O verão não foi dos melhores para os cooperados da Coamo no Oeste do Paraná. Além da estiagem do final do ano passado, que perdurou por 45 dias, as altas temperaturas contribuíram para a configuração de um cenário difícil na região. A soja teve redução de produtividade na ordem de 35%, com algumas lavouras rendendo abaixo dos 40 sacas por alqueire, em média, número bem abaixo das expectativas regionais para a safra. Com o milho, a situação foi ainda pior. A redução na produtividade final da cultura foi de 50%, na comparação com a média alcançada na safra passada, que ficou em cerca de 300 sacas por alqueire.
No caso da soja, por exemplo, a estiagem atingiu, basicamente, as lavouras cultivadas mais cedo. 60% do total plantado com a oleaginosa foram com variedades precoces e durante a seca elas estavam em plena fase de enchimento de grãos. “As lavouras de ciclo normal e tardio não tiveram problemas. Pelo contrário: renderam até acima das médias anteriores”, compara o agrônomo Wagner Custódio, responsável técnico pelo entreposto da Coamo em Toledo. Segundo ele, apesar dos contrastes, os dois cenários serviram para abrir os olhos dos produtores rurais sobre a importância do escalonamento do plantio. “Escalonar é sempre um bom negócio para quem busca estabilidade da produção dentro e fora da porteira. Um velho ditado popular é catedrático em afirmar que não se colocam todos os ovos numa mesma cesta. E como a agricultura é uma indústria a céu aberto, os agricultores que escalonam os seus investimentos têm mais chances de conquistar resultados positivos, já que ganham, neste caso, pela média das atividades”, enfatiza Custódio.
SAFRINHA – Os produtores da região plantam a soja mais cedo para aproveitar a melhor época de cultivo do milho safrinha, que é uma boa alternativa de inverno na região. A segunda safra de milho responde por 70% da área cultiva no inverno no Oeste do Paraná. “No entanto, alguns correm riscos desnecessários quando decidem somente pela variedade precoce na propriedade. Se o ano correr tudo bem, não há problemas. Mas se a estiagem chegar cedo, como aconteceu nesta safra, não há como escapar de uma grande frustração”, lembra o agrônomo da Coamo.
Neste ano os cooperados da região mantiverem a área de cultivo com a safrinha, até para tentar amenizar um pouco os prejuízos do verão. “O problema da soja até favoreceu a safrinha, porque adiantou um pouco o plantio. E as lavouras estão com um bom potencial”, analisa Custódio.
REDUZIR RISCOS – Na opinião do técnico, as lições desta safra serviram para orientar os produtores sobre a importância do escalonamento no plantio. “Não devemos pensar apenas na safrinha e sim em todo o sistema de produção. Desta forma, o produtor tem condições de reduzir, sensivelmente, os riscos”, considera, lembrando que “o melhor a fazer, neste caso, é dividir a área e apostar em duas ou mais cultivares, de ciclos diferentes, auxiliando, inclusive, o trabalho de colheita”, completa.

O cooperado Luiz Domingos Pagliosa, que tem a sua propriedade na região de Sol Nascente, em Toledo, plantou 100 alqueires de soja neste verão. Metade da área foi ocupada por soja precoce, pensando no cultivo da safrinha. O restante foi de ciclo normal. Na primeira área a produtividade média alcançada pelo cooperado foi de 100 sacas por alqueire, enquanto que na segunda área o resultado superou a casa dos 150. “Vamos fechar com uma média de 15 a 20% menor que a registrada na safra passada, mas poderia ter sido bem pior, já que na minha propriedade foram 55 dias sem chuva”, destaca Pagliosa.
A vantagem do produtor, segundo Wagner Custódio, é que ele trabalha bem o solo, investindo na fertilidade em rotação de culturas, o que possibilita um maior suporte do solo aos períodos de seca. Os talhões que não recebem a safrinha no inverno são cultivados com aveia. A cultura serve para a cobertura do solo e também para a produção de sementes.
A expectativa do cooperado para a safrinha é de colher uma produtividade média de cerca de 200 sacas por alqueire.
VARIEDADES E ÉPOCA DE PLANTIO – Quem também planejou bem esta safra foi o cooperado Aloísio Kolling, que possui a sua propriedade na região de Bom Princípio, também em Toledo. Ele cultivou 250 alqueires neste verão, sendo 200 com a soja e 50 com o milho. Escalonando bem as cultivares, Kolling sentiu menos os efeitos da seca. A sua colheita foi encerrada com uma produtividade média de 125 sacas por alqueire de soja e 300 de milho. “Fechei com médias inferiores às alcançadas na safra passada, mas estou satisfeito, porque acertei nas decisões. Se a estiagem não tivesse atingido as lavouras mais do cedo eu teria repetido os resultados da safra passada, que foi de 152 sacas de soja por alqueire e 440 de milho”, compara.
