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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 392 | Março de 2010 | Campo Mourão - Paraná

Manejo da Buva

Atenção dobrada no controle da buva

Planta daninha resistente ao glifosato se espalhou rapidamente pelas regiões produtoras e vem tirando o sono dos agricultores

Pelo quarto ano consecutivo a buva (planta daninha resistente ao glifosato) mereceu destaque no Encontro de Cooperados da Coamo. Na 22ª edição do evento, duas estações foram montadas para abordar o tema, que insiste em tirar o sono do produtor rural, principalmente dos que ainda não se deram conta do alto grau de competitividade que a erva oferece as lavouras, em especial a soja, derrubando significativamente a produtividade da oleaginosa.

Os técnicos da Coamo lembram que a buva apareceu inicialmente pela região Oeste do Paraná, de onde rapidamente se disseminou, e hoje, já está presente em grande parte do Paraná, além dos estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia e Maranhão.

O agrônomo Nilton Cesar Cavalheri, do Detec da Coamo em Peabiru (Centro-Oeste do Paraná) disse que a preocupação em torno da resistência da planta daninha é muito grande, por conta da sua enorme capacidade de competição. “A Coamo está muito preocupada, pois o controle da buva é muito difícil dependendo do seu estado de desenvolvimento. Várias ações já foram desenvolvidas, inclusive o treinamento de todo o nosso Detec, para melhor orientar o cooperado a lidar com o problema”, explica Cavalheri, recomendando que a erva não pode deve de 15 centímetros de altura para que o controle tenha eficiência, o que preferencialmente deve ser feito logo após a colheita do milho safrinha. Outra orientação do agrônomo é manter o solo sempre com uma boa cobertura. No entanto, ele lembra que mesmo em lavouras de trigo e até aveia a buva já começa a aparecer.

CONTROLE QUÍMICO – O manejo cultural, de acordo com o agrônomo Lucas Silas Moreira, do Detec da Coamo em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), ainda é a melhor maneira de controlar a buva. A eficiência desse controle, explica, varia de acordo como solo é coberto no período de entressafra. “É esse fator que vai implicar em uma maior ou menor facilidade de controle”, alerta o agrônomo, revelando que desde a safra passada houve um aumento de 54% da área de buva resistente, somente no Paraná, enquanto que no Brasil, 37% da área de soja que contém buva resistente está no Estado. Um problema, conforme ele, que tomou enormes proporções apesar de toda preocupação da pesquisa e da própria Coamo. “Acredito que a descrença do produtor acabou contribuindo com essa situação.

Além do manejo cultural, o controle químico é outra opção para conter o avanço da buva. “Uma medida mais drástica, mas que também pode resultar em um bom nível de controle, desde que feito de forma correta e na época recomendada”, alerta Moreira, informando que o controle deve ser feito antes da semeadura da safra de verão, uma vez que depois disso, a dificuldade em barrar o crescimento da planta é muito maior.

Para pesquisador da Embrapa Soja, buva sempre existiu

Fernando Adegas, pesquisador da área de Manejo de Plantas Daninhas da Embrapa Soja, esteve presente no evento e lembrou que a buva é uma planta da entressafra e sempre esteve presente nas lavouras do Paraná, contudo, nos últimos anos ela se disseminou assustadoramente. “É uma planta que produz muita semente que é facilmente levada pelo vento, por isso existe uma grande dispersão. O potencial de produção de sementes dela é muito alto e ela vem se adaptando as nossas condições de fazer lavoura, principalmente na dobradinha soja e milho safrinha e, quando o produtor não dá muito importância esse problema se agrava. Esses e outros fatores tem sido determinantes para o aumento dessa planta daninha aqui no estado do Paraná”, explica Adegas, orientando que a melhor forma é prevenir, evitar que a erva entre na propriedade. “Mas não adianta somente eu me cuidar. O vizinho também precisa fazer a parte dele ou não vai adiantar. Tem que tomar muito cuidado também com estradas e carreadores sujos de buva e se possível fazer uma ótima cobertura de solo, principalmente com trigo e aveia no inverno, que são culturas que seguram mais a erva porque o solo fica mais fechado”, sugere.

Adegas lembra ainda que além de ser difícil de controlar a buva, depois que ela toma conta da área o custo para combata-la é alto e acaba onerando ainda mais o produtor.

PERDAS – Os prejuízos agregados pela presença de buva na lavoura também foram destacados pelo pesquisador na estação. Segundo ele as perdas são muito significativas, uma vez que a simples presença de uma a três plantas de buva na área de soja, por exemplo, pode causar a perda de até 10% da produtividade da lavoura e, na medida em que essa infestação aumenta as perdas são bem maiores.

Na análise de Fernando Adegas a resistência de plantas daninhas sempre será um problema para a agricultura, principalmente se os produtores não adotarem medidas de prevenção e controle que impeçam o avanço dessas ervas. Como por exemplo, a simples troca ou rotação de herbicidas com mecanismos e ação diferenciados e a rotação de culturas, que também é um uma importante ferramenta nesse manejo.

Momento Coamo 40 anos

Parte da hisória da cooperativa contada por meio de recortes da evolução técnico-agronômica dos associados nas últimas quatro décadas