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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 392 | Março de 2010 | Campo Mourão - Paraná

Manejo de doenças e híbridos de milho

Fungicida no milho

Cereal teve cultivo intensificado nos últimos anos, aumentando a quantidade de doença que podem reduzir produtividade e rentabilidade da cultura

A cultura do milho também tem lugar destaque entre os assuntos apresentados no Encontro da Fa-zenda Experimental Coamo anual-mente. Importante economicamente e, sobretudo, para o sistema de produção da propriedade, o cereal necessita de alta tecnologia e responde bem aos investimentos dos produtores.

Nesse ano, duas estações foram dedicadas ao milho no evento. Uma delas, que teve a presença da doutora Elizabeth de Oliveira Sabato, pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisas de Milho e Sorgo, da Embrapa, abordou o manejo em doenças da cultura, apontando o uso de fungicidas como uma boa alternativa para conter as doenças que estão atingido as lavouras. O agrônomo Luiz Cezar Voytena, do Detec da Coamo em Campo Mourão, explicou que nos últimos anos a produção de milho tem se intensificado, fazendo com que a cultura esteja presente no campo praticamente o ano todo, o que causa o aumento da quantidade de doenças. “É muito difícil desenvolver híbridos totalmente resistentes às doenças. Por isso, a saída e utilizar métodos que, pelo menos, reduzam o potencial de estragos que essas doenças causam. E uma das alternativas é a utilização de fungicidas, que está se tornando bem comum nos dias de hoje”, informa Voytena, lembrando que há cerca de quatro ou cinco anos atrás não se falava nesse assunto.

O agrônomo alerta que os prejuízos causados pelas doenças em milho podem ser muito significativos. Segundo ele, dependendo da época em que a cultura for implantada e também do tipo de doença que acometer a lavoura, a perda de produtividade pode chegar a 70% do potencial produtivo.

PIOR NA SAFRINHA – Voytena revela que, na safrinha, as doenças de milho atacam mais ainda, em razão de não ser a época mais recomendada para a implantação da cultura. “No entanto, se no verão eu tiver uma perda por doença, o prejuízo pode ser acentuado da mesma forma, porque vou produzir mais e por conta disso posso perder mais em quantidade de sacas por alqueire”, compara ele, analisando que no final a perda por doença é sempre prejudicial, tanto no verão quanto na safrinha.

Conforme Voytena, o produtor precisa inserir já no seu planeja-mento da lavoura, entre outros insumos, também as aplicações fungicidas necessárias para o híbrido escolhido.

Outra questão abordada pelo agrônomo é a climatológica, que, dependendo da região, pode favorecer mais ou menos o aparecimento de doenças na cultura do milho. Como a cultura depende muito da altitude, esse fator pode ser determinante e interferir ou não no surgimento das doenças, deixando a cultura mais susceptível. “Por isso, antes de plantar é muito importantes consultar o técnico que assiste a propriedade antes de tomar as decisões sobre as implantações das culturas”, orienta.

CUSTO/BENEFÍCIO – De acordo com o agrônomo da Coamo, o tratamento com fungicida para conter as doenças do milho é realmente compensador. O custo médio do tratamento, segundo ele, gira de 10 a 12 sacas por alqueire dependo do preço do dia. “O valor que representa essa produção é bem menor se comprado, por exemplo, a uma perda de 30% da lavoura no caso da instalação da doença. Essa perda significaria um prejuízo de mais de 100 sacas por alqueire, na produtividade final da cultura”, completa.

Híbridos para o verão e o inverno

Fernando Adegas, pesquisador da área de Manejo de Plantas Daninhas da Embrapa Soja, esteve presente no evento e lembrou que a buva é uma planta da entressafra e sempre esteve presente nas lavouras do Paraná, contudo, nos últimos anos ela se disseminou assustadoramente. “É uma planta que produz muita semente que é facilmente levada pelo vento, por isso existe uma grande dispersão. O potencial de produção de sementes dela é muito alto e ela vem se adaptando as nossas condições de fazer lavoura, principalmente na dobradinha soja e milho safrinha e, quando o produtor não dá muito importância esse problema se agrava. Esses e outros fatores tem sido determinantes para o aumento dessa planta daninha aqui no estado do Paraná”, explica Adegas, orientando que a melhor forma é prevenir, evitar que a erva entre na propriedade. “Mas não adianta somente eu me cuidar. O vizinho também precisa fazer a parte dele ou não vai adiantar. Tem que tomar muito cuidado também com estradas e carreadores sujos de buva e se possível fazer uma ótima cobertura de solo, principalmente com trigo e aveia no inverno, que são culturas que seguram mais a erva porque o solo fica mais fechado”, sugere.

Adegas lembra ainda que além de ser difícil de controlar a buva, depois que ela toma conta da área o custo para combata-la é alto e acaba onerando ainda mais o produtor.

PERDAS – Os prejuízos agregados pela presença de buva na lavoura também foram destacados pelo pesquisador na estação. Segundo ele as perdas são muito significativas, uma vez que a simples presença de uma a três plantas de buva na área de soja, por exemplo, pode causar a perda de até 10% da produtividade da lavoura e, na medida em que essa infestação aumenta as perdas são bem maiores.

Na análise de Fernando Adegas a resistência de plantas daninhas sempre será um problema para a agricultura, principalmente se os produtores não adotarem medidas de prevenção e controle que impeçam o avanço dessas ervas. Como por exemplo, a simples troca ou rotação de herbicidas com mecanismos e ação diferenciados e a rotação de culturas, que também é um uma importante ferramenta nesse manejo.