
Um dos maiores desafios da pesquisa no controle de plantas daninhas está voltado para uma erva resistente ao glifosato que pode atingir até 1,5 metro de altura; produz de 100 a 300 mil sementes por planta, que, por serem aladas, podem “voar” até 65 quilômetros antes de germinarem. Trata-se da buva, uma planta que, segundo informações da pesquisa, já se proliferou por mais de um milhão de hectares no Paraná. Um esforço coletivo para o controle da erva vem sendo adotado pela pesquisa, em parceria com a assistência técnica, como, aliás, acontece com a ferrugem da soja. A preocupação não é por menos: a alta infestação da erva pode ocasionar até 40% de perda na produtividade pela competição com a lavoura comercial.
No 21º Encontro de Cooperados da Coamo, realizado na Fazenda Experimental da cooperativa, em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), o tema foi amplamente debatido. Duas estações foram montadas no evento para tratar do assunto.
MANEJO CULTURAL – O agrônomo Cezar dos Santos Ferreira, do Departamento Técnico da Coamo, explica que no Brasil são duas espécies, ambas resistentes. Segundo ele, o manejo cultural é a melhor saída para o controle da buva. “O segredo é não deixar a planta ficar grande”, orienta. O período de inverno é o mais recomendado para o manejo da erva. “Por isso, a rotação de cultuas é fundamental”, acrescenta Ferreira, considerando que, dependendo do tamanho da planta e do nível de infestação, é até recomendável fazer uma catação manual.
UM PARA CIMA, TRÊS PARA BAIXO – As sementes da buva têm um alto poder de germinação. Segundo a pesquisa, 80% delas são viáveis e irão competir com a cultura em condições desleais. “Elas chegam rapidamente aos vizinhos e, por isso, a buva é considerada uma planta comunitária”, enfatiza o agrônomo Pedro Dias da Silva Júnior, do Detec da Coamo e que coordenou a estação. Além disso, ela é uma planta muito agressiva. “A buva cresce um centímetro para fora e três para dentro do solo. Neste caso, uma planta com cinco centímetros acima do solo ela tem 15 de raiz”, alerta Silva Júnior.
CONTROLE QUÍMICO – Para um controle químico eficiente a planta deve ter, no máximo, entre 20 a 25 centímetros de altura. É importante a utilização de produtos combinados, com doses adequadas e com aplicações sequenciais. Na Fazenda da Coamo foram testados diversos sistemas de controle, com doses recomendadas pelas empresas parceiras. “No entanto, o melhor controle da buva não é o químico e sim o cultural, já que a cultura que vai oferecer o melhor controle sobre esta erva”, esclarece Silva Júnior. O técnico da Coamo orienta o produtor rural a procurar a assistência técnica para saber da melhor forma de controlar a planta daninha, caso ela apareça a sua propriedade.
No Paraná, até 2007, a erva daninha era considerada uma questão grave apenas no Oeste e parte do Sudoeste. Informações da pesquisa dão conta de que no ano passado, avançou para o Noroeste e mais ao Sul. Hoje é um problema de gravidade média em todas as outras regiões produtivas do estado. Praticamente só o Litoral escapou.
A resistência ao glifosato impede que o produtor de soja transgênica RR fique despreocupado. Para medir a resistência da buva ao herbicida, os técnicos aplicaram até 15 vezes mais produto que o normal. Ainda assim, algumas plantas sobreviveram. Na conclusão dos pesquisadores, é preciso duas aplicações de herbicidas (uma de glifosato e outra de algum outro produto com modo de ação diferente) com intervalo de sete a dez dias. Existe ainda a alternativa do plantio de braquiária, que elimina naturalmente a planta invasora – o plantio direto inibe o aparecimento da buva.