




Neste ano não foi diferente. No período de 4 a 11 de fevereiro a Fazenda Experimental Coamo – uma área de 170 hectares localizada em Campo Mourão, na região Centro-Oeste paranaense, recebeu mais de três mil associados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul para a 21ª edição do Encontro de Cooperados. “A exemplo dos anos anteriores, o foco da cooperativa é oferecer ferramentas que possam auxiliar os cooperados a melhorar as suas performances no campo”, esclarece Joaquim Mariano Costa, responsável pela organização do evento.
EVOLUÇÃO – O diretor-presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, fez palestra de abertura em todos os dias do encontro. Gallassini apresentou um pano-rama da safra de verão 2008/09, ressaltando, principalmente, a redução na produtividade do milho e da soja, em algumas regiões, em função da estiagem que compro-meteu, sobretudo, as lavouras de ciclo precoce cultivadas antecipadamente. “Temos tecnologia para alcançar o máximo do potencial de produção, mas precisamos saber usar todas as ferramentas que estão à nossa disposição”, alerta o dirigente. Ele destaca que já houve uma grande evolução no campo desde a fundação da cooperativa. “Saltamos de 70 para 130 sacas por alqueire, em média, na soja, com algumas áreas chegando a 196 sacas por alqueire. E no milho não foi diferente. Antes produzíamos 150 sacas por alqueire e hoje já é possível ultrapassar a marca das 500”, contabiliza.
Diante de todo o avanço, Gallassini considera que ainda há espaço para avançar ainda mais. “Por isso é que um evento como este é valorizado pelos cooperados. Eles entendem que o propósito é ajudá-los a plantar com a melhor tecnologia e colher as melhores produtividades”, diz o presidente da Coamo.
ESTAÇÕES – Dos mais de 100 trabalhos conduzidos neste verão pela unidade experimental da Coamo, dez foram selecionados para ser demonstrados aos associados durante o encontro. “A escolha não é fácil, já que todos têm a sua importância. No entanto, procuramos escolher os assuntos conforme o desenvolvimento da tecnologia, sempre observando as necessidades do nosso quadro social”, esclarece Costa.
“Plantar grãos é como investir na bolsa: não dá para apostar em um só produto, porque o risco de perder tudo é muito grande”. A afirmação é do chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Catelan. Ele diz que cada safra tem a sua didática e que o produtor rural deve saber tirar as lições trazidas dentro de cada ano. Para Catelan, que esteve no Encontro de Cooperados na Fazenda Experimental da Coamo, as diferenças entre os resultados gerados pelo campo podem visualizadas com mais ou menos intensidade, dependendo do volume de informações que o agricultor tiver a sua disposição e utilizar, efetivamente.
MAIS INFORMAÇÃO – O pesquisador explica que os desafios da pesquisa aumentam anualmente. “Neste sentido, eventos como este que a Coamo realiza são muito importantes para validar todo o trabalho que a pesquisa faz”, valoriza. A pesquisa e a assistência técnica, segundo Catelan, precisam trabalhar em conjunto para que as novas tecnologias cheguem até o produtor rural. “E ele está mais consciente. O agricultor já se acostumou a ter acesso à informação de várias formas: no rádio, na televisão e na internet”, assegura, considerando que o que ocorre, muitas vezes, é uma precipitação do produtor rural. “Ele pensa que tem alguma oportunidade de ganhar mais e então acaba escorregando um pouco nas recomendações. Mas, a recomendação é que o produtor fique bastante esperto, em relação a isto. Só assim iremos dar à agricultura um maior equilíbrio, já que ela é uma atividade de risco por natureza. Então temos que tentar diminuir esses riscos”, orienta.
O diretor de Pesquisa da Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (Coodetec), Ivo Marcos Carraro, tem acompanhado de perto a revolução no campo, sobretudo através do melhoramento genético das plantas. E a difusão tecnológica, na visão de Carraro, acontece justamente quando o produtor busca a informação diretamente na fonte, como acontece, por exemplo, durante o Encontro de Cooperados na Fazenda Experimental da Coamo. “É o momento da troca. O produtor vem buscar o que a pesquisa tem a oferecer e ela, por sua vez, apresenta a ele as novidades. E através desta interação novas demandas são priorizadas no processo de criação de novas tecnologias”, resume o pesquisador.
Segundo Carraro, outra razão da importância de eventos como o realizado anualmente pela Coamo é o planejamento. “A nova safra, que será plantada no final do ano pelos agricultores, começa a ser pensada a partir deste encontro. Ele vem aqui buscar subsídios, porque este é um dia de trabalho muito intenso. A cabeça do agricultor, depois de um dia como este, volta para casa cheia de ideias. Então ele analisa as informações com a sua assistência técnica e com amigos e vizinhos, mas baseado em fatos reais”, valoriza.
FATORES CONTROLÁVEIS – Ao comentar sobre os resultados da tecnologia no campo, o executivo da Coodetec entende que alguns fatores técnicos são determinantes para o alcance do máximo do potencial das variedades. São, segundo ele, atitudes simples capazes de driblar anos difíceis e que podem influenciar positivamente a produção final das lavouras. Para Carraro, a situação de estiagem ocorrida nesta safra deve ser uma grande lição para os produtores rurais. “Quando o assunto é o clima nós não podemos interferir. Não tem como fazer um convênio com ‘São Pedro’ para chover só na nossa roça. No entanto, desafiar a natureza da planta não é um bom negócio. Sendo assim, plantar na hora certa e com capricho; manejar adequadamente a lavoura; cuidar das pragas e doenças; são decisões que cabem apenas ao agricultor e que podem fazer a diferença no campo. São os fatores controláveis e que estão na mão do agricultor. Muitos deles não custam mais dinheiro. É só ter um pouco mais de paciência e capricho. E assim os riscos vão diminuindo”, resume.
ERRO INSISTENTE – O que acontece com o produtor, na opinião de Carraro, é que muitas vezes ele é orientado a tomar decisões de outra forma, mas acaba insistindo no erro. “A visão de curto prazo não funciona na agricultura. O produtor rural tem que observar uma seqüência de anos para trás para tomar as suas decisões. É o que a pesquisa faz”, salienta. Para o pesquisador, é preciso analisar melhor a decisão sob qualquer aspecto. Gastar um pouco mais de tempo no planejamento. “Os anos difíceis servem para que nós possamos aproveitar a oportunidade, mesmo aquele agricultor que sofreu um revés, e principalmente este, fazer a sua autocrítica. Temos que aproveitar os nossos erros, as nossas dificuldades para aprender”, orienta.