Site Coamo
Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 392 | Março de 2010 | Campo Mourão - Paraná

Manejo da cultura

MIP ampara resultados em Ivaiporã e Faxinal

Tecnologia reduz custo com a aplicação de inseticidas sem diminuir a produtividade das culturas, além de colaborar para a preservação ambiental

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é uma tecnologia que vem fazendo diferença no dia-a-dia de trabalho no campo. Em Ivaiporã e Faxinal, ambos no Centro-Norte do Paraná, os associados Altamir Baggio e Antonio Miranda Cassinelli são bons exemplo de que a adoção do MIP pode representar um bom resultado no final da safra. Os dois, orientados pela assistência técnica da Coamo, são adeptos da tecnologia como forma de ampliar a eficiência da ação dos inimigos naturais nas lavouras, diante do monitoramento das áreas durante a safra. Com isso, eles acabam reduzindo o custo com a aplicação de inseticidas, sem diminuir a produtividade das culturas e colaborando para a preservação do meio ambiente.

BOM INÍCIO – No caso de Baggio, a prática ainda é uma novidade. Foi adotada em 16 dos 70 alqueires cultivados por ele com a soja nessa safra. A redução no custo com a aplicação de inseticidas, segundo apontou o próprio associado, foi de 50%. “Um volume considerável de produto que deixou de ser lançado no ambiente, simplesmente porque não houve necessidade”, admite Baggio. No talhão monitorado pelo MIP, o produtor fechou a safra com uma produtividade média de 172 sacas por alqueire. “Valeu a pena, pois diante da redução do custo com os defensivos vou ter um lucro direto maior, sem considerar os benefícios ambientais. Vou ampliar a área de monitoramento no ano que vem”, afirma.

Em toda a área de soja, Baggio contabilizou uma produtividade média de 159 sacas em cada alqueire cultivado. Resultado que trouxe muita satisfação ao cooperado, já que foi a melhor safra colhida por ele nos últimos cinco anos. “Esse resultado é fruto das informações que recebemos diariamente e, principalmente, dos investimentos na melhoria do sis-tema de produção”, conclui.

11 ANOS DE MIP – Na propriedade de Cassinelli o MIP é adotado há 11 anos. Durante esse período, ele simplesmente deixou de aplicar inseticida para controle do percevejo. Na fase de desenvolvimento da lavoura, o produtor monitora a área de três a quatro vezes por semana. “Fico de olho no nível de infestação. Conto a quantidade de insetos por metro linear para verificar a necessidade de aplicação. Felizmente, não precisei entrar aplicando veneno para percevejos nessa última década”, comemora Cassinelli, demonstrando uma boa consciência ecológica. Ele diz que na soja que será destinada à indústria, o nível máximo de infestação é de dois percevejos por metro linear. Em lavouras de sementes, esse nível é reduzido pela metade.

A atitude do associado não prejudica o rendimento da lavoura. Pelo contrário. As produtividades médias da sua propriedade têm se mantido estáveis nos últimos a-nos. Nessa safra, por exemplo, a colheita da soja de Cassinelli rendeu 130 sacas em cada um dos 55 alqueires cultivados no sítio.

“O segredo é o olho do dono”, brinca Cassinelli. O produtor diz que também está preparado para o caso de ter que aplicar produto químico no controle do percevejo. “É uma ação consciente. Não posso deixar a infestação prejudicar a minha lavoura”, orienta. E dá uma dica: “o controle do percevejo começa no controle da lagarta; ao usar produtos químicos agressivos para controlar a lagarta, o produtor elimina os inimigos naturais das lagartas e dos percevejos, presentes na lavoura. Então, eu procuro fazer o controle da lagarta o quanto antes e sempre com produtos fisiológicos. Isso, certamente, interfere no meu resultado lá na frente”, destaca Cassinelli, acrescentando que também não aplica produto químico para o controle do pulgão no trigo.