
Na área de ação da Coamo a integração lavoura/pecuária deixou de ser um aposta, para se tornar uma realidade cercada de bons resultados. Desenvolvido pela Coamo em parceria com o Instituto Agronômico do Paraná (Ia-par) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), Com apoio da Syngenta e Universidade Estadual de Maringá (UEM), o projeto completa 10 anos de pesquisas e sucessos na Fazenda Experimental Coamo. Apresentado nova-mente no Encontro de Cooperados, o projeto mostrou que ano a ano a tecnologia ganha força com a adesão de novos produtores, interessados em diversificar a propriedade, diminuir riscos e aumentar a eficiência e o faturamento da atividade agropecuária.
Sérgio José Alves, pesquisador da área de Forragicultura do Iapar, lembra que no início uma das grandes preocupações acerca do sis-tema era se o pisoteio do gado prejudicaria ou não a produtividade da soja. “Uma teoria que foi desmistificada pela pesquisa”, aponta Alves. Conforme o agrônomo os números provam o contrário. “Hoje, depois de dez anos, nossa produtividade média nas áreas pastejadas é maior do que nas áreas não pastejadas. Temos produzido 160 sacos de soja, de média, por alqueire. O que é uma média muito alta, acima da média do estado inclusive. Esses números mostram que a integração lavoura-pecuária é altamente sustentável”, afirma.
RESULTADOS – Quanto à produção animal os resultados também são relevantes. O pesquisador revela que o sistema desenvolvido na Fazenda Experimental vem produzindo animais par abate com menos de dois anos de idade, sejam machos, fêmeas, castrados ou inteiros e de diferentes cruzamentos e raças. “O sistema é bastante robusto e temos conseguido resultados bastante altos, com ganhos de peso médio de até 900 gramas/cabeça/dia e em alguns períodos até de 1.100 a 1.200 gramas. No inverno esse ganho tem girado em torno de 750 a 800 gramas/cabeça/dia”, explica.
O interessante, na avaliação do agrônomo do Iapar, é que a lotação animal em pasto de verão chega a atingir 8 a 10 animais em pasto, por hectare. Para se ter uma idéia, compara ele, “a lotação média brasileira é de 1 cabeça a 1,5 cabeças por hectare. Isso em propriedades mediamente conduzidas, porque a média nacional é de 0,7 cabeças”, diz.
PLANTIO BOIS – O médico veterinário Adriano Regiane Pereira, do Detec da Coamo, que também palestrou na estação, observa que de início o sistema causa um certo receio no produtor que só produz grãos. Nada mais normal, segundo ele, pois o fato de colocar bois em cima de uma área de plantio assusta mesmo o produtor de grãos, mas para tudo tem uma explicação. O primeiro pensamento que vem a cabeça do produtor, explica Adriano, é que ele pode ganhar produtividade com o boi, mas perder com a lavoura. “Ledo engano”, afirma o veterinário. “Esses vários anos de integração lavoura-pecuária vem nos mostrando o contrário. Se bem manejado o sistema se completa e ganha-se de todos os lados, seja com o boi de corte, a vaca de leite ou com a lavoura”, certifica Pereira, lembrando que além de agregar resultados positivos com a produção da bovinocultura ainda existe um incremento na produtividade das lavouras.