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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 412 | Março de 2012 | Campo Mourão - Paraná

Encontro na Fazenda Experimental

Disseminando informações

São seis dias de trabalho com um só objetivo: oportunizar a reciclagem de informações, visando o planejamento de cultivo no campo

A cada ano, a cena se repete. Milhares de produtores associados à Coamo se reúnem no Encontro de Cooperados na Fazenda Experimental da cooperativa, em Campo Mourão. A 24ª edição do evento ocorreu de 8 a 16 de fevereiro, com a presença de cerca de quatro mil cooperados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Foram seis dias de trabalho com um só objetivo: oportunizar a reciclagem de informações, visando o planejamento de cultivo no campo.

"Este é um encontro voltado para as necessidades dos cooperados e tem o apoio das principais entidades de pesquisa públicas e privadas do país", destaca o diretor-presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini. Ele diz que o encontro é determinante para o sucesso dos cooperados na condução de suas atividades agrícolas. "É um evento muito importante para a cooperativa. Todos os anos trazemos os cooperados para conhecerem o que há de novo no setor produtivo rural. Quem participa sai na frente e pode aumenta suas produtividades", considera.

Gallassini explica que os resultados de pesquisa gerados dentro da Fazenda Experimental da Coamo contribuíram para a mudança de conceitos na condução das atividades do campo. "Um bom exemplo são os ensaios de rotação de culturas, iniciados há mais de 25 anos na Fazenda Experimental, numa parceria com a Embrapa Soja. A pesquisa é a mais antiga do Brasil nesse tema e estabeleceu a importância da rotação como prática conservacionista. Os resultados contribuíram, inclusive, para a fixação do sistema de plantio direto, por meio de uma exploração do solo de forma economicamente racional e ambientalmente sustentável", valoriza.

OPORTUNIDADE - Para o superintendente técnico da Coamo, José Varago, só o fato de poder participar do encontro já torna o cooperado da Coamo especial e diferenciado dos demais agricultores. "É a oportunidade que ele [o cooperado] tem de conhecer novas tecnologias", pondera.

O engenheiro agrônomo Joaquim Mariano Costa, responsável pela Fazenda Experimental da Coamo e coordenador do encontro, destaca que os resultados gerados dentro da fazenda da cooperativa têm sido decisivos para o aumento da produtividade e renda entre os associados. "São informações que chegam até os associados em primeira mão, garantindo que os nossos produtores estejam sempre um passo a frente dos demais. E isso faz diferença", comemora Costa, lembrando que a Fazenda Experimental comemora 37 anos de instalação e que o evento a transforma em um grande laboratório a céu aberto. "Essa interação faz com que o caminho da informação seja mais eficaz, e chega mais rápido ao campo", destaca.

Vitrine tecnológica da soja

Técnicos e pesquisadores mostraram que as variedades estão cada vez mais especializadas

Principal fonte de renda da maioria das propriedades assistidas pela assistência técnica da Coamo, a soja é tema que não pode faltar no Encontro da Fazenda Experimental. E neste ano não foi diferente. Técnicos da Coamo e pesquisadores mostraram no campo que as variedades de soja estão cada vez mais especializadas, passando a ser trabalhadas para diversos segmentos e propostas da cadeia produtiva.

Considerada uma verdadeira vitrine de tecnologia pelos cooperados, as estações chamaram a atenção dos agricultores por apresentarem as novidades em cultivares revelando as principais características dos materiais que já estão no mercado e de outros que ainda são novidades.

O agrônomo José Marcelo Rubio, encarregado do Detec da Coamo em Mamborê (Centro-Oeste do Paraná), responsável por uma das estações, comenta que as novidades deste ano foram focadas em variedades que buscam o aumento de produtividade. "Esse é sempre o primeiro critério que define a escolha de uma variedade", confirma Rubio. Também foram mostrados materiais com resistência a acamamento e até com melhor desempenho em periodo de estiagem.

