A pesquisa agrícola brasileira tem vários desafios pela frente. A biotecnologia, sem dúvida, é um deles. A busca por materiais geneticamente modificados tem ocupado grande parte do trabalho nos laboratórios. Especificamente com a soja, a concentração do trabalho está na segunda geração do RR. A novidade trabalha com a incorporação do gen Bt (resistente a lagartas) às cultivares de soja. O RR2, como já vem sendo denominado, estará no mercado comercial em 2012.
Ainda dentro da biotecnologia, a pesquisa trabalha no desenvolvimento de uma variedade resistente a um outro tipo de herbicida, além da soja tolerante à seca. No caso da Embrapa, por exemplo, este programa de melhoramento possui uma parceria com o Japão. Para os pesquisadores, a questão da soja tolerante à seca é fundamental, em função das variações climáticas, como a que se percebeu nesta safra. Além da soja, a idéia é estender esta tecnologia para outras culturas, como é o caso do milho, feijão e cana-de-açúcar.
CONVENCIONAL – Diante da principal demanda do campo: a produtividade, o foco dos melhoristas também está no compromisso de manter o melhoramento convencional em todas as culturas, porque embora o mercado de transgênicos esteja crescendo muito o projeto das instituições oficiais é sempre ofertar os materiais convencionais, já consagrados, para o produtor rural. Para a pesquisa, mais do que garantir um grande impacto no campo a meta dos programas de melhoramento, quer biotecnológicos ou convencionais, é dar mais estabilidade ao sistema de produção.
Neste ano, no Encontro de Co-operados da Fazenda Experimental Coamo, duas estações foram montadas para apresentar aos co-operados as cultivares de soja já consagradas no mercado e as novidades da pesquisa para o plantio da próxima safra de verão, além de ensaios com materiais em pré-lançamentos. O pesquisador da Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (Coodetec), Dorival Vicente, esteve em uma delas e disse que a instituição optou por mostrar no evento um total de dez variedades adaptadas para diversas regiões na área de atuação da Coamo, com grande potencial para atender as necessidades dos produtores. “Mostramos variedades convencionais produtivas e já com disponibilidade de sementes. E na área de transgênicos mostramos lançamentos que favorecem o plantio antecipado e que produzem bem, além de variedades para serem implantadas na época normal também com boa capacidade de produção”, destacou Vicente.
POSICIONAMENTO – Pesquisadora da área de Melhora-mento da Coodetec, Marisa Dalagostin, acrescentou que é importante demonstrar ao produtor o posicionamento das variedades, explicando como conduzir o plantio, em que época plantar, em que densidade e tipo de solo cada variedade deve ser plantada. “É por isso que existem as diferentes variedades. Porque cada uma delas tem a sua condição apropriada, a sua adaptação e o agricultor deve encontrar, para a sua condição própria, aquela variedade que mais se adapta a sua realidade”, argumenta Dalagostin.
OUTRAS NOVIDADES – O agrônomo João Batista da Silveira Luiz, responsável pelo Labora-tório de Produção de Sementes da Coamo, lembrou que além dos materiais da Coodetec também foi apresentado aos cooperados o comportamento das cultivares da Syngenta e da Tropical Genética Melhorametno (TMG). “Destacamos muito época de plantio dos materiais. É um fator crítico na estabilidade da produção. Sendo assim, tivemos oportunidade de mostrar todo o risco de plantio antecipado”, conclui Silveira Luiz.