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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 370 | Março de 2008 | Campo Mourão - Paraná

20º Encontro de Cooperados

Fertilidade ajustada por satélite

Como complemento do Projeto de Fertilidade, Coamo firma parceria com a Bunge para aprimorar correções de solo

A Agricultura de Precisão foi uma das novidades apresentadas no 20º Encontro de Cooperados da Coamo, realizado na Fazenda Experimental da cooperativa, de 7 a 14 de fevereiro. O tema foi trazido aos produtores rurais como um complemento do Projeto Fertilidade da Coamo, que foi iniciado em 1998. O projeto da cooperativa já possibilitou a correção de 554.755 mil hectares de solo.

Ferramenta – O agrônomo Gilberto Guarido, do Detec da Coamo em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), explica que o objetivo do trabalho demonstrado aos produtores rurais, em parceria com a Bunge Fertilizantes, foi buscar alternativas que possam contribuir para a melhoria de produtividade em toda área de ação da cooperativa. “Já avançamos bastante no incremento da fertilidade dos solos dos cooperados. Porém, com esta ferramenta ligada a satélites, poderemos dar maior precisão nas correções e ampliar ainda mais a produtividade das lavouras”, sustenta Guarido.

Para o agrônomo, trata-se de uma alternativa eficiente que vai continuar auxiliando os produtores rurais. “O agricultor já entendeu que o solo é a base de tudo e tudo que for feito, em termos de fertilidade, não é um gasto, um custo, e sim um investimento que ele vai perceber e ver o retorno no salto de produtividade. O que se investe em fertilidade nunca é perdido, o retorno é garantido”, afirma.

Ajuste fino – A agrônoma Danielle Messias, da Bunge Fertilizantes, revela que a Agricultura de Precisão é uma espécie de sintonia fina do Projeto de Fertilidade da Coamo. “A idéia é localizar os pontos onde há falhas na distribuição de macro e micro elementos e corrigi-los, com base nas taxas variáveis apresentadas pelo equipamento georeferenciador, que á auxiliado por satélite”, explica. Segundo ela, “é um diagnóstico preciso, que só se consegue obter através da utilização de satélites que identificam os pontos exatos e a quantidade de fertilizante que deve ser aplicado. Seria como se você sintonizasse uma estação de rádio”, compara.

Com o auxílio do equipamento de GPS é possível acertar o ponto exato de correção, disponibilizando os corretivos em maior ou menor quantidade, conforme a necessidade do talhão. “Isso é Agricultura de Precisão”, salienta Messias, lembrando que a tecnologia é recomendada principal-mente para os produtores que já participaram da primeira parte do Projeto de Fertilidade. “Com essa nova ferramenta o produtor consegue além de atingir os pontos certos de correção e também racionaliza e faz o uso inteligente de corretivos e, não fazendo aplicações em excesso em talhões onde não há necessidade”, completa a agrônoma.

Modernidade – Um quadriciclo (veículo de quatro rodas, semelhante a uma moto) foi desenvolvido especialmente para este tipo de trabalho, com a adaptação de um equipamento de GPS de alta precisão. O veículo faz diversas perfurações no solo e aumenta os pontos de coleta para análise. As informações, depois de planilhadas, são enviadas para um caminhão, que equipado com o mesmo sistema, faz a leitura das coordenadas do satélite e distribui os corretivos no solo conforme a necessidade indicada nas análises.

O cereal que virou commoditie

 

As características dos novos híbridos de milho disponibilizados no mercado foi o tema central em uma das estações do 20º Encontro de Cooperados da Coamo. Durante o encontro, os agricultores acompanharam a demonstração de 28 materiais, sendo 11 novos. Além de mostrar as novidades de marcado, a estação posicionou os produtores rurais sobre a transformação que o cereal teve nas últimas duas safras.

Exportação – O agrônomo Antonio Carlos Ostrovski, supervisor de Unidades da Coamo, diz que o milho sempre foi tratado como uma cultura de cesta básica, por estar acompanhando alimentos como o feijão, trigo, arroz e a mandioca. Contudo, de dois anos para cá o cereal ganhou status de commoditie, por causa dos crescentes negócios com o mercado internacional. “A Coamo, como várias empresas do Brasil é um exportadora de milho. Nosso cooperado está começando a se acostumar com essa nova realidade e isto é muito importante. Grande prova, foi opção para comercialização do milho, através de contratos, disponibilizados pela Coamo recentemente”, lembra o agrônomo.

A outra mudança favorável apontada por Ostrovski é a oscilação dos preços de milho na bolsa, de acordo com o dólar e com o próprio mercado mundial, justamente por ele ter se tornado uma cultura de exportação. “Assim como a soja, o milho passa a ser tratado dessa forma. E isso é uma mudança significativa. Agora, cabe ao produtor continuar acompanhando esse mercado dentro do Brasil, mas também a nível mundial, porque são esses fatores que vão influenciar os preços”, observa o técnico da Coamo, alertando ao cooperado que para ser classificado como produto de exportação esse milho precisa ser de qualidade.