Contudo, a grande novidade apresentada foi a Intacta R2 Pró, que além da resistência ao glifosato promete resistir a lagarta da soja. "É uma tecnologia que está chegando e deve revolucionar novamente o mercado de soja. Ainda depende de liberação da China para começar a reprodução de sementes no Brasil, e certamente será mais uma ferramenta para o produtor utilizar", diz o agrônomo.

Mix de controle em uma única tecnologia - Entre as lagartas que a Intacta promete controlar estão as Falsas Medideiras, Broca das Axilas e a própria lagarta da soja, além da lagarta da maçã que em algumas regiões do país também começou a atacar as lavouras. "Tem pragas que não tem controle ainda, como a lagarta Rosca e Spodptera", diz.

Milton Dalbosco, engenheiro agrônomo da área de transferência de tecnologia da Fundação Meridional, que em parceira com a Embrapa desenvolve as cultivares apresentadas no evento, esclarece que os materiais escolhidos para o encontro reúnem as mais diversas características, para serem plantas nas mais diversas regiões. Entre eles, cultivares com ciclo superprecoce, o que proporciona a liberação da área mais rápido para fazer uma segunda cultura; materiais para plantio antecipado entre final de setembro e início de outubro; materiais com bom comportamento para doenças como nematóides, que preocupa o produtor, e ainda matérias com ciclo prolongado, que proporciona ao produtor intercalar vários tipos de cultivares, trabalhando de forma equilibrada mesmo com adversidade climática. "São várias opções que trabalhamos. Procuramos dividir os riscos para dar mais segurança e tranquilidade ao produtor, que pode administrar ou fugir dos riscos climáticos", garante Dalbosco.

Foram apresentadas variedades de quatro empresas parceiras: Embrapa/Fundação Meridional; Coodetec; Syngenta e Monsoy.

Investimentos para aumentar produtividade

Outra estação que apresentou soja com diferentes ciclos e resistência a algumas ações foi coordenada pelo encarregado do Detec de Engenheiro Beltrão, Brasil dos Reis. De acordo com ele, são várias as opções de cultivares que podem ser plantadas mais cedo, outras com tolerância a ferrugem e as indicadas para as regiões mais frias ou mais quentes. "Cabe ao cooperado procurar o departamento técnico da Coamo para definir o que de melhor se encaixa na sua propriedade", orienta.

As opções de variedades têm influenciado para o acréscimo de produtividade, pois para cada situação exige uma que melhor se desenvolve. "Se o cooperado tem fertilidade alta de solo, ele vai procurar materiais com potenciais produtivos para realmente estourar de produção. Se for material mais resistente a ferrugem, a satisfação é em diminuir uma aplicação de defensivo em sua lavoura. Tem materiais para plantio mais cedo que viabiliza o milho safrinha. O interessante é que cada um planeje sua propriedade como um todo", assinala. Entre as variedades de ciclo precoce, Reis cita as de 105 e 110 dias. "É importante dizer que os materiais precoce não precisam ser plantados mais cedo. Tem que ser na época mais indicada para assim atingir todo o potencial produtivo", assinala.

O agrônomo observa que o cooperado que faz um bom planejamento consegue altos rendimentos com a safra de verão e também com a safrinha. "O planejamento é o melhor caminho. Não é porque o vizinho fez assim no ano passado e deu certo que o cooperado deve fazer. Com um bom trabalho é possível tirar toda a rentabilidade possível de uma propriedade." Na estação foram apresentadas variedades de soja da Brasmax, TMG, FT – Sementes e Nidera. "Cada material tem o seu potencial. Tem aqueles para quem vai plantar logo no início do zoneamento agrícola ou para quem vai plantar um pouco mais tarde."

Reis destaca que todas as variedades apresentadas tem alto potencial produtivo. "Antes se falava de soja de 80 a 90 sacas por alqueire. Hoje não se fala em menos de 130. Existem materiais ultrapassando 160 sacas com facilidade. Basta planejar e investir em tecnologia", comenta.

