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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 370 | Março de 2008 | Campo Mourão - Paraná

20º Encontro de Cooperados

Mata ciliar e cachoeira

Após o almoço, durante a visitação à exposição de máquinas e equipamentos agrícolas, os co-operados que participaram do 20º Encontro da Fazenda Experimental Coamo, também conheceram o trabalho da cooperativa e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), na recuperação e preservação das matas ciliares. A Coamo mantém uma parceria com o IAP para a distribuição de mudas de espécies nativas aos cooperados para a recomposição da mata à margem dos rios e lagos.

Na estação, os agricultores receberam orientações de preservação e formas de cultivo das mudas. Eles também levaram para as suas propriedades mudas de espécies nativas para o plantio.

Outra grande atração ligada à natureza foi a réplica de uma das cahoeiras das Cataratas do Iguaçu (um dos pontos turísticos mais visitados do Paraná), montada junto à estação de mata ciliar, chamando a atenção dos visitantes pela sua beleza e criatividade. A cachoeira já havia sido atração na final da Copa Coamo 2007, encantando os cooperados, na ocasião, quando a cooperativa homenageou o Estado do Paraná através de suas belezas naturais e simbologia.

Fala cooperado:

 

Pulverização: Pequenos erros, grandes prejuízos

A eficiência na aplicação está ligada à tecnologia e pode implicar positiva ou negativamente no resultado do ano

Para chegar ao alvo desejado, no processo de pulverização da lavoura, não há outro caminho senão o da tecnologia. Pequenos erros podem gerar grandes prejuízos no balanço final da lavoura e, também, ao meio ambiente. E com o alto custo dos agrotóxicos o produtor rural deve fazer render o trabalho, dedicando especial atenção aos detalhes de antes e durante a aplicação. A eficiência, neste caso, pode implicar positiva ou negativamente no resultado do ano, na propriedade.

No Encontro de Cooperado, o tema Tecnologia de Aplicação e Adjuvantes reforçou os pontos chaves do Programa Coamo de Tecnologia de Aplicação de Defensivos (TA), lançado em 2005. O agrônomo Brasil dos Reis, do Detec da Coamo em Engenheiro Beltrão, explica que a estação foi montada para que o produtor rural pudesse relembrar a importância da pulverização no processo produtivo e os detalhes que podem interferir no trabalho.

Erros comuns – Segundo Reis, o agricultor está cada vez mais consciente quando se trata de tecnologia de aplicação. “Ele não quer jogar dinheiro fora e tampouco descuidar do meio ambiente”, assegura. Entre os exemplos mais comuns de erros no processo de pulverização, por parte do produtor rural, estão as aplicações com temperatura muito elevada, acima de 30 graus centígrados e com umidade relativa baixa. “Isso ocasiona uma perda da eficiência do produto que está sendo aplicado. A grande mensagem é a da conscientização. Se as condições climáticas e do equipamento não são boas, o melhor a fazer é apertar o freio e procurar solucionar os problemas e esperar pelo melhor momento da aplicação, buscando o máximo de eficiência no trabalho”, lembra o agrônomo.

No que diz respeito ao desperdício de produto, Reis orienta que o agricultor deve abrir ainda mais os olhos. “Os vazamentos no tanque de pulverização estão entre os piores problemas, já que mandam o produto, literalmente, para o ralo”, salienta.

Ações como a aquisição de um manômetro – equipamento que confere a pressão na barra de pulverização, substituição de bicos e pequenos reparos no pulverizador ou no trator custam pouco, mas ajudam a garantir a certeza e a confiabilidade do trabalho.

Mudança de comportamento – O investimento que o produtor pode fazer para melhorar a eficiência do trabalho de pulverização, na maioria das vezes, não custa nada. Brasil dos Reis afirma que nem sempre é necessário gastar dinheiro para melhorar as condições para uma boa aplicação. “Pode ser que apenas o ajuste do espaçamento entre os bicos (pontas de pulverização) seja a solução”, esclarece.

