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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 370 | Março de 2008 | Campo Mourão - Paraná

20º Encontro de Cooperados

Milho: “Esqueça o calendário de aplicações”, diz Bianco

O entomologista do Iapar – Instituto Agronômico do Paraná, Rodolfo Bianco, também é outro defensor do MIP. Ele observa que as pulverizações feitas com base em calendário são desnecessárias. “Está provado que se o produtor avaliar bem as condições da lavoura é possível reduzir, pelo menos, uma pulverização”, afirma. No encontro da Coamo ele apresentou aos cooperados os benefícios do manejo na lavoura de milho. Para Bianco, o que garante o resultado positivo do uso da tecnologia é a vistoria na lavoura. “Não há qualquer possibilidade de sucesso do MIP quando a decisão de controle é tomada pelo aspecto visual das plantas. Quando nos preocupamos apenas com isso, acabamos pulverizando mais”, alerta o pesquisador.

Inimigos naturais preservados – Observar se há presença de lagartas no cartucho do milho não é a única atribuição do produtor rural durante a vistoria da lavoura. Ele também precisa avaliar se existe ou não inimigos naturais ajudando no controle das pragas. “No caso do experimento da Coamo, na Fazenda Experimental, foi possível notar a presença de muitas tesourinhas e joaninhas, que são dois inimigos naturais importantes que comem uma grande quantidade de ovos e lagartas pequenas”, elogia Bianco. Diante deste fato, mesmo na área de testemunha, que não recebeu nenhuma aplicação de inseticida e que no início do desenvolvimento da planta tinha mais de 70% de plantas atacadas, o período de ataque da lagarta foi fechado com apenas 15% de infestação, somente com a ação dos inimigos naturais.

Prejuízo duplo – O pesquisador do Iapar reforça que o produtor rural deve levar em conta, na sua decisão sobre o momento de aplicar o produtor, duas questões: a econômica e a ambiental. “Quando há uma decisão impensada é normal que o produto não tem eficiência no controle, porque ainda não tem pragas em estágio de danos. Por outro lado, a aplicação acaba atingindo e matando os inimigos naturais que ajudariam o agricultor, depois. Então, o prejuízo é duplo: o produtor gastou dinheiro que não precisava e matou os inimigos naturais, e será obrigado a pulverizar a mais para garantir a lavoura”, alerta.

MIP no milho – “O Manejo Integrado de Pragas não quer dizer que não se deve aplicar o inseticida. A tecnologia indica que o produtor deve fazer o controle químico em situações que expõe o risco a produtividades. Se não corre o risco de perder em produtividade, um pouco de praga também não faz mal”, lembra Bianco.

Segundo o entomologista, todas as plantas têm um limite de tolerância às pragas. No caso do milho ele está entre 10% a 15% de plantas infestadas. “Então é sempre bom ter um pouquinho de pragas para que os inimigos naturais possam se alimentar e ajudar a controlar essas pragas. É uma medida da convivência: um pouquinho de praga, que não causa prejuízo, e bastante inimigos naturais, que, na verdade, são grandes amigos dos produtores rurais”, conclui o pesquisador.

Tecnologia testada com autonomia e repassada ao agricultor na linguagem do campo

Grandes temas da agricultura passaram pela Fazenda Experimental Coamo nas últimas três décadas

Nos campos dos cooperados da Coamo as novidades tecnológicas desenvolvidas pela pesquisa agropecuária oficial são transformadas em ferramentas geradoras de renda e qualidade de vida no meio rural. Depois de testadas pela Fazenda Experimental da cooperativa elas são disponibilizadas aos associados na forma de resultados práticos e através de uma didática que privilegia a linguagem própria do homem do campo. Os resultados dos experimentos vêm sendo repassados aos cooperados da Coamo há mais de 3 décadas e aplicados nas propriedades, sempre observando as características de cada região da área de atuação da co-operativa. Assim, os grandes temas da agricultura brasileira já passaram pela unidade demonstrativa da Coamo. Sem contar o que está por vir, pois a cada ano a Fazenda Coamo aprimora o seu projeto de apoio ao desenvolvimento da agropecuária nacional, sendo responsável pela grande melhora de resultados nas regiões onde a Coamo está presente.