Eficiência no plantio

Variação na semeadura do milho acarreta em germinação dos grãos com fluxo diferente

Profundidade, velocidade da plantadeira, umidade do solo e espaçamento entre linhas. Esses fatores devem ser levados em conta na hora de plantar o milho. "Uma boa condução da lavoura começa com o plantio, que deve ser bem feito", comenta o engenheiro agrônomo do Detec de Campo Mourão, Breno Rovani.

De acordo com Rovani, coordendor da estação que tratou do espaçamento e arranjo populacional de plantio de milho no encontro de cooperados, a variação na semeadura do cereal acarreta em germinação das plantas em épocas diferentes. O primeiro problema é o ataque de pragas, como o percevejo "barriga verde", por exemplo, que tem preferência por plantas mais novas. "As primeiras plantas que nascem são atacadas e quando vão ficando mais velhas as pragas partem para as mais novas. Essa disponibilidade de alimentos faz com que haja um ataque por mais tempo", diz.

ESPAÇAMENTO – A oscilação no espaçamento usado para o plantio vai de 45 a 50 centímetros chegando a 75 ou 80 centímetros. Conforme o agrônomo, maior espaçamento entre linhas sempre foi o mais utilizado, porém nos últimos anos o menor espaçamento acabou surgindo como opção. "O objetivo principal da redução é aproveitar o mesmo espaçamento da plantadeira de soja. Ou seja, se planta milho sem mexer nos carrinhos da plantadeira. Isso traz comodidade na hora de se fazer a regulagem." Contudo, Rovani observa que o plantio com espaçamento maior não está errado. "São vários os trabalhos de pesquisa comparando os diferentes espaçamentos, e os resultados mostram que as produtividades são praticamente as mesmas", diz.

PROFUNDIDADE E VELOCIDADE – Outro ponto que deve ser levado em conta é a profundidade do plantio. Além de uma boa regulagem na plantadeira tem que ser observado a umidade do solo. O acumulo de barro nas rodas pode variar a profundidade da semente que está sendo colocada no solo. Velocidade acima do recomendado também influencia na má distribuição e causam falhas. "Se há erro na profundidade e na velocidade de plantio a lavoura terá germinação desuniforme. Um bom plantio de milho é o começo de tudo. As plantas têm que nascer uniforme e para isso o cooperado tem que buscar cada vez precisão no plantio", finaliza Rovani.

Palavra do pesquisador

O pesquisador doutor José Carlos Cruz, da Embrapa Milho e Sorgo, comenta que o agricultor tem que planejar bem o plantio para conseguir a densidade necessária. "Cada cultivar exige uma densidade própria. No espaçamento normal, que tinha 80 centímetros, foi ficando cada vez mais difícil colocar 70 ou 80 mil plantas. Em função disso, algumas experiências mostraram que poderia reduzir o espaçamento para 45 a 50 centímetros. O produtor tem alguns ganhos adicionais com isso, e talvez o maior e mais importante é o plantio da soja e do milho com o mesmo espaçamento. Além disso tem a vantagem de facilitar o controle de pragas, plantas daninhas e da erosão", comenta.

A redução no espaçamento depende muito das condições ambientais e do tipo de semente. De acordo com o pesquisador, geralmente, os melhores resultados são obtidos quando o produtor planta milho de maior potencial produtivo, que exige uma maior quantidade de semente por hectare. "É bom dizer que a redução do espaçamento não diminui o potencial produtivo. É uma situação em que na pior hipótese há um empate, e em condições mais favoráveis pode ter ganho", considera.

O cereal que não pode faltar na rotação

Estação também relembrou as mais modernas tecnologias disponíveis para o cultivo do milho

Manter o cooperado em alerta sobre a importância de rotacionar o sistema de produção com o milho; apresentar novos híbridos e sobretudo reforçar os benefícios que o cereal pode proporcionar quando bem manejado no campo. Esses foram os objetivos de uma das estações do Encontro dos Cooperados na Fazenda Experimental, que propôs alertar o produtor da necessidade de incluir o milho no sistema de rotação de culturas.

