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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 381 | Março de 2009 | Campo Mourão - Paraná

Encontro de Cooperados

Esforço coletivo contra o avanço da buva

Resistente ao glifosato, a erva possui grande capacidade de multiplicação e suas sementes podem “voar” até 65 quilômetros

Um dos maiores desafios da pesquisa no controle de plantas daninhas está voltado para uma erva resistente ao glifosato que pode atingir até 1,5 metro de altura; produz de 100 a 300 mil sementes por planta, que, por serem aladas, podem “voar” até 65 quilômetros antes de germinarem. Trata-se da buva, uma planta que, segundo informações da pesquisa, já se proliferou por mais de um milhão de hectares no Paraná. Um esforço coletivo para o controle da erva vem sendo adotado pela pesquisa, em parceria com a assistência técnica, como, aliás, acontece com a ferrugem da soja. A preocupação não é por menos: a alta infestação da erva pode ocasionar até 40% de perda na produtividade pela competição com a lavoura comercial.

No 21º Encontro de Cooperados da Coamo, realizado na Fazenda Experimental da cooperativa, em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), o tema foi amplamente debatido. Duas estações foram montadas no evento para tratar do assunto.

MANEJO CULTURAL – O agrônomo Cezar dos Santos Ferreira, do Departamento Técnico da Coamo, explica que no Brasil são duas espécies, ambas resistentes. Segundo ele, o manejo cultural é a melhor saída para o controle da buva. “O segredo é não deixar a planta ficar grande”, orienta. O período de inverno é o mais recomendado para o manejo da erva. “Por isso, a rotação de cultuas é fundamental”, acrescenta Ferreira, considerando que, dependendo do tamanho da planta e do nível de infestação, é até recomendável fazer uma catação manual.

UM PARA CIMA, TRÊS PARA BAIXO – As sementes da buva têm um alto poder de germinação. Segundo a pesquisa, 80% delas são viáveis e irão competir com a cultura em condições desleais. “Elas chegam rapidamente aos vizinhos e, por isso, a buva é considerada uma planta comunitária”, enfatiza o agrônomo Pedro Dias da Silva Júnior, do Detec da Coamo e que coordenou a estação. Além disso, ela é uma planta muito agressiva. “A buva cresce um centímetro para fora e três para dentro do solo. Neste caso, uma planta com cinco centímetros acima do solo ela tem 15 de raiz”, alerta Silva Júnior.

CONTROLE QUÍMICO – Para um controle químico eficiente a planta deve ter, no máximo, entre 20 a 25 centímetros de altura. É importante a utilização de produtos combinados, com doses adequadas e com aplicações sequenciais. Na Fazenda da Coamo foram testados diversos sistemas de controle, com doses recomendadas pelas empresas parceiras. “No entanto, o melhor controle da buva não é o químico e sim o cultural, já que a cultura que vai oferecer o melhor controle sobre esta erva”, esclarece Silva Júnior. O técnico da Coamo orienta o produtor rural a procurar a assistência técnica para saber da melhor forma de controlar a planta daninha, caso ela apareça a sua propriedade.

O tamanho do problema

No Paraná, até 2007, a erva daninha era considerada uma questão grave apenas no Oeste e parte do Sudoeste. Informações da pesquisa dão conta de que no ano passado, avançou para o Noroeste e mais ao Sul. Hoje é um problema de gravidade média em todas as outras regiões produtivas do estado. Praticamente só o Litoral escapou.

A resistência ao glifosato impede que o produtor de soja transgênica RR fique despreocupado. Para medir a resistência da buva ao herbicida, os técnicos aplicaram até 15 vezes mais produto que o normal. Ainda assim, algumas plantas sobreviveram. Na conclusão dos pesquisadores, é preciso duas aplicações de herbicidas (uma de glifosato e outra de algum outro produto com modo de ação diferente) com intervalo de sete a dez dias. Existe ainda a alternativa do plantio de braquiária, que elimina naturalmente a planta invasora – o plantio direto inibe o aparecimento da buva.