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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 392 | Março de 2010 | Campo Mourão - Paraná

Manejo da ferrugem da soja

Soja “inoxidável”

Outra estação com soja testa cultivar que possui gene de resistência à ferrugem e que flexibiliza a janela de aplicação do fungicida

Uma nova ferramenta vem sendo testada no campo para o controle da ferrugem asiática da soja, uma das mais agressivas e devastadoras doenças que atacam a cultura. A partir de programas de melhoramentos, utilizando a genética clássica, a pesquisa criou uma nova cultivar, cujo nome comercial “Inox” é bem sugestivo. O material possui um gene de resistência a ferrugem capaz de flexibilizar a janela de aplicação do fungicida para o controle da doença.

EVOLUÇÃO MAIS LENTA – A variedade foi apresentada em primeira mão aos cooperados da Coamo, durante o 22º Encontro da Fazenda Experimental da Coamo. Uma estação foi montada no evento para avaliar o comporta-mento do material comparativa-mente com outras cultivares suceptíveis à doença. “Testamos a Inox em diversos situações para validar ou não essa tecnologia”, lembra o agrônomo Luiz Carlos de Castro, do Detec da Coamo em Campo Mourão, que coordenou os trabalhos na estação. Ele considera que os resultados preliminares foram positivos. “É possível perceber que na Inox a explosão da doença é menor ou o processo de evolução da ferrugem é mais lento. Essa informação já nos permite inferir que o produtor, pode-ria, em tese, até reduzir aplicações de fungicida para o controle da ferrugem”, avalia Castro.

Na comparação feita no ensaio conduzido pela unidade demonstrativa da Coamo, diante do clima favorável para o desenvolvimento da doença, como foi a última safra, na cultivar suceptível, em dez dias, a doença saiu de 8% a 9% de incidência de ferrugem nas folhas do baixeiro para 100% de incidência. Já a variedade com a tecnologia Inox, que estava em 4% a 5%, nos mesmos dez dias, evoluiu para 30% de incidência, nas mesmas condições de clima.

“No entanto, a Inox não dispensa totalmente a aplicação de fungicidas. Ela oferece mais margem de segurança para o produtor, com relação a momento de aplicação” acrescenta o fitopatologista e professor Dauri José Tessmann, da Faculdade de Agronomia da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Ele explica que a variedade já está sendo cultivada no cerrado brasileiro. “Diante dos resultados gerados aqui na fazenda experimental da Coamo iremos posicionar as orientações para as próximas safras”, argumenta. O ensaio, conforme explica o pesquisador, compara variedades em diferentes momentos e número de aplicações de fungicidas.

DEMAIS DOENÇAS – Eficiente contra a ferrugem, a cultivar Inox não possui genes de resistência às outras doenças da soja. “Não significa que o produtor não precise controlar mais as doenças ou que não precise fazer mais aplicações de fungicidas. A variedade possui gene de resistência à ferrugem. As demais doenças da soja devem ser controladas, tanto com a Inox quanto com outra cultivar”, esclarece Castro.

Quanto a ferrugem, o professor Dauri Tessmann lembra que a doença tem uma dinâmica própria a cada safra. “A chuva é o ponto de partida. Ela favorece o molha-mento foliar, que é fundamental para o fungo germinar e, diante da redução da temperatura, ajuda na dispersão dos esporos”, explica. A doença, segundo Tessmann, ainda é considerada a principal na cultura da soja, porque acrescenta mais custo e risco à atividade. “No entanto, existem outra doenças importantes da soja que, dependendo da região e do ano, podem causar grandes danos. Por isso, é sempre bom ficar de olhos bem abertos”, conclui o pesquisador.

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