O agrônomo Juliano Rampazzo, encarregado do Detec da Coamo em Pitanga (Centro do Paraná), comandou a estação. Ele observa que lançar mão da rotação não traz apenas benefícios para o sistema, uma vez que quebra o ciclo de pragas e doenças, entre outras vantagens, mas também contribui para o incremento de produtividade e melhoria do solo.

"O produtor precisa buscar essa rotação tanto no verão como no inverno. O milho não pode faltar no sistema, mas é claro que não pode ser só ele também para não virar monocultura", alerta Rampazzo, informando que com a rotação os benefícios são perceptíveis a médio e curto prazo.

NOVIDADES - A estação também relembrou as mais modernas tecnologias disponíveis para o cultivo do milho, especilamente os Bt's, utilizados para o controle de lagartas na cultura e um novo hibrido RR, que estará disponível na próxima safra. "Nosso objetivo é também relembrar o produtor sobre alguns códigos e nomenclaturas das atuais tecnologias para que não haja confusão com tanta novidade, além de mostrar novos materiais", explica. Na estação foram apresentados 24 híbridos das parceiras Agroceres, Dekalb, Coodetec, Syngenta, Biogene e Pionner.

Preocupação com as pragas secundárias

Uma praga que vem atacando lavouras de soja e que tem causado preocupação tanto dos cooperados como dos técnicos da Coamo são os ácaros. Eles são considerados pragas secundárias e o ataque está relacionado principalmente com o fator clima, sendo os períodos de estiagens e de altas temperaturas o mais propício para a incidência. "O ácaro suga as seivas das folhas o que causa necrose e quedas das folhas em ataques severos", observa o engenheiro agrônomo do Detec de Campo Mourão, Ricardo Arruda Mendonça, responsável pela estação que abordou o manejo e controle químico de ácaros em soja.

No Brasil, existem seis espécies de ácaros e o mais comum na região é o verde, porém, o rajado é o que mais causa danos. Conforme o agrônomo não há um levantamento de perdas causados pela praga na região, mas institutos de pesquisa tem relatos de prejuízos de 4,5 sacas por hectare até 50% da produtividade.

O controle da praga, segundo o agrônomo, deve começar com o monitorando das lavouras. Ele explica que com uma lupa de pelo menos dez vezes de aumento é possível reconhecer as espécies. "A infestação do ácaro ocorre geralmente na floração e no enchimento de grãos. É esse o período que merece mais atenção dos cooperados, pois é quando pode haver explosão populacional da praga."

Um forma de controle dos ácaros é a forma natural, com outras pragas predadoras e também de fungos que os atacam. A chuva também é grande aliada do agricultor. "Em relação ao controle químico existem bons produtos", frisa.

A orientação é para que o cooperado procure assistência assistência técnica antes de qualquer aplicação de defensivos para não ter outros prejuízos. "Quando os danos aparecem, os ácaros já se foram. Então o mais indicado é monitorar o período vegetativo das plantas para fazer um controle correto."

Conforme Mendonça, o controle não é considerado fácil, pois o ataque ocorre na parte inferior das folhas e a praga tem ciclo rápido chegando de ovo até adulto em menos de dez dias. "Contudo, com um bom monitoramento, identificação da espécie e uso correto de defensivo é possível controle de até 95%."

Além do clima, a incidência de ataque pode ser causada pelo uso de inseticidas poucos seletivos, como é o caso dos Piretróides que causam dispersão da praga. "É um produto de baixa eficiência no controle dos ácaros e alta eficiência de controle dos inimigos naturais da praga", finaliza Mendonça.

