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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 392 | Março de 2010 | Campo Mourão - Paraná

Variedades de Soja

As novas preferências do campo

Obtentores direcionam variedades transgênicas, que permitam plantios mais cedo e que sejam resistentes ao acamamento

As cultivares que permitem plantios mais cedo, que tenham resistência ao acamamento e que sejam transgênicas vem causando boa impressão entre os produtores rurais. O agrônomo João Batista da Silveira Luiz, do Laboratório de Análise e Produção de Sementes da Coamo, avalia de forma positiva as novas preferências do campo. Silveira Luiz, que esteve no 22º Encontro de Cooperados na Fazenda Experimental da Coamo, diz que o direcionamento das cultivares de soja para essas condições atende as demandas do agricultor, na maioria das regiões produtoras. “Isso acontece porque os materiais que possuem essas características facilitam a condução da lavoura, favorecem o cultivo do milho safrinha no pós-soja e reduzem o tempo gasto com aplicações e, consequentemente, o custo de produção”, enumera.

O agrônomo da Coamo aponta, ainda, como positivo entre as novidades do mercado, as cultivares que possuem hábito de crescimento indeterminado, que, por terem menor área foliar, facilitam as operações de aplicações de defensivos tratorizadas e a própria colheita. “Nessa linha de facilidades, as precoces (graus de maturação entre 5.0 e 6.5) são campeãs. Ficam menos tempo no campo e podem sofrer menos com o ataque de doenças como a ferrugem, além de permitir que o produtor opte pela segunda safra de milho, no inverno”, destaca. Já as transgênicas, segundo o técnico, proporcionam uma redução no custo de produção dos agricultores, além de garantir uma produtividade equivalente aos materiais convencionais.

“Nessa questão dos transgênicos, inclusive, penso que é uma tecnologia que avançou bastante nas últimas safras. Quando eles surgiram, não apresentavam o mesmo rendimento que os convencionais. Hoje essa condição mudou, para melhor”, destaca Silveira Luiz. O técnico anuncia que os novos materiais genetica-mente modificados que futura-mente serão disponibilizados aos agricultores terão resistência a mais de um evento. “A resistência a lagartas também será incorporada aos materiais transgênicos, a exemplo do que já acontece no milho”, sinaliza.

VITRINE TECNOLÓGICA – A oportunidade do produtor rural formar opinião e trocar experiências é a grande vantagem dos dias de campo, na opinião do pesquisador da área de Desenvolvimento de Cultivares da Fundação Meridional, parceira da Embrapa Soja, Fernando Gomide. “Em especial esse evento da Coamo, que tem como objetivo antecipar as novidades que estão chegando no mercado”, revela, anunciando que o encontro faz uma ponte entre a pesquisa e os produtores rurais. “É beber diretamente da fonte”, admite.

Além de enfatizar as características das cultivares apresentadas na estação, o pesquisador também chamou a atenção para o cuidado em repassar uma informação correta sobre os materiais, principalmente sobre a época de semeadura mais adequada para cada região, alertando para os riscos de uma semeadura muito antecipada. “Nem sempre o clima é favorável durante a safra. Nesse caso, é melhor prevenir do que remediar”, orienta Gomide, considerando que “esse é o papel da pesquisa: trazer novos modelos de produção sem se esquecer do que já está posto no campo”.

NOVIDADES – Nas duas estações demonstrativas de variedades de soja foram apresentadas cultivares das seguintes parceiras: Coodetec, Embrapa/Fundação Meridional, Brasmax, FT Se-mentes, TMG, Nidera e Syngenta. Do total de 37 variedades demonstradas, 26 são geneticamente modificadas e 11 convencionais. Dez dessas cultivares são novidades no mercado e foram apresentadas pela primeira vez aos cooperados da Coamo, sendo indicadas para o cultivo da nova safra, ampliando o leque de opções para o plantio na região da Coamo.

Resistência a ferrugem, lagartas e à seca são desafios da pesquisa

Num momento em que a concorrência em torno do lançamento de novas variedades de soja se acentua, o produtor é quem acaba ganhando. O agrônomo José Marcelo Rúbio, do Detec da Coamo em Mamborê, na região Centro-Oeste do Paraná, que coordenou, no Encontro de Cooperados da Coamo, a demonstração das variedades de soja da Coodetec, Brasmax e TMG, observa que quanto mais variedades melhor para o sojicultor. “As opções são as mais variadas possíveis, para todo tipo de solo, altitude e clima, entre outras características. Para o produtor isso é ótimo, porque uma ou outra dessas variedades, certamente vai atender a necessidade dele”, argumenta.

NOVIDADES – O pesquisador Dorival Vicente, da área de Melhoramento de Soja da Coodetec, disse que neste ano a cooperativa de pesquisa levou para o encontro o que há de melhor no mercado. “Trouxemos as últimas tecnologias ligadas à oleaginosa que vai contribuir muito na rentabilidade do produtor. Mostramos um gama de variedades com tolerância a nematóides de galha, que certamente trará mais segurança ao produtor. Temos também outras tecnologias agregadas a essas cultivares. Neste ano estamos falando de uma soja que tem característica de degradar herbicidas. Ela foi adicionada na soja RR e vai possibilitar ao agricultor usar herbicidas de uma forma que vai facilitar, por exemplo, no controle da buva no manejo de dessecação da soja, além de manter os custos de produção do agricultor”, revela Vicente, informando que para próxima safra a variedade já terá semente disponível no mercado.

DESAFIOS – Conforme o pesquisador, o Brasil já tem tecnologia disponível para competir com americanos e argentinos, por exemplo, e no momento o grande desafio e em breve lançar no mercado cultivares tolerantes a ferrugem, lagartas e também à seca.

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