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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 392 | Março de 2010 | Campo Mourão - Paraná

Diversificação

Mais dinheiro na fazenda

Associado de Caarapó, no Sul do Mato Grosso do Sul, otimiza estrutura da propriedade ampliando atividades. Além das lavouras, ele investe na pecuária especializada, na piscicultura e na produção de cachaça artesanal

Agrônomo por formação, o associado Guaraci Bosquilia Júnior, de Caarapó, no Sul do Mato Grosso do Sul, é produtor rural por vocação. Na contramão do caminho trilhado pela maioria dos agricultores daquela região, ele decidiu investir na diversificação de atividades. Ao buscar novos nichos de mercado, o produtor encontrou na pecuária especializada, em sistema de integração com a agricultura; na piscicultura e na produção de cachaça artesanal uma forma de ampliar a rentabilidade da propriedade e, de certa forma, promover satisfação pessoal, diante do fato de incorporar mais vida à propriedade.

O projeto de diversificação foi iniciado há seis anos, quando o produtor, que trabalhava apenas com a pecuária extensiva, resolveu investir, também, na produção de grãos, como a soja e o milho. “Tomei essa decisão, também, para corrigir problemas de degradação das pastagens e oferecer maior suporte para a lotação dos animais na área”, explica Bosquilia. “Ambas as atividades saíram ganhando com a exploração integrada. A lavoura rende mais e o re-banho é bem maior do que quando era mantida apenas pecuária ex-tensiva”, comemora o cooperado, que hoje trabalha com aproximadamente 160 cabeças da raça nelore padrão e touros Puros de Origem (P.O.).

Dois anos depois de iniciar a diversificação, Bosquilia resolveu levar a ideia mais adiante. “Eu tenho esse espírito de buscar alternativas de diversificação. Aprendi isso com meus pais, que sempre gostaram de muita diversidade na propriedade. Diante tantos desafios e dificuldades com clima, preços e mercado com a produção de grãos resolvi buscar um maior equilíbrio e segurança para minha atividade”, explica Bosquilia. De olho na meta pessoal de otimização ainda mais os resultados da fazenda, o associado passou a explorar, também, a piscicultura de cativeiro e a produção de cachaça artesanal. O que para os padrões da maioria dos agricultores sulmatogrosenses não é muito comum, já que as principais atividades são a criação de gado de corte e a produção de soja e milho.

MÃO-DE-OBRA – O cooperado acredita que a diversificação pode tornar a sua atividade menos arriscada. Uma forma, segundo ele, de não somente aumentar a lucratividade do seu negócio, mas de também aproveitar a farta mão-de-obra que possuiu, já que, atualmente cerca de 15 famílias trabalham com o produtor, que se preocupa com o futuro dessas pessoas. “Tenho uma boa disponibilidade de pessoal aqui na propriedade que na entressafra acaba sendo muito bem aproveitada. Nesse período desloco a equipe para o manejo do peixe, do gado e a produção da cachaça”, observa o cooperado, que cultiva cerca de 1,2 mil alqueires de lavouras.

Na análise do agrônomo José Carlos de Andrade, responsável pelo Detec da Coamo em Caarapó, o esquema de trabalho desenvolvido por Bosquilia é um ótimo exemplo para os produtores daquela região. “A diversificação é viável em qualquer tamanho de propriedade. Representa uma segurança a mais. Uma forma de não ficar refém de uma única atividade na fazenda”, elogia.

Peixe em gaiolas

A criação de peixes em cativeiro foi adotada depois que o associado percebeu que podia aproveitar melhor o potencial hídrico da represa que corta os fundos da fazenda e o clima favorável para a piscicultura. Bosquilia também enxergou uma oportunidade de entrar em um mercado que, no seu ponto de vista, está e plena expansão. “Realmente, o peixe é um alimento saboroso, saudável e tem uma perspectiva bem promissora”, diz.

ESCALA E DESPESCA – O início da nova atividade, segundo ele, não foi fácil. Foram muitos os tropeços na busca por informação. E vários treinamentos para poder produzir de forma escalonada e ter uma despesca regular, como já está acontecendo. “Hoje posso dizer que estou no caminho certo”, comemora o cooperado, que tem grande preocupação em oferecer um produto de qualidade, trabalhando com alevinos de alta qualidade e com genética diferenciada.

FOCO NA TILÁPIA – A produção é concentrada na tilápia. No entanto, o produtor também está experimentando outras espécies, como o pintado e pacú. O detalhe é que os peixes são criados em gaiolas submersas de seis metros cúbicos cada, ligadas a cabos de aço. São 50 delas espalhadas pela represa. As de tilápia abrigam, em média, 750 peixes; enquanto que as de pintado abrigam cerca de 300. “Esse sistema é mais eficiente, na comparação com os açudes. As gaiolas favorecem o trato dos peixes, porque concentra o fornecimento da ração. Assim, não se perde a comida e nem o peixe”, destaca Busquilia. O produtor revela, ainda, que no sistema de gaiolas a produção é mais precoce e há uma padronização no tamanho, facilitando a comercialização. Na média, segundo o associado, exemplificando a produção de tilápias, cada peixe é terminado com um tamanho entre 20 a 30 centímetros, num período de cerca de nove meses em que permanece submerso, e com peso entre 1,5 a 2,5 quilos. A produção média anual é de 25 toneladas.

VENDA DIRETA – Um dos diferenciais de Bosquilia é a venda direta ao consumidor. Ele já tem os clientes certos. E prepara o peixe do jeito que cliente quiser. Inclusive, o produtor está montando uma estrutura para fazer filetagem da tilápia. “É um peixe diferenciado. Dá para sentir até no gosto, bem mais leve que os criados em um sistema comum”, afirma Andrade.

Viva, a tilápia é vendida a um preço de R$ 5,00 o quilo, enquanto que o pintado, nas mesmas condições, é vendido a R$ 10,00 o quilo. A lucratividade do negócio é de 60%, conforme contabiliza o produtor.

Cachaça tipo exportação

Outro produto que foi incorporado ao dia-a-dia de trabalho na propriedade de Bosquilia é a cachaça. O produtor vem apostando na atividade de olho, principalmente, na exportação da bebida. Ele mantém, na fazenda, uma área de 1,5 hectare de cana-de-açúcar, destinada, exclusivamente, à alimentação do engenho, que funciona durante quatro meses do ano.

O engenho da família – uma estrutura de madeira e movido à roda d’água, que estava praticamente parado, passou por ajustes e, há um ano, vem produzindo cachaça em escala. No ano passado, por exemplo, a produção chegou a seis mil litros da bebida. Mas a expectativa de Bosquilia é ampliar para 10 mil litros a produção média anual. “Por enquanto, a produção está armazenada, aguardando a liberação ambiental para ser engarrafada e comercializada”, explica o cooperado. A bebida está guardada em cerca de 30 tonéis de carvalho, onde está em processo de envelhecimento. “O monitoramento e as medições de destilação são constantes, visando garantir ao produto um aroma e sabor especial”, revela.

MERCADO EXTERNO – A meta do cooperado Guaraci Bosquilia é produzir para o mercado externo. Pensando nisso, ele contratou uma equipe de consultores de Minas Gerais para garantir que a produção da cachaça seja enquadrada aos padrões e parâmetros de análise química internacionais.