20 anos do encontro – Desde a sua fundação, há 37 anos, a Coamo desenvolve dias de campo de transferência das novidades tecnológicas para os seus cooperados. Com a implementação do projeto da Fazenda Experimental, a cooperativa concentrou os trabalhos de apoio à pesquisa num só local e, há 20 anos formatou o Encontro de Cooperados Coamo. O evento mudou e introduziu novos conceitos na sistemática de repasse do conhecimento ao produtor rural, criando uma metodologia própria e que serviu de base para muitos outros projetos do gênero.

O agrônomo Joaquim Mariano Costa, responsável pela Fazenda Coamo, é parte integrante do contexto quando se fala em Encontro de Cooperados. Ele faz parte da coordenação do evento desde o seu início e lembra que a marca de 20 anos do encontro deve ser celebrada. “Completamos vinte anos de sucesso, pioneirismo e de validação de tecnologia. Nosso encontro fez história. O sistema que utilizamos até hoje só a Coamo faz. São muitas, imensuráveis, as tecnologias que mostramos nesses anos todos, desde a conservação de solos até o plantio direto; rotação de culturas; controles biológicos e assim por diante. É impossível destacar tudo que repassamos em termos de conhecimento para os nossos associados”, comemora Costa.

Reflexo da evolução – Para o agrônomo da Coamo, mais importante que lembrar o que foi repassado aos cooperados nessas décadas é ver o reflexo de tudo isso. Costa cita que hoje não se fala mais em erosão, por exemplo. “O plantio direto é uma tecnologia a qual não se discute, sem contar as produtividades de soja e milho que são muito superiores às conquistadas na década passada. Tudo isso é o reflexo desses anos todos de trabalho. Orientações que foram muito bem assimiladas pelos nossos produtores”, afirma.

Informações privilegiadas – Todos os anos a Fazenda Coamo apresenta inúmeras novidades aos cooperados. Há cada safra, a unidade prepara centenas de trabalhos de validação das tecnologias desenvolvidas pela pesquisa oficial e empresas parceiras fornecedoras de insumos. “A proposta de todo este projeto é testar, em condições de campo, e apresentar os resultados aos nossos associados, indicando os melhores caminhos para as suas produções. São informações privilegiadas e isentas de qualquer interesse comercial, direcionadas apenas para os cooperados”, argumenta o gerente de Assistência Técnica da Coamo, Nei Leocádio Cesconetto.

Entre os trabalhos escolhidos para demonstração aos cooperados neste ano, Cesconetto aponta o de Doenças de Milho. “Na verdade é o segundo ano que apresentamos este tema, mas o assunto é muito interessante, pois as doenças de milho são tão antigas quanto às de soja e nos últimos anos elas estão mais evidentes”, explica o gerente Técnico da Coamo. Outro tema destacado pelo agrônomo é da de Integração Lavoura-Pecuária, por se tratar de um trabalho pioneiro desenvolvido pela cooperativa em parceria com o Iapar e a Universidade Federal do Paraná. “Também destacamos a evolução da soja, uma cultura milenar e que foi mostrada em todos os seus estágios de desenvolvimento, do início da planta até os mais recentes materiais desenvolvidos pela pesquisa”, relaciona Cesconetto.

Reinventar, sempre

Ao direcionar a sua fala aos participantes do Encontro de Cooperados Coamo, o diretor de Pesquisas da Coodetec – Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola, Ivo Marcos Carraro, disse que é preciso reinventar sempre. “Esta é a tônica deste trabalho que a Coamo desenvolve desde a sua fundação. E também um molde do trabalho que se desenvolve no campo, para levar as novidades tecnológicas para o produtor rural”, considera.