Em termos gerais, o agrônomo indica que o produtor deve seguir algumas dicas básicas para alcançar o máximo de eficiência na sua aplicação. “Antes de iniciar o trabalho, primeiro, ele deve estar atento para o equipamento que está sendo utilizado, conferindo se não tem dobra na barra; se o jato de aplicação não está sendo interrompido; se não tem vaza-mento. Depois verificar se o pulverizador e o trator estão seguros e não esquecer de vestir o EPI – Equipamento de Proteção Individual. No campo, o produtor deve usar o termo higrômetro, que ser-virá para conferir a temperatura e umidade relativa do ar. Lembrando que as melhores aplicações são realizadas em temperatura abaixo de 30 graus e umidade relativa acima de 60%”, esclarece Reis.

Tolerância zero para a resistência

O segredo para o controle efetivo das plantas daninhas resistentes pode estar na adoção das boas práticas agrícolas. É o que garante o pesquisador Fernando Adegas, da área de Manejo de Plantas Daninhas da Embrapa Soja. Ele lembra que muitas dessas plantas são inibidas de germinar com uma grande cobertura do solo, por exemplo. “Neste caso, a rotação de culturas é fundamental, uma vez que propicia a utilização de herbicidas diferentes em cada cultura”, explica Adegas, que esteve no 20º Encontro de Cooperados da Coamo. O pesquisador também orienta a evitar os pontos de reboleiras, para não deixar o mato sementear, além de não utilizar o produto do mesmo mecanismo de ação, ano após ano, porque não favorecer a pressão de seleção para aumentar as plantas daninhas resistentes.

Soja RR – Com o cultivo comercial da soja transgênica, a resistência de plantas começa a aparecer também nas lavouras cultivadas com a soja RR, onde o mato está se tornando resistente ao glifosato. “As ações estão concentradas no monitoramento das áreas que têm essa possibilidade de resistência”, diz o pesquisador.

Ele destaca que o trabalho consiste em caracterizar se as plantas daninhas são resistentes ou não e em evitar algumas possibilidades de espécies resistentes já conhecidas dos produtores.

Buva resistente – O pesquisador da Embrapa Soja também cita o problema enfrentado pelos agricultores do Oeste do Paraná com a buva. Segundo Adegas, é relativamente nova. “Ainda estamos avaliando o porquê da resistência da buva nas lavouras de soja”, explica. Diversos fatores, na opinião de Adegas, contribuíram para que a planta escapasse do controle, na fase de desenvolvimento, e chegasse até a colheita. “Entre eles está o controle mal feito na dessecação e a possibilidade da planta daninha ser resistente ao glifosato”, explica.

Ele diz que dependendo da causa o produtor vai ter que optar por uma ação de controle. “Se for o manejo, que o produtor melhore o manejo; mas se for resistência, ele terá que modificar o seu sistema de produção, agregando produtos diferentes e, se for o caso da RR, até voltar ao cultivo convencional para quebrar o ciclo”, orienta Adegas.

Prevenção – Para o pesquisador, não é só custo do produto aplicado que está em jogo quando o assunto são as plantas daninhas resistentes. A redução da produtividade é o que mais conta no prejuízo do agricultor. “É que as plantas daninhas competem com a soja por nutrientes, água e luz, e, em casos de altas populações, como é o caso da buva no Oeste do Paraná, as perdas por competição são consideráveis. Então, são duas preocupações para o produtor rural. A primeira é que essas plantas daninhas não ofereçam competição com a lavoura, fazendo com que o produtor perca em produtividade e rendimento; e a segunda é que não fique muito caro o controle, também para o agricultor não perder em rentabilidade. É melhor prevenir, porque vai ficar, pelo menos, mais barato para controlar”, conclui.

