Tem novidade no campo. E é no milho. A partir desta safra os produtores já estão experimentando as vantagens do cultivo do milho Bt (Yieldgard), que é resistente às lagartas que atacam a parte aérea da planta, como a do cartucho e da espiga, bem como a broca do colmo. A forma de condução da nova tecnologia e o que o produtor pode esperar dela no campo foram alguns temas de uma grande discussão gerada durante o 21º Encontro de Cooperados da Coamo. A evolução transgênica do cereal foi abordada em uma das estações montadas na Fazenda Experimental da cooperativa, em Campo Mourão.
O agrônomo Roberto Shigueo Takeda, do Departamento Técnico da Coamo, informa que as lagartas, de maneira geral, são as grandes vilãs da cultura do milho. “As do cartucho, por exemplo, representam entre 20% a 30% das perdas em produtividade e qualidade do cereal. Já as da espiga geram perdas de 8%; enquanto que as perdas provocadas pela broca do colmo podem chegar a até 20% da safra”, alerta. O milho Bt controla a entrada destas pragas na lavoura. No entanto, caso as condições de clima sejam favoráveis para o desenvolvimento dos insetos, talvez seja necessário fazer uma aplicação de inseticida para controlar as pragas. “Mesmo assim, sairia mais barato para o produtor rural, já que no cultivo convencional o número de aplicações para o controle das lagartas pode superar quatro aplicações, dependendo do clima e da ocorrência da praga no ano”, explica Takeda, orientando que em anos mais secos a incidência é maior e o controle das pragas fica mais difícil.
EFICIÊNICA – A tecnologia Yieldgard é muito eficiente no controle das lagartas e da broca do colmo do milho, na opinião do agrônomo Luiz Cezar Voytena, do Detec da Coamo, que coordenou a estação. Ele revela que “até então os produtores tinham muitas dificuldades em controlar estas pragas, uma vez que a eficiência dos produtos é menor, exigindo do agricultor um maior investimento em aplicações e uma agressão maior ao meio ambiente”.
BENEFÍCIOS – Entre os benefícios, na comparação com o milho convencional, o Yealdgard oferece ao produtor rural a redução ou dispensa do número de aplicações de inseticidas; o aumento da produtividade das lavouras, por conta do menor estrago provocado pelo ataque das pragas; além de não apresentar problemas de micotoxinas e grãos ardidos.

Uma das principais preocupações geradas a partir do cultivo do milho Bt está relacionada com contaminação do produto convencional pelo transgênico. Para evitar que isto aconteça, a Resolução Normativa nº 4, da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), determina que o produtor plante o Yieldgard dentro das normas de coexistência, ou seja, mantendo as lavouras transgênicas a uma distância mínima de 100 metros das convencionais.
Outra preocupação é com as áreas de refúgio, uma orientação técnica que vem sendo repassada aos agricultores. Elas consistem no plantio de milho convencional em, pelo menos, 10% da área cultivada com o transgênico. A cada 800 metros de lavoura o produtor deve inserir um refúgio. “A idéia é que se tenha plantas na propriedade que não sejam Bt para que as lagartas resistentes cruzem com as não resistentes e as futuras gerações não sejam total-mente resistentes à tecnologia”, esclarece Takeda, considerando que o produtor deve fazer o refúgio todos os anos, tanto no verão quanto na safrinha, para não correr o risco de perder a tecnologia no curto prazo.
Segundo dados da gerência de Assistência Técnica da Coamo, há uma tendência do produtor rural substituir o milho convencional pelo transgênico nas próximas safras. Os dados dão conta que neste inverno cerca de 1/3 da área destinada à safrinha foi cultivada com a tecnologia Bt. E para a próxima safra de verão (2009/10), cerca de 50% da área a ser plantada com o milho, na área de ação da cooperativa, será ocupada com Yieldgard.