Ácaros são considerados pragas secundárias e o ataque está relacionado principalmente com o fator clima

Evolução aliada ao passado

Do Manejo Integrado de Pragas à Agricultura de Precisão, o 24º Encontro de Cooperados trouxe tecnologias antigas e atuais, mas que se completam

A agricultura evoluiu e nos últimos anos tecnologias para aumentar as produtividades não param de surgir. E quando o assunto é evolução, a Agricultura de Precisão é a uma das técnicas mais avançadas. Contudo, com tamanho crescimento o produtor não pode esquecer que técnicas mais antigas também são eficazes e importantes para obter um alto rendimento, como por exemplo, o Manejo Integrado de Pragas (MIP). Diante desse cenário, o 24º Encontro de Cooperados da Fazenda Experimental da Coamo mostrou o quanto unir as duas tecnologias pode fazer a diferença.

O Manejo Integrado de Pragas e a Agricultura de Precisão foram dois dos assuntos abordados nas dez estações do encontro. Os cooperados participantes do evento tiveram informações teóricas e práticas sobre os temas, e um dos destaques foi para a união das duas técnicas.

Precisão e tecnologia na lavoura

A Agricultura de Precisão tem crescido e hoje o produtor precisa estar aberto e acreditar que é algo acessível e ao alcance de todos os agricultores. No Brasil essa é uma tecnologia que cresce gradativamente devido a necessidade de aumento de produtividade e racionalização no uso de fertilizantes corretivos, e por esta razão, esse foi um dos temas abordados no Encontro da Fazenda.

Essa tecnologia é mais um benefício para o produtor rural, sendo que compreende todo um sistema de gerenciamento de dados para se obter da melhor forma as informações para a tomada de decisões. "Nosso objetivo a cada dia é focar na produtividade, para que possamos investigar as causas de não estar alcançando-as e, assim, aumenta-lá.", explica o engenheiro agrônomo, Luiz Cláudio Bochanoski Martinho.

Ele coordenou a estação que abordou o tema e contou ainda com a presença de dois pesquisadores, doutores em fertilidade, Áureo Lantmann e Edson Feliciano. Eles afirmam que o programa é efetivo e o agricultor que adota a agricultura de precisão terá uma média maior de produtividade a cada safra, pois corrige o solo nos pontos necessários e reduz perdas.

Lantmann exemplifica esse aumento da produtividade quando fala da questão da adubação do solo. Ele esclarece que em culturas anuais, o maior custo é da adubação, sendo que, as vezes, chega a 40 % do orçamento. "O melhor investimento que o agricultor poderia fazer é a adoção da Agricultura de Precisão. Melhora a eficiência da interpretação que é dada à análise de solo, mediante o uso de GPS e de outras ferramentas de precisão e, consequentemente, possibilita utilizarmos corretivos com mais precisão", destaca.

Edson Feliciano ainda reforça que esse programa da Coamo dá condições para o agricultor aplicar o nutriente, elevar a fertilidade do solo em níveis adequados para cada condição e, consequentemente, aumentar as produtividades. "O objetivo é permitir que o agricultor tenha mais lucro por área", reforça.

FOCO – Martinho conta que o objetivo do programa é abranger tanto o grande quanto o pequeno produtor. "O intuito é de que todos os produtores tenham essa tecnologia nas mãos e possam ver onde precisam melhorar", destaca.

FUNCIONAMENTO – A primeira etapa para utilizar a Agricultura de Precisão é o rastreamento, por meio do levantamento dos solos e as necessidades de correções para atingir os níveis desejados, caso necessário.

A Agricultura de Precisão também é necessária no momento da colheita para o produtor fazer mapas do processo, onde ele conseguirá obter informações sobre a produtividade. A cada dois segundos é possível saber o quanto se está produzindo naquele local por meio do mapeamento via satélite. "É possível determinar na lavoura manchas de alta e de baixa produtividade e consegue intervir nelas de maneira diferenciada", esclarece Martinho.

