Problema comum e capaz de derrubar a produtividade do rebanho e da própria forrageira, a invasão de plantas daninhas em pastagem também foi tema de uma das estações no 21º Encontro de Cooperados na Fazenda Experimental Coamo. O médico veterinário Hérico Alexandre Rossetto, que coordenou a estação, diz que a competição de plantas invasoras com as pastagens deixou de ser um problema localizado e se espalhou pelo país afora. Segundo ele, existe um banco de sementes muito grande no solo, por isso a chamada ‘mato-competição’ é tão intensa.
O veterinário explica essa alta competição do mato com as forrageiras faz com que as pastagens, em especial as perenes de verão, sejam intensamente prejudicadas. “O mato compete muito por água, luz e nutrientes básicos e as plantas daninhas são muito mais eficientes em captar tudo isso em razão da sua profundidade de raiz. É um problema que estamos tentando controlar constante-mente, mostrando a diferenciação do produtor fazer o controle correto, podendo obter até 100% no potencial de produção dessas forrageiras”, explica Rossetto.
MATO PODE DOMINAR A ÁREA – Segundo o técnico, muitas vezes quando o criador resolve reformar o pasto ou mesmo implantar uma nova pastagem ele acaba mexendo com o solo e ativando o banco de sementes das plantas daninhas. E como a planta invasora tem um potencial de crescimento muito mais rápido do que a do capim, a emergência dela também é mais eficiente. Assim, o mato germina antes que o capim e em pouco tempo acaba dominando a área.
Neste caso, segundo Rossetto, o produtor deve realizar o controle pós-emergente com 35 a 40 dias após o plantio da pastagem. “O que recomendamos é um trata-mento químico especifico para eliminar a erva desde a folha, caule e raízes, deixando a forrageira aproveitar melhor toda a estruturação de solo, água e luminosidade. Desta forma aumentamos a produção de comida para o rebanho sem ter o rebrote da planta invasora. Assim elimina-se o problema aumentando a capacidade de produção da propriedade”, sugere.
FOCO NA CAPACIDADE DE PRODUÇÃO – Para Diogo Dias Graciano, médico veterinário da Pfizer, o controle de invasoras é um dos temas mais polêmicos na pecuária moderna. Ele afirma que o criador precisa focar a capacidade de produção da propriedade, verticalizando os resultados, que muitas vezes ficam bem abaixo do possível, simples-mente pela não adoção de práticas simples como um bom manejo, por exemplo. “É comum o pecuarista não conseguir identificar o que realmente está interferindo na capacidade de produção da sua propriedade e, na maioria das vezes, esta ineficiência de identificação está diretamente ligada a invasão de plantas daninhas na pastagem”, diz Graciano.
CUSTO/BENEFÍCIO – Assim como na agricultura a pastagem responde muito bem ao incremento tecnológico, e de forma rápida. O veterinário da Pfizer afirma que vale a pena investir na forrageira, uma vez que o retorno é garantido. “O que o criador investe na pastagem é extraído de volta de forma muita rápida, na produção de carne ou leite. O custo disso vai girar de acordo com a situação de cada propriedade. Por isso, cada caso é um caso”, salienta Graciano.
