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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 348 | Março de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Fatos & Fotos

Cooperativsa buscam solução para crise no campo

DIRIGENTES QUEREM MEDIDAS QUE RESOLVAM O CERNE DA QUESTÃO: A DESCAPITALIZAÇÃO, ENDIVIDAMENTO E A TAXA CAMBIAL

O presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini esteve em Brasília no dia 28 de março, juntamente com o presidente da Ocepar, João Paulo Koslowski e outros dirigentes cooperativistas em busca de soluções à crise da agricultura.

Na agenda das reuniões no Distrito Federal, a comitiva se reuniu com os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo e da Agricultura, Roberto Ro-drigues, além de visitar a diretoria do Banco do Brasil, deputados e senadores.

Segundo o presidente da Coamo, os dirigentes coope-rativistas reivindicam às au-toridades urgência na adoção de medidas emergenciais para a agricultura. A decisão da viagem a Brasília foi tomada durante o "Fórum dos Presidentes das Cooperativas Agropecuárias" que reuniu 43 dirigentes no dia 22 de março, em Curitiba.

Safras menores - Segundo levantamento da Organização das Cooperativas do Estado Paraná (Ocepar), houve redução da produção nas duas últimas safras em relação à estimativa inicial de produção, feita com base no plantio. Na safra 2004/2005 estimava-se um volume de 131 milhões de toneladas, mas foram colhidas apenas 113 milhões de toneladas. Na safra 2005/2006 serão colhidas 118 milhões de toneladas diante de uma expectativa de 124 milhões.

Ações emergenciais solicitadas pelo setor produtivo

 

1 - Custeio da safra 2004/05 vencidas, parcelas do custeio da safra 2005/06, parcelas dos programas de investimentos vencidos em 2005 e parcelas a vencer dos programas de investimentos em 2006, inclusive custeio pecuário - A grave perda de renda do setor rural em 2005 e o apro-fundamento da crise em 2006 em decorrência dos preços inferiores ao custo de produção para a maioria dos produtos agropecuários, inviabilizam o pagamento dos financiamentos ainda penden-tes da safra passada e parte dos com-promissos financeiros da safra em curso. A simples prorrogação de curto prazo tem-se mostrado incompatível com o atual quadro de dificuldades do setor rural. A medida saneadora para esses financiamentos seria a sua transformação em compromissos de longo prazo.
Proposta: editar Medida Provisória para o alongamento e a securitização das parcelas vencidas de custeio e investimento em 2005, das parcelas de investimentos vincendas em 2006 e o custeio e FAT - Giro Rural, vincendos em 2006, unificando esses valores, transformando-os em uma nova obrigação de longo prazo, para pagamentos em até 10 anos, com dois anos de carência.

2 - Dívidas securitizadas e do PESA - A grave crise de renda, a dificuldade de comer-cialização e a ocorrência de clima adverso em inúmeros municípios inviabilizaram o pagamento da maioria das parcelas em 2005, interrom-pendo o ciclo de adimplência das dívidas renegociadas. Para 2006 não há um quadro favorável para o setor rural, que con-tinuará com preços aviltados para a maioria dos produtos agropecuários, esgotando a capacidade de pagamento dos produtores. Dessa forma, para que haja o restabelecimento da situação de normalidade das dívidas renegociadas é imprescindível que haja a prorrogação das parcelas vencidas em 2005 e as parcelas vincendas em 2006.
Proposta: editar ato normativo para prorrogar as parcelas vencidas em 2005 e as vincendas em 2006 do PESA e securitização, fixando os seus vencimentos subseqüentemente após o vencimento da última prestação.