Quanto a amostragem georeferenciada acontece com a utilização de um programa de computador onde é possível obter as amostras e fazer o controle do talhão desejado. "As amostras vão para um laboratório e as informações dos pontos amostrais georeferenciais somado aos resultados de análise de solo vão para um outro software para a elaboração de mapas de solo. Por meio desses, adotando critérios exclusivos Coamo, nós conseguimos obter mapas de correção com uma precisão melhor", explica o engenheiro agrônomo.

MIP: manejo de pragas que faz diferença

Com a evolução tecnológica que a agricultura passou nos últimos anos, muitos produtores deixaram de lado práticas antigas, porém, eficazes, como o Manejo Integrado de Pragas (MIP). Por este motivo, o Encontro na Fazenda deste ano lembrou aos produtores que é preciso se manter atualizado, mas sem deixar de lado esses métodos.

Para comprovar na prática a eficiência do MIP, o departamento técnico da Coamo realizou um trabalho em toda a área de ação da cooperativa na safra 2010/2011, nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Com os dados em mãos os técnicos da Coamo trouxeram ao encontro da fazenda a prova de que o manejo é uma solução para o produtor.

De acordo com a entomologista, doutora Beatriz Correa Ferreira, os resultados obtidos nesse trabalho, que a Coamo desenvolveu na safra passada conduzindo as lavouras com o MIP, foram positivos e com grande consistência. "Os resultados da pesquisa mostraram que nas áreas de manejo, além de não perder em produtividade e qualidade da soja, o produtor teve que aplicar menos defensivos do que na área em que não realizou o MIP. Reduz o impacto ambiental, os custos e o produtor ganha mais".

Muitos ainda acreditam que quando se fala em manejo significa não aplicar defensivos na lavoura. Contudo é preciso mudar essa ideia, segundo o supervisor do departamento Técnico, Luiz Carlos de Castro. "O manejo é fazer a aplicação com critérios técnicos, ou seja, saber o momento certo de cada ação", esclarece.

TEMPO CERTO - Castro explica que a hora certa da aplicação é o que faz a diferença e produtor não deve antecipar o controle de percevejos. Ele tem que fazer o controle na fase do enchimento do grãos. É nesse período que as populações de percevejos aumentam. Ele tem que realmente ter atenção e fazer o monitoramento e o controle", orienta.

PRAGAS - Outro aspecto destacado pelo supervisor técnico é a necessidade de tomar cuidado com os insetos, como se todos fossem praga. "Existem insetos que realmente prejudicam a lavoura e temos outros benéficos, que chamamos de inimigos naturais . Eles fazem o controle biológico. Por este motivo o produtor precisa conhecê-los e aplicar produtos seletivos para eles, pois eles fazem o controle biológico sem custo nenhum para o produtor, basta preservá-los".

PANO DE BATIDA – Um importante aliado do MIP é o pano de batida, uma ferramenta que permite ao produtor em um período muito curto obter uma boa avaliação da área e a quantidade na mão. Castro reforça que o pano de batida não deixou de ser eficiente com as novas tecnologias. "Sem o pano de batida, os insetos caem no chão e você os perde de vista. Então, o pano é uma ferramenta simples, barata e rápida", afirma o engenheiro agrônomo.

A entomologista doutora Beatriz Correa Ferreira também destaca a necessidade da utilização do pano de batida. "A base de todo programa é o monitoramento. Aí você consegue registrar se a população está crescendo ou não. E se há necessidade ou não de controle", conclui.

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Evolução tecnológica com sustentabilidade

Objetivo das estações que trataram de temas relacionados a transgenia foi de orientar e conscientizar os cooperados para que planejem cada safra

Diante de um setor que busca cada vez mais aumentar sua produtividade, a disponibilidade de novas tecnologias é fundamental. São várias as opções de mercado para quem quer manter a atividade agrícola rentável. O objetivo das estações que trataram de temas relacionados com a transgenia no Encontro de Cooperados da Fazenda Experimental da Coamo, foi de orientar e conscientizar os cooperados para que planejem cada safra. "Depois da soja convencional veio a transgenia RR e mais tarde outras tecnologias como a STS, por exemplo. São várias outras novidades que estão por vir, e a conscientização dos cooperados no sentido de se planejar é fundamental. Só com esse processo é que cada tecnologia terá seu potencial aproveitado", diz o encarregado do departamento técnico da Coamo de Peabiru, Nilton César Cavalheri, que coordenou a estação de Sistema de Produção para Diferentes Eventos Transgênicos.

