Site Coamo
Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 370 | Março de 2008 | Campo Mourão - Paraná

20º Encontro de Cooperados

Atendendo a demanda dos cooperados

Troca de informações entre os pesquisadores e os cooperados possibilita ganhos para os dois lados no encontro da Coamo

Entre as cultivares apresentadas para os cooperados da Coamo durante o 20º Encontro da Fazenda Experimental estiveram as novidades da Coodetec – Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola, e da Syngenta Seeds. Foram demonstradas as características de 20 diferentes variedades, entre opções transgênicas e convencionais, das quais, seis materiais eram lançamentos e terão sementes disponíveis para o cultivo na próxima safra de verão.

O pesquisador da área de Melhoramento de Soja da Coodetec, Dorival Vicente, foi um dos palestrantes da estação. Ele revela que os materiais apresentados aos cooperados, no encontro da Coamo, têm potencial para altas produtividades tanto no cedo quando para cultivos normais. “A missão da Coodetec é fortalecer as parcerias com os nossos associados, como a Coamo. Isso nos possibilita oferecer novidades em primeira mão para o produtor rural, o que gera ganhos por intermédio de um rápido acesso à tecnologia”, avalia Vicente.

Mão dupla – O pesquisador elogia a organização do encontro e valoriza a oportunidade de estar em contato direto com o usuário da tecnologia desenvolvida pela pesquisa. “O agricultor não vem para este evento só para buscar conhecimento. Ele também traz informações que são muito úteis para que o pesquisador possa desenvolver as suas novas pesquisas”, salienta. Segundo Vicente, na conversa com o produtor, o pesquisador consegue ter um feedback do seu trabalho e consegue, muitas vezes, direcionar a sua pesquisa. “A pesquisa só evolui assim, com a percepção do agricultor. Este contato direto é uma via de mão dupla em que ambas as partes saem enriquecidas”, completa.

Especialização das cultivares – O agrônomo João Batista da Silveira Luiz, do Laboratório de Sementes da Coamo, também acompanhou a demonstração das novidades da Coodetec e Syngenta Seeds. Ele destaca que foram apresentados materiais já consagrados, transgênicos e convencionais, que estão sendo cultivados pelos produtores, e também materiais que estão sendo multiplicados neste ano, além de outros que serão ainda lançados na próxima safra. “São diversos materiais com diferentes propostas de ciclo, época de plantio, clima, fertilidade e outros aspectos. É a especialização das cultivares de soja visando atender as várias demandas”, explica.

Conforme João Batista existe uma forte tendência de renovação das variedades de soja e por isso é muito importante a participação do cooperado em eventos técnicos, especialmente no Encontro da Fazenda Experimental. “Há bem pouco tempo a Coamo introduzia entre uma e três variedades por ano no mercado. Este ano temos 11 materiais no processo de produção de semente. A novidade é que além da Coodetec e Embrapa temos novos parceiros. A oferta de variedades está crescendo anualmente e aqui na fazenda é uma ótima ocasião para os cooperados conhecerem as opções”, avalia Silveira Luiz.

Ferrugem – O agrônomo da Coamo revela que o grande desafio da pesquisa atualmente é desenvolver materiais resistentes à ferrugem asiática e à seca. “Quanto à ferrugem, a dificuldade neste sentido é enorme, em razão de ser um fungo que sofre constantes mutações, mas existem diversas linhas de pesquisa trabalhando neste sentido. Porém, com o conhecimento de hoje e os produtos disponíveis no mercado é perfeitamente possível conviver com a doença, enquanto não se desenvolve materiais resistentes ou tolerantes”, completa.

Coodetec: facilitadora de tecnologia

Tendo a Coamo como uma das suas fundadoras, a Coodetec tem como objetivo maior ser uma alternativa de pesquisa dentro do sistema para somar com o trabalho das cooperativas e de outras empresas de pesquisa. Dentro da missão da Coodetec, o grande destaque é atender as demandas que o produtor apresenta no contato diário com o quadro técnico das suas associadas, abrindo caminho para o que deve ser trabalhado nos laboratórios e fazendo com que a pesquisa seja mais focada.

“A tecnologia precisa ser acalentada como uma criança que nasce, cresce e fica adulta. E ela só chegará ao último estágio se o produtor rural estiver utilizando”, compara o diretor de Pesquisas da Coodetec, Ivo Marcos Carraro. As cooperativas, segundo ele, são grandes facilitadores da tecnologia, fazendo com que as novidades cheguem até o agricultor. “E a Coodetec faz a sua parte no conjunto de atividades disponibilizadas ao homem do campo. Novidades que aparecem todos os anos, e que talvez não sirvam para todos, mas certamente cumprirá algum benefício, dentro das necessidades específicas de cada região”, afirma Carraro.

Prevenção no controle da ferrugem

Mais uma vez, a doença foi destaque entre os experimentos da estação na Fazenda Experimental da Coamo

Um dos grandes desafios da pesquisa no momento, a Ferrugem Asiática da Soja vem, desde seu surgimento, ganhando destaque especial no Encontro da Fazenda Experimental Coamo. E não poderia ser diferente. Nos dias de hoje a discussão acerca da doença não se resume mais na questão de combater o fungo preventiva-mente ou não. Os pesquisadores querem apontar qual o número de aplicações necessárias para um controle efetivo, seja em anos quentes e úmidos ou não.

