organização me chamou a atenção. Estão todos de parabéns. Vou levar muita novidade para casa”.

 

Um cereal bom de produção

BEM CONDUZIDO, MILHO ALCANÇA ALTA PRODUTIVIDADE, SEM CONTAR OS BENEFÍCIOS PARA O SISTEMA DE PRODUÇÃO

A cultura do milho é uma das mais importantes dentro do sistema de produção. Entretanto, a seleção do material a ser plantado; o tipo de planta; a qualidade do grão; adaptação a regiões mais altas ou baixas; e o clima frio ou quente; são características que devem ser levadas em conta na hora de optar por um ou outro material. Estes fatores podem determinar o sucesso da cultura.

No 18º encontro de cooperados, na Fazenda Experimental Coamo, o milho mais uma vez ganhou destaque entre onze temas escolhidos para a apresentação. Quem passou pela estação pôde conhecer 27 híbridos de seis empresas parceiras da Coamo, sendo doze lançamentos de mercado. Entre estas novidades, conforme explica o engenheiro agrônomo Antonio Carlos Ostrowski, supervisor de Assistência Técnica da Coamo, que esteve palestrando na estação, havia opções de ciclos, sanidade, qualidade e estabilidade de grão e adaptação as mais diversas regiões onde a Coamo está presente. Ele informa que nesse verão foram cultivados, na região de atuação da Coamo, uma área de mais de 200 mil hectares de milho.

Durante o evento, foram demonstrados ainda opções para médios e altos investimentos e para produtores que não tem possibilidade de utilizar toda tecnologia disponível. E entre as novidades esteve a demonstração de algumas parcelas plantadas com uma maior densidade e elevação de fertilidade, buscando sempre extrair o máximo da capacidade produtiva da planta.

Salto na produtividade – O agrônomo da Coamo lembra que a evolução genética do milho cresce a cada ano. Nos últimos dez anos, por exemplo, registros do Detec da Coamo apontam que o salto de produtividade foi de 3 mil quilos por hectare para médias de 7,5 mil quilos por hectare cultivado. “Porém, é bastante óbvio que nesta safra estes números não serão atingidos em face as condições climáticas que não foram favoráveis para a cultura”, lamenta.

A cada ano novos materiais, com maior capacidade de produção, são lançados no mercado e colocados à disposição do cooperado Coamo, através de empresas parceiras. Antonio Carlos Ostrowski acredita que em breve estarão disponíveis no mercado os híbridos transgênicos, seguindo o exemplo da soja. Possivelmente resistentes a herbicidas e a lagarta do cartucho, um dos principais problemas da cultura.

Ele lembra ainda da importância do milho para a rotação de culturas, que também diminui a incidência de pragas e doenças, e possibilita acréscimo na produção de soja plantada após a colheita cereal, além de ser uma cultura eco-nomicamente viável.

Campo ecologicamente sustentável

COAMO ORIENTA COOPERADOS SOBRE A RECOMPOSIÇÃO DA MATA CILIAR E A DEVOLUÇÃO DAS EMBALAGENS VAZIAS DE AGROTÓXICOS

Hoje, dentro da questão responsabilidade social, o cuidado com a preservação do meio ambiente está no topo da lista de ações para que qualquer segmento da cadeia produtiva alcance resultados socialmente sustentáveis. A Coamo também está preocupada com estas ações e atua fortemente na conscientização dos seus cooperados, orientando, principalmente, para a importância da preservação permanente, a recomposição da mata ciliar e a devolução da embalagens vazias de agrotóxicos.

Os temas mereceram, inclusive, uma abordagem mais ampla durante o 18º Encontro de Cooperados da Fazenda Experimental Coamo. Os técnicos Djalma Lúcio, Carlos Balreira e Edmilson Baú coordenaram a estação e aproveitaram para repassar orientações aos co-operados sobre as leis que tratam dos assuntos.

O engenheiro florestal da Coamo, Edmilson Baú, explica que as dúvidas mais freqüentes dos agricultores, em geral, estão relacionadas com a recomposição da mata ciliar. “São preocupações para regiões de banhados, construções, tanques de peixes; e de como realizar o plantio, ou regeneração, que é o abandono da área a ser recomposta”, destaca. Segundo o técnico, em caso de dúvidas o produtor rural deve procurar os escritórios regionais do IAP – Instituto Ambiental do Paraná. “É importante levar a sério a lei, e fazer o que for necessário para recompor a mata ciliar, não só porque a fiscalização está presente e é rigorosa, mas também pela própria questão preservar os rios e, consequentemente a qualidade de água e da vida do planeta”, alerta.

Legislação – Segundo o agrônomo Djalma Lúcio, a lei que regulamenta a recomposição da mata ciliar especifica que existem faixas determinadas para recomposição, conforme a largura dos rios, seja ela por plantio de nativas ou por abandono da própria área. “Para os casos da área ser de pecuária a orientação,é que os trinta metros destinados a recomposição da mata ciliar sejam cercados, pois o gado não pode transitar nessa área”, ressalta.

A fiscalização já está visitando as propriedades e, segundo Lúcio, nos próximos dois anos, no máximo, todas as propriedades do Paraná serão vistoriadas.

Embalagens – A estação também enfocou a correta devolução das embalagens vazias de produtos agroquímicos. Os cooperados foram orientados da importância de ter, na propriedade, um local específico para guardar as embalagens até a devolução na cooperativa. Ainda sobre a descontaminação dos frascos, através da tríplice lavagem, visando o aproveitamento das embalagens para reciclagem. “Limpas, as embalagens são transformadas em diversos produtos, como madeira plástica, conduítes e economizadores de concretos, sem contar que também vamos evitar que estas em-balagens contaminem os nossos rios”, salienta o agrônomo Carlos Balreira.

Desde que a Coamo iniciou a campanha de recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos a redução do volume de frascos contaminados foi expressiva. “Hoje há uma conscientização maior do produtor, conquistada através de inúmeras reuniões técnicas”, comemora Balreira.