Crescimento – Nesses 20 anos de encontro na Fazenda Experimental o aumento de produtividade com a cultura do milho foi significativo. Fruto das constantes orientações repassadas pelo Detec da Coamo, que não mediu esforços no repasse de tecnologia ao quadro social.

Ostrovski revela que há 20 anos os cooperados da Coamo produziam, em média, 100 a 120 sacas de milho por alqueire. “Hoje essa média é de 305 sacas por alqueire, ou seja, praticamente o dobre da produção, determinada pelo uso correto da tecnologia preconizada pela Coamo”, comemora.

 

Soja e milho sobre a pastagem de inverno

Manejo eficiente das atividades do sistema garante aumento de produtividade nas áreas de integração lavoura-pecuária

Por ser uma das tecnologias em evidência e pleno desenvolvimento a Integração Lavoura-Pecuária, por mais um ano, teve presença garantida no Encontro de Co-operados da Coamo. Os produtores obtiveram informações de nove anos do experimento, num trabalho que mostrou a evolução de produtividade e conceitos da atividade, bem como os impactos do sistema de manejo preconizado pela assistência técnica.

Sérgio José Alves, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), um dos idealizadores do sistema disse que a meta do projeto é intensificar a exploração da pecuária na área de ação da cooperativa. Ele revela que milhares de hectares de solos foram melhorados através da integração lavoura-pecuária. “Isto representa um grande impacto regional, através da produção e comercialização de animais mais jovens, melhorando a qualidade da carne e do próprio leite, e da produtividade das lavouras de milho e soja”, afirma Alves.

O agrônomo Cássio Tormena, professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), ajudou a coordenar o trabalho de pesquisa neste ano. Ele revela que o experimento demonstrou, na prática, algumas recomendações sobre a altura de manejo do pastoreio dos animais, durante o período de inverno, que não levam a degradação do solo. “O assunto é tão interessante que já temos duas teses de mestrado e doutorado, através de parceria com a Coamo, na UEM, que já está sendo um grande suporte para discussão e execução dessa tecnologia”, diz o professor.

Olho na física – Tormena explica que os dados levantados pela pesquisa indicam que houve aumento de produtividade nas áreas de integração lavoura-pecuária, mostrando que se bem manejado não existe nenhum empecilho ao sistema. “É bom lembrar que existem algumas ressalvas, ou seja: não podemos conduzir o sistema com pastagens degradadas; é preciso haver uma boa proteção do solo feita pela forrageira de inverno, de tal maneira que os animais estejam consumido forragem de boa qualidade sem causar algum prejuízo no solo, do ponto de vista físico. Tomados os devidos cuidados de manejo do solo, o impacto desse pisoteio não causará problema”, destaca.

Conforme Tormena, o ideal é manter a pastagem com altura em torno de 20 centímetros de altura no pastoreio. Desta forma, além do animal se alimentar bem ainda há condição de manter o solo em boas condições para as lavouras de verão, que entram depois, crescerem e expressar todo o seu potencial produtivo.

Outro detalhe observado pelo agrônomo é o tipo de palhada adequado para o sistema. “Hoje estamos trabalhando com aveia e azevém e sempre dizemos que quanto mais, melhor. Mas, acima de 20 centímetros de pastejo estamos em condição satisfatória, que não vai faltar palha para o plantio direto e que o gado estará comendo uma folhagem de qualidade”, orienta.

Implantar o sistema de forma correta – O veterinário Hérico Alexandre Rosseto, do Detec da Coamo, diz que a intenção foi mostrar ao produtor como implantar o sistema de forma correta. “A estrutura que temos montada aqui hoje na fazenda é uma fonte de pesquisa, de informação técnica. São anos de trabalho que comprova sua eficiência econômica, quando manejado correta-mente. Na área trabalhada dentro do sistema, aqui na Fazenda Experimental, a produtividade média da soja tem girado em torno de 130 sacas por alqueire, enquanto que o milho rende 400 sacas por alqueire. São números muito positivos que devem ser buscados pelos nossos produtores”, sugere o veterinário.

Segundo Rossetto, um dos objetivos da estação também foi desmistificar a compactação do solo com o pastejo dos animais, provando que ela só acontece se o manejo for feito de forma errada. “Está mais do que comprovando que quando se maneja os animais com uma altura de pastejo adequado não há compactação de solo”, constata.

Cooperados bem assessorados

Parte do time de pesquisadores e técnicos da cooperativa que auxilliaram na difusão de tecnologias no encontro da Coamo

 

Imagens e personagens em destaque

Em detalhe, alguns dos momentos que preencheram os sete dias do 20º Encontro de Cooperados na Fazenda Experimental