Para o inverno, o cooperado também vai diversificar os investimentos. “Não há como depender de uma só cultura. É preciso por os pés em várias canoas”, ressalta Kolling. Na sua propriedade, 100 alqueires receberá aveia, outros 100 trigo e 50 deles já foram ocupados pelo milho safrinha.
Como não poderia ser diferente, por conta da estiagem prolongada no final do ano passado, a safra de verão 2008/2009 acabou sendo marcada por incertezas. Principalmente para os produtores que optaram pelo cultivo de variedades de soja precoce e anteciparam o plantio com objetivo de ganhar tempo para implantação da safrinha de milho. Entretanto, o prejuízo maior ficou para quem correu riscos desnecessários e semeou a maior parte, ou toda ela, com materiais com essas características, ao invés de fazer o plantio em escala, o que proporciona uma menor exposição das lavouras a condições climáticas adversas.
OLHO NA SAFRINHA – Para o cooperado Luiz Carlos Tardivo, de Figueira do Oeste, em Engenheiro Beltrão (Noroeste do Paraná), esta safra vai servir como lição. Ele cultivou 75 alqueires de soja. Parte da área foi semeada com variedades precoces, de forma antecipada, de olho no cultivo da safrinha. Em meio ao trabalho de colheita, Tardivo explica que neste ano optou por dividir a área de cultivo com plantio sendo efetuado no início de outubro e o restante um pouco mais tarde. O objetivo do cooperado, como a maioria dos produtores da região, era colher a soja o quanto antes para, em seguida, implantar a safrinha de milho.
Os resultados de Tardivo, em função da seca, não foram dos melhores. No entanto, ele não reclama. “Não vamos conseguimos colher o que pretendíamos, mas estamos fechando com um resultado até razoável e vamos conseguir pagar as contas”, espera. O produtor defende que a estiagem judiou bastante da lavoura e prejudicou a produção. “Foram quase cinquenta dias sem chuva”, revela Tardivo, argumentando que as variedades de ciclo médio foram responsáveis pelo aumento das médias de produtividade.
RESULTADOS – Nas primeiras áreas colhidas, onde foram utilizadas as variedades precoces, o cooperado fechou a safra com uma produtividade média de 77 sacas de soja por alqueire. O resultado final, porém, foi fechado em 95 sacas de média, em razão das áreas plantadas mais tardia-mente terem produzido um pouco mais. “O resultado poderia ter sido pior, não fosse o fato do solo estar bem equilibrado”, garante o agrônomo Kleber de Prince, do Departamento Técnico da Coamo em Engenheiro Beltrão. Para ele, a média alcançada pelo cooperado acabou sendo melhor em relação a maioria dos produtores da região, justamente por causa dos cuidados que ele teve com a fertilidade do solo.
INVERNO – Com a soja toda colhida a safrinha já tomou conta da propriedade de Tardivo. Sem perder tempo eles já semearam toda a área destinada ao cultivo do cereal. O que restou da área será ocupada pelo trigo. Para a safrinha, o cooperado espera colher uma produtividade média 175 sacas por alqueire. “Vou tentar amenizar um pouco o prejuízo do verão com os resultados do milho e também do trigo, que espero repetir os números da safra passada, quando colhemos acima de 120 sacas por alqueire”, revela.
Com a queda de produtividade da soja nesta safra, por conta da estiagem prolongada, a safrinha de milho passou a ser o grande negócio de muitas propriedades rurais na área de ação da Coamo. Um exemplo vem de Peabiru (Noroeste do Paraná), onde o cooperado Isauro Iurino, colheu a soja e quase que simultaneamente semeou o milho.
Como a safra de verão foi frustrada pela condição climática adversa e os resultados não foram dos melhores, Iurino resolveu investir pesado nas lavouras de inverno. Ele conta que os quase 50 dias sem chuva na sua região no final do ano passado foram determinantes para derrubar a produtividade da soja. Mas nem por isso o produtor desanimou. “Nós não podemos reclamar porque ainda estamos colhendo, enquanto em algumas regiões a situação foi bem pior”, diz o cooperado, cuja produtividade deve fechar em 80 sacas por alqueire.
EXPECTATIVAS – O milho safrinha já está todo semeado no sítio do cooperado e vai ocupar 12 alqueires da propriedade. Sem perder tempo, ele caprichou no plantio e diz que vai cuidar muito bem dos tratos culturais. “Tenho trabalhado com o milho safrinha em cerca de 50% da minha área. Estou fazendo tudo como recomendado pela assistência técnica para colher bem, se o clima ajudar é claro. Minha intenção é colher pelo menos 170 sacas por alqueire ou mais”, prevê.
Para o agrônomo Wander Mazzuchini, do Departamento Técnico da Coamo em Peabiru, o cooperado só não vai alcançar a meta almejada se o clima não contribuir, já que todos os cuidados que cabem ao produtor estão sendo tomados. “Ele faz tudo certinho. Implantou o hibrido correto para a época e com o adubo correto para a propriedade dele. Para o resultado ser satisfatório basta o clima ajudar”, comenta o técnico da Coamo.