MIP: O passado no presente e com futuro

Criada na década de 70, tecnologia chegou a ser esquecida, mas volta a ser opção para manter o equilíbrio do meio ambiente

Velho conhecido dos produtores rurais, o Manejo Integrado de Pragas (MIP), foi praticamente esquecido nos últimos anos. O avanço tecnológico propiciou o surgimento de novos produtos para o controle químico de pragas. Mas, o que deveria ser motivo para facilitar a vida do agricultor acabou colaborando para o surgimento de um outro problema no campo: a redução dos inimigos naturais e o aumento das pragas até então consideradas secundárias e que hoje estão entre as principais das culturas da soja e do milho. Diante deste fato, o MIP, tecnologia criada na década de 70 como uma ferramenta de apoio na decisão do agricultor sobre o melhor momento de entrar aplicando o inseticida na lavoura, começa a voltar ao campo como opção para reduzir os custos de produção e aumentar o rendimento das lavoras.

Menos aplicações – Para a doutora Beatriz Correia Ferreira, entomologista da Embrapa Soja, a tecnologia traz resultados, para quem usa. “O MIP ajudou a reduzir o número de aplicações de defensivos na lavoura de soja, por exemplo, que antes era de quatro a cinco, para apenas duas, em média”, destaca. No entanto, segundo a pesquisadora, que participou da 20ª edição do Encontro de Cooperados da Coamo, por causa do esquecimento, atualmente o número de aplicações nas lavouras voltaram aos níveis do início, muitas vezes até ultrapassando cinco aplicações por safra. “Isso causa um desequilíbrio econômico e ecológico, e estamos vendo na lavoura pragas que antigamente não eram consideradas perigosas e hoje estão em populações muito elevadas, de difícil controle, e causando mais desequilíbrio ainda, porque são populações que precisam ser controladas com doses mais elevadas e produtos mais agressivos”, alerta.

Vistorias dentro da lavoura – A entomologista da Embrapa Soja elogia a Coamo por ter levado o tema para discutir com os co-operados no encontro deste ano. “Hoje a preocupação da pesquisa, das cooperativas e da extensão é produzir com quantidade e com qualidade. Sendo assim, o MIP é uma estratégia que tem que ser adotada pelo produtor, que deve ser consciente para usar o produto certo, na hora certa, lançando mão de vistorias nas lavouras, não visualmente, do carreador do sítio, mas de dentro da lavoura”, argumenta Ferreira.

MIP na soja – Na cultura da soja, o monitoramento é feito com a utilização de um pano de batida, uma lona branca de um metro de largura que o produtor coloca entre duas fileiras de soja. Depois de chacoalhar as plantas, ele conta o número de pragas presentes na lavoura: lagartas, no caso da soja estar em período vegetativo; e percevejos, se a planta estiver em período reprodutivo.

“A contagem das pragas é o que vai definir a aplicação do inseticida, porque tanto a lagarta quanto o percevejo só irão causar danos para a soja e para o produtor a partir de um determinado nível”, assegura a pesquisadora. O manejo recomenda, segundo Ferreira, que no caso de lagarta a aplicação seja feita a partir de 20 lagartas no período vegetativo, e lagartas maiores de 1,5 centímetro. No caso de percevejos, a entomologista informa que na fase vegetativa ele não causa problema. “Mas no período reprodutivo da planta, que é quando a soja já tem vagem, a planta tolera até dois percevejos por metro, se é lavoura de consumo; ou de um se for para semente”, orienta, acrescentando que não só o percevejo adulto deve ser contado, mas também a sua forma jovem.

Desfolha – Outro item a ser observado é a desfolha das plantas. A pesquisadora da Embrapa Soja ressalta que a soja tolera uma desfolha bastante grande, dependendo das condições climáticas. No início do desenvolvimento da planta o controle deve ser feito se a desfolha ocorrer acima de 20%. “Se o ano for seco a atenção do produtor se torna ainda mais importante, porque a soja vai demorar mais para repor a massa foliar perdida e o prejuízo pode acontecer”, considera Ferreira.