Quem se lembra quantas aplicações de inseticidas eram suficientes para controlar as pragas nas lavouras de soja, milho e trigo há dez anos atrás? Essa era a principal pergunta na estação de Manejo Integrado de Pragas, durante o Encontro de Cooperados na Fazenda Experimental Coamo, neste ano.O entomologista Lauro Morales, do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), que esteve na estação durante todo e evento, lembra que hoje os agricultores não fazem menos que quatro aplicações, ou até cinco, enquanto na década passada esse número não passava de duas, por conta do Manejo Integrado de Pragas, um velho conhecido dos produtores rurais que caiu no esquecimento com o passar dos anos. Na época, conta Morales, “a tecnologia era uma ferramenta de apoio sobre o melhor momento de entrar aplicando inseticida na lavoura. E é o que queremos que volte a ser”, afirma.
O fato é que o sistema está voltando ao campo não apenas como alternativa para reduzir os custos de produção, mas também aumentar o rendimento das culturas. Segundo Morales nos últimos dez anos o numero de aplicações dobrou. Ou seja, de duas aplicações o salto foi para quatro, ou até cinco em alguns casos. “Isso tem um significado econômico de mais ou menos R$ 200 milhões gastos todo ano, somente na cultura da soja. Sem contar que estamos observando o aparecimento de novas pragas, por conta de um desequilíbrio que nós mesmos estamos criando”, alerta, observando que o monitoramento é uma das principais ferramentas do sistema.
Através dele o produtor pode aplicar o melhor produto na hora que realmente a praga vai dar prejuízo. Para o agrônomo Luiz Carlos de Castro, do Departamento Técnico da Coamo, que co-ordenou a estação, é preciso avaliar a época de ocorrência das pragas na lavoura para entrar, ou não, aplicando o produto. “O produtor rural precisa ter parâmetros técnicos para poder realizar as aplicações necessárias em sua lavoura. Por isso, é fundamental uma sintonia fina com a sua assistência técnica. Juntos, eles poderão decidir o melhor momento de realizar os controles”, orienta Castro.
CAMPANHA – A Emater Paraná está encabeçando um movimento para implantar novamente o Manejo Integrado de Pragas em todo o Estado. De acordo com Morales a idéia é reciclar os técnicos, que depois farão um trabalho mais intensivo junto aos produtores, e em cinco anos diminuir em pelo menos 30% o numero de aplicações de inseticidas em soja, milho e trigo. “É um processo educativo, de convencimento do produtor de que ele pode fazer a convivência com as pragas sem gastar tanto inseticidas e principalmente poluir o ambiente. Cada vez que ele faz uma aplicação de inseticida, por maior cuidado que tenha, está colocando um produto químico e tóxico no solo, na água e no ar. E isso tem que ser ajustado da melhor forma possível”, explica o pesquisador.
PREFERÊNCIA AOS SELETIVOS – Para o também entomologista Rodolfo Bianco, do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), especialista em pragas de milho, o princípio do MIP é dar preferência aos produtos que sejam seletivos aos inimigos naturais, capazes de combater grande parte das pragas das lavouras. “O que buscamos com essa renovação do MIP é fazer com que o produtor enxergue um pouco mais além, a praga. Além delas existe na lavoura um número muito grande de inimigos naturais, que não estão sendo levado em conta, mas podem ajudar muito na condução da lavoura”, lembra Bianco.
O pesquisador esclarece que os inimigos naturais não vão reduzir a zero as pragas na lavoura, porém, se eles não estiverem presentes as reinfestações acabam acontecendo em menos tempo, aumentando o prazo de necessidade, ou não, de controle. “Nossa expectativa é de que a gente possa voltar, em torno de três a quatro anos, a necessitar apenas de duas ou três aplicações. Claro que isso vai depender muito de um trabalho conjunto dos agrônomos de co-operativas, da assistência técnica oficial, dos próprios pesquisadores em desenvolver tecnologias mais apropriadas e também dos produtores”, comenta.
SEGURO AGRÍCOLA – Na mesma estação, além de mostrar os benefícios do Manejo Integrado de Pragas (MIP), outro tema abordado foi o seguro agrícola. Rudi Ricardo Scherer, do Detec da Coamo, explicou aos cooperados as vantagens de poder contar com as coberturas do seguro. O técnico entende que o produtor não pode ficar desprotegido ao investir em suas lavouras. “É uma forma eficiente de oferecer estabilidade ao sistema de produção, possibilitando maior segurança com menor custo e riscos reduzidos”, esclarece Scherer.
O seguro agrícola, na opinião do técnico da Coamo, é um item que deve estar incluso no orçamento da lavoura. “Sem ele, produzir é muito arriscado. Não da mais para jogar tanto dinheiro no campo e ficar a mercê do clima”, sugere.