Segundo Carraro, o encontro da Coamo leva produtores, técnicos e pesquisadores a refletir. “Para um evento deste porte, realizado todos os anos, seria normal a simples repetição de temas. Mas, não é isto que enxergamos aqui. Este encontro sempre direciona uma evolução para o produtor rural. Então, a palavra ‘reinventar’ está ligada em acreditar que existe uma maneira melhor de fazer aquilo que nós já estamos fazendo bem. E a Coamo já vem fazendo bem este encontro, mas a cada ano percebemos que melhora, que agrega mais, seja uma nova tecnologia, seja uma forma de receber as pessoas, seja uma forma e abordagem com o agricultor. O agricultor tem que levar esses conceitos também para a sua propriedade junto com o que ele vê nas parcelas e nas palestras. Levar um pouco deste sentimento, dele também reinventar, procurar caprichar um pouco mais, buscar uma tecnologia mais apropriada para a situação dele, cuidar do meio ambiente, de coisas que não nos preocupava no passado, mas que nos preocupa hoje. Então, a Coamo cria esse ambiente do compartilhamento das experiências, uma situação bastante solidária, de forma com que todos saem ganhando. A Coamo está de parabéns, e que ela continue repetindo, sempre reinventando”, valoriza o diretor de Pesquisas da Coodetec.

 

 

Cultivar sonhos

A pesquisadora Vania Castiglioni, que ocupou a chefia da Embrapa Soja nos últimos quatro anos, também marcou presença no Encontro de Cooperados da Coamo. Ela afirmou que a cooperativa é uma grande parceira da Embrapa Soja. “Todos os pesquisadores têm uma admiração pela Coamo e fazemos parte dessa história na certeza de que sempre estaremos juntos, buscando a inovação, competitividade e garantindo a sustentabilidade da soja”, destaca.

Castiglioni falou no sonho de alcançar materiais com produtividade e qualidade destacando a questão da sustentabilidade em todos os seus aspectos. “Isso requer criatividade e sonhos de ver o futuro e manter o país em posição de destaque, trabalhando cada vez mais forte para que esses sonhos se tornem realidade”, completa. Para ela, apesar da reconhecida importância da pesquisa científica, ainda restam muitos desafios a serem vencidos. “Precisamos fazer mais conexões com a cadeia produtiva e viver mais o ambiente do campo, aprendendo com os produtores e entendendo o contexto em que vive e produz”, enfatiza.

A comemoração dos 20 anos do atual formato do Encontro de Cooperados da Coamo remeteu a pesquisadora ao seu passado. “Há exatos 20 anos eu estava tomando a decisão de vir para o Paraná, que também era um grande sonho meu. Sendo assim, eu também estou comemorando, junto com a Coamo, todo o sucesso deste que é um evento de referência para a agropecuária brasileira”, conclui Castiglioni.

 

 

Homenagem

A doutora Beatriz Correia Ferreira, entomologista da Embrapa Soja, foi homenageada durante o encontro. Na Embrapa desde 1974, uma de suas grandes contribuições para a pesquisa foi o desenvolvimento de tecnologias para o controle biológico dos percevejos da soja. Surpresa com a homenagem e refeita da emoção, alguns dias depois, a doutora Beatriz aproveitou para elogiar a Coamo pela realização do encontro. “Mais uma vez vocês estão de parabéns! Uma vez não, 20 vezes. O dia de campo da Coamo é um sucesso e exemplo para muitos”, disse.

Ela agradeceu a diretoria da Coamo pela homenagem recebida e reforçou a sua admiração pelo trabalho de apoio à pesquisa realizado pela cooperativa. “Realmente foi uma surpresa e nem mereço tudo aquilo. Muito obrigada. Mas quero também agradecer a oportunidade de mais uma vez poder participar desse dia de campo. Vocês não podem imaginar o quanto para mim e especialmente para o meu trabalho é importante esse contato com os técnicos e os produtores. Venho daí com mil idéias e uma vontade muito grande de fazer e instalar logo mais alguns trabalhos para responder, se possível ainda nesta safra, questionamentos que ainda não estão totalmente esclarecidos ou mesmo desafios que surgiram das conversas com o pessoal que passou na estação. Este ‘feedback’ é fundamental para mim. Pesquisar é o que eu gosto de fazer, mas gosto mais ainda quando o meu trabalho procura respostas para pontos práticos e que são anseios daqueles que estão à campo”, completa.