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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 381 | Março de 2009 | Campo Mourão - Paraná

Encontro de Cooperados

Ao invés de ciclos, grupos de maturação

Pesquisa orienta o produtor rural a classificar as cultivares de soja por nova nomenclatura, para ajustar informação

Acostumados a identificar as variedades de soja em ciclos (super-precoce, precoce, semi-precoce, médio e tardio), os cooperados da Coamo tiveram uma surpresa neste ano durante a 21ª edição do Encontro de Cooperados na Fazenda Experimental. Eles foram orientados a classificar as cultivares por grupos de maturação, o que, segundo a pesquisa, possibilita um refinamento na informação, uma vez que oferece uma precisão maior na terminação do material, ou seja, na quantidade de tempo que uma determinada variedade vai levar para chegar à sua maturação plena.

“É uma nova nomenclatura que deve ser assimilada em pouco tempo pelo agricultor”, assinala o pesquisador da área de Melhoramento de Biotecnologia da Co-operativa Central de Pesquisa Agrícola (Coodetec), Ivan Schuster. A nova classificação evitará, principalmente, a variação no número de dias que cada variedade pode ter dentro de um mesmo ciclo, de acordo com o clima de cada região. “Quando as cultivares são classificadas como grupos de maturação as comparações são mais fáceis. O grupo de maturação é o mesmo nas diferentes regiões, de forma que é mais fácil de comparar as variedades”, explica Schuster.

NUMERAÇÃO – A nomenclatura é relativamente nova para o campo. Na prática, segundo o pesquisador, funciona da seguinte forma: as variedades são classificadas numericamente e as que levam o número abaixo de 6.0 são consideradas super-precoces; de 6.0 a 6.5 estão as precoces; as mais próximas de 7.0 são de ciclo normal e assim por diante.

VARIAÇÕES – Dentro de um mesmo ciclo as variedades podem variam em função do local de cultivo. De acordo com Schuster, “dentro do precoce, por exemplo, se compararmos variedades em diferentes locais elas podem variar de 117 a 123 dias no Oeste do Paraná; menor do que 115 dias no Norte e 125 dias ou mais no Centro-Sul do Estado. Dá para dizer que a cultivar pode ter uma variação, dentro do mesmo ciclo, de 10 a 12 dias, de uma região para outra”, revela o pesquisador.

SUBSTITUIÇÃO – A partir de agora o termo ‘ciclo’ será substituído gradativamente pelo termo ‘grupo de maturação’. “É uma sintonia mais fina para que o produtor possa usufruir mais do potencial do material que ele está plantando”, afirma Shuster, completando que à medida com que o agricultor vá se familiarizando com esta informação ele vai poder calcular corretamente o número de dias que cada cultivar levará para completar a maturação em sua região.

Vitrine de cultivares

A outra estação que tratou de demonstrar as principais características das cultivares de soja recomendadas para a região de atuação da Coamo foi a que apresentou os materiais da Embrapa, Brasmax e FT Sementes. Os cooperados também puderam acompanhar os lançamentos convencionais e transgênicos já no mercado e outros que ainda serão lançados. O pesquisador Lineu Alberto Domit, da área de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja, observou que o produtor sempre tem muito interesse neste tipo de evento e está em constante busca por alternativas de produção. “Eles querem encontrar as melhores opções para esse sistema de cultivo. Saber onde estão errando e como acertar”, resumiu. Segundo o pesquisador, neste ano a Embrapa apresentou novi-dades para o cultivo precoce com mais estabilidade de produção, além das variedades tradicionais, convencionais e transgênicas.

DE OLHO NA SAFRINHA – Fernando Gomide, melhorista da Fundação Meridional, destacou as cultivares para o cultivo precoce, que são as mais procuradas pelos agricultores que cultivam a safrinha de milho no inverno. “Na parceria Embrapa, buscamos precocidade sim, mas não uma precocidade severa, com ciclo extremamente precoce. Queremos disponibilizar alternativas que dêem condições do produtor fazer uma safra cheia de soja e ainda o milho safrinha. Mas é bom lembrar que a safrinha, como o próprio nome diz é uma segunda safra; então é preciso ter muito cuidado com ela”, alerta Gomide.

MAIS VARIEDADES – O agrônomo José Marcelo Rúbio, do Departamento Técnico da Coamo, disse que o mercado de soja está mudando e o número de variedades tem crescido bastante nos últimos anos. “Hoje existe uma concorrência maior. Mais empresas estão disputando esse mercado, o que é bom para o produtor que acaba tendo cada vez mais opções”, entende Rúbio, lembrando que rapidamente o sojicultor terá a disposição variedades que darão condições de serem implantadas mais cedo e mesmo assim terão porte adequado para colheita, com boa produtividade. “É o que estamos mostrando já este ano: variedades convencionais de ciclo indeterminado que dão condições de plantio antecipado e com bom porte, sem correr muito risco. São opções que o produtor tem para escolher e que levam em conta os seus próprios interesses na formação dos resultados. Mas ela deve ser muito bem pensada, com a decisão passando pela recomendação técnica dos agrônomos da Coamo”, orienta Rúbio.