3 - Financiamentos dos Fundos Constitucionais - A incapacidade de pagamento provocada pela queda de preços da agro-pecuária, condições climáticas adversas e a ocorrência de febre aftosa que obrigou os pe-cuaristas a ampliar o prazo de retenção dos animais no pasto. A crise da pecuária se aprofundou com o advento dos focos de febre aftosa que suscitou inclusive o fechamento de diversos frigoríficos, con-tribuindo para a concentração do mercado de bovinos pelo setor frigorífico. A concentração de mercado inclusive foi objeto de denúncia da CNA no CADE.
Proposta: editar Resolução do Conselho Monetário Nacional para ampliar o prazo dos fi-nanciamentos, ao amparo dos fundos constitucionais, de forma a se adaptar a nova realidade de mercado, aumentando o limite dos financiamentos de forma a prover capital de giro para os agropecuaristas.

4 - FAT Giro - A regulamentação vigente da linha FAT Giro restringiu sobremaneira a repactuação das dívidas junto aos fornecedores de insumos, máquinas e implementos. Dos R$ 3 bilhões aprovados pelo FAT, apenas cerca de R$ 700 milhões foram utilizados. Existe a necessidade de flexibilizar essa linha, de forma a atender as compras a prazo realizados pelos produtores junto aos fornecedores privados.
Proposta:Apresentar proposta no Codefat com o objetivo de permitir que essa linha possa ser acessada diretamente pelo produtor e viabilizar a sua utilização para resgate de CPR junto às instituições financeiras.

5 - Liberação de garantias e aumento da capacidade de financiamento dos produtores - As dívidas que foram transferidas ao Tesouro Nacional continuam com as garantias reais. Mesmo com parcelas já pagas não houve a readequação de garantias em relação ao montante da dívida. Existe a necessidade de se realizar a reavaliação das garantias e liberar aquelas excedentes ao valor da dívida dos mutuários.
Proposta: reavaliar as garan-tias vinculadas à renegociação das dívidas através de critérios estabelecidos entre o setor privado e o governo e liberar as garantias excedentes.

6 - Recursos para as Operações Oficiais de Crédito (2OC) - O quadro de preços baixos para a agropecuária requer uma atuação ativa da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). A formação de estoques, o lançamento de contratos de opções, as despesas com Prêmio de Es-coamento de Produto (PEP), as operações de recompra, repasse de opções e o prêmio das opções privadas requerem aumento dos recursos orça-mentários das Operações Oficiais de Crédito (2OC). Na safra passada, os recursos orçamentários empregados para a garantia e sustentação de preços com a PGPM foram da ordem de R$ 1,2 bilhão. Para 2006, o orçamento é de apenas R$ 650 milhões que é muito aquém das reais necessidades para a execução da PGPM.
Proposta: emendar o orçamento das Operações Oficiais de Crédito com crédito su-plementar de R$ 2,2 bilhões, para que o montante total destinado às operações da PGPM atinja R$ 2,8 bilhões. Esses recursos viabilizarão a formação de 7,8 milhões de toneladas de estoques e a realização de 13,8 milhões de toneladas de contratos de opções de produtos agrícolas.

 

Lupion na Comissão de Agricultura

O deputado federal Abelardo Lupion (PFL-PR) assumiu no dia 22 de março a presidência da Comissão da Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. De acordo com Lupion, a rene-gociação das dívidas dos agri-cultores brasileiros será prio-ridade na pauta da Comissão.

Franceses visitam Coamo em Toledo

Uma comitiva de 50 franceses esteve em Toledo no dia 10 de março. Eles são do Conselho Nacional do Centro de Economia Rural da França (CER), entidade que presta uma espécie de consultoria para os produtores rurais. O grupo visitou a Coamo e ficou impressionado com a estrutura da cooperativa.

Itaú BBA

Diretores do Itaú BBA visitaram a Coamo recentemente. Na foto: Alberto Fernandes, vice-presidente do Itaú BBA; Dr. Aroldo Gallassini, presidente da Coamo; Alcir José Goldoni, gerente Financeiro da Coamo; Eleomar Afonso Moreira, Officer Comercial e Gustavo Henrique Tavares, diretor Comercial do Itaú BBA.