O engenheiro agrônomo Dauri Tessmann, professor de fitopatologia da UEM – Universidade Estadual de Maringá, esteve na estação que tratou sobre o assunto, durante a 20ª edição do Encontro de Cooperados da Coamo. O ensaio apresentou as principais ferramentas que podem ser utilizadas pelo produtor rural no manejo de doenças na cultura da soja. Em especial, demonstrou o efeito do tratamento preventivo e curativo, no caso da ferrugem, comparando o desempenho de cada um. O comparativo demonstrou, mais uma vez, que a prevenção é o melhor caminho para o controle da ferrugem.

Ataque menos intenso – Outro ponto abordado na estação foram as causas que levaram a ferrugem a apresentar uma intensidade menor nessa safra, comprada ao ano anterior. Tessmann explica que embora houve baixa intensidade da ferrugem no experimento, os tratamentos com fungicida se mostraram muito eficientes, devido à grande ocorrência de doenças de final de ciclo. “São vários os fatores que contribuíram para este comportamento do fungo da ferrugem, entre eles, o numero de horas de molhamento foliar que foi menor em relação à safra passada, mesmo tenha chovido com certa regularidade. “Apesar do longo período chuvoso, este volume ainda foi menor que a safra passada. Outro detalhe que observamos foi a quantidade de esporos da ferrugem no ar, que constatamos através de armadilhas montadas aqui na fazenda. Na safra passada começamos a capturar esporos mais cedo e com uma freqüência maior, este ano tivemos menos esporos e também menos focos na região”, comenta o pesquisador, que alerta para a severidade da doença. “O que não se pode admitir é o produtor não buscar informação e agir de forma não colocar sua lavora em risco. Já está mais que comprovado que é preciso se prevenir, pelo menos para minimizar o risco”, diz.

Perspectiva – A pesquisa brasileira trabalha com uma perspectiva de a médio/longo prazo para desenvolver variedades mais resistentes ao fungo. O professor da UEM explica que o grande entrave neste trabalho é a fragilidade da genética da soja, que acaba atrapalhando o processo de desenvolvimento de cultivares com maior resistência.

Custo e lucro – O agrônomo Edson Aparecido Negrão, do Detec da Coamo em Moreira Sales (Noroeste do Paraná), também revela que uma aplicação de fungicida custa em torno de 2,5 sacas de soja por alqueire. “Um valor considerado baixo se comparado ao aumento ou manutenção de produtividade sem a presença da doença na lavoura”, afirma. Segundo ele, “temos levantamentos que apontam produtividades de 10 a 15 sacas a mais por alqueire, quando se faz o controle adequado. Não vale a pena arriscar, é preciso prevenir, investir na lavoura para não jogar dinheiro fora”, sugere Negrão.

Fala cooperado:

 

Cena dois para as doenças de Milho

Fungos podem reduzir drasticamente a produtividade nas lavouras de milho, segundo dados da pesquisa oficial

Destaque do Encontro de Co-operados da Coamo em 2007, neste ano a estação que tratou de Doenças de Milho foi reeditada para o evento. A cultura também pode ser muito prejudicada por doenças quando não há o cuidado necessário. Nos últimos anos, o aparecimento de algumas delas na região da Coamo, trouxe preocupação aos produtores rurais e técnicos da cooperativa, que não estavam acostumados com certos fungos, que podem reduzir em 60 a 70% a produtividade nas lavouras de milho, segundo dados de pesquisa.

O engenheiro agrônomo Diórgenes da Silveira, do Detec da Coamo, explica que o objetivo da estação neste ano foi reforçar aos produtores a necessidade da identificação da doenças de milho, que são velhas conhecidas da pesquisa, mas novidade para o produtor rural. “Mostramos, no total, sete doenças para que o produtor possa conhecê-las e identificá-las com rapidez e facilidade na propriedade, a fim de combatê-las em tempo”, diz o agrônomo, observando que o aparecimento dessas doenças em maior quantidade nos último anos é atribuído as mudanças climáticas freqüentes. Segundo ele, os distúrbios climáticos como frio fora de época e calor intenso têm contribuído para a proliferação desses fungos.

Silveira aponta doenças como a cercosporiose, ferrugem polisora e a antracnose como as principais e mais agressivas a lavoura de milho, que foram detectadas e mostradas na estação. “Estamos notando uma grande incidência dessas doenças, algumas podendo causar até 70% de perdas na lavoura. Isso é muito sério e precisa ser observado a fim de evitar prejuízos que podem trazer problemas ao produtor”, alerta o agrônomo.

De acordo com Diórgenes da Silveira, o foco do trabalho desenvolvido na estação não foi apenas apontar as doenças, mas também, esclarecer que existe controle para os fungos desde que adotados uma série de fatores como: manejo adequado; correção de solo; época de plantio, adubação correta, escolha de híbridos, espaçamento e rotação de culturas.

A cultura do milho está em ascensão na região de atuação da Coamo. O cereal é apontado pelos produtores não só como opção econômica, mas também como uma das melhores alternativa para a rotação de culturas no verão.