Para começar um bom planejamento, de acordo com o agrônomo, o primeiro passo é saber qual a tecnologia usada em cada área. Existem vários benefícios dentro do sistema que deve ser aliado ao modo de ação e rotação de cultura. "Anotar tudo o que está sendo feito e o que já fez em cada área é o caminho do sucesso com as novas tecnologias."

Cavalheri comenta que quando surgiu a tecnologia transgênica os agricultores passaram a usar a ferramenta como única e isso fez com que surgissem alguns problemas como, por exemplo, as plantas daninhas que eram facilmente controladas com glifosato e estão sobrando na lavoura. "Hoje estamos vendo alguns problemas com a buva, capim amargoso e outras plantas daninhas. É importante sempre controlar plantas em estádios menores, pois são mais sensíveis e competem menos com a cultura em água, nutrientes, espaço, etc. Mas nunca esquecer de fazer a rotação dos sistemas que estão por vir", diz.

Ferramentas de auxílios a produção

As transgenias com relação à herbicidas estão a disposição dos agricultores como importante ferramenta no auxílio da produção rural e no manejo de plantas daninhas, além do manejo de "tigueras". Porém, se não forem usadas de maneira correta podem causar perdas e severos prejuízos, pois os eventos são específicos para um determinado produto ou grupo de produtos.

O responsável pela estação que tratou das tecnologias transgênicas com relação à herbicidas no Encontro de Cooperado, Lucas Simas de Oliveira Moreira, engenheiro agrônomo do Detec de Campo Mourão, reforça que no primeiro momento houve uma grande facilidade e comodidade para os agricultores, e o erro foi que eles passaram a usar a soja RR como única ferramenta. "Não era para ser assim. A proposta era que utilizassem a tecnologia em áreas com problemas severos de infestação de plantas daninhas por dois ou três anos para reduzir o banco de sementes e depois voltaria com o plantio da soja convencional. Porém, o produtor acabou optando pela comodidade e facilidade que a tecnologia RR proporcionou e não voltou para o convencional", destaca.

Moreira observa que as empresas detentoras de sementes tomaram o mesmo rumo dos produtores e também deixaram de investir no convencional. "Hoje praticamente não tem grandes lançamentos para a soja convencional, enquanto que as RR surgem uma atrás da outra. Diante desse cenário, o cooperado tem que fazer a rotação entre as tecnologias que tem a disposição – convencional, RR e STS. Se bem utilizado as novas ferramentas só vão facilitar a vida do produtor."

Mais soluções do que restrições

Transgenia é uma técnica que veio para ajudar em vários sentidos, porém, deve ser evitado o uso seguido de uma mesma tecnologia

O uso de cultivos transgenicos para controle de plantas invasoras traz mais soluções do que restrições aos produtores rurais. É uma tecnologia que veio para ajudar em vários sentidos. O alerta, porém, é evitar o uso seguido de uma mesma tecnologia para evitar que apareçam plantas daninhas, como é o caso da buva e o capim amargoso resistentes ao glifosato, entre outros.

De acordo com o engenheiro agrônomo do Departamento Técnico da Coamo de Campo Mourão, Paulo Henrique Boeing Noronha Dias, que coordenou a estação sobre as alternativas para controle de plantas voluntárias (tiguera), se for usada com frequência o mesmo herbicida ou mecanismo de ação, serão selecionadas plantas daninhas resistentes a eles, independente de qual herbicida esteja sendo usado. Ele destaca que os principais pontos a serem observados pelos cooperados é o monitoramento da área que vai plantar e levantar as plantas daninhas existentes no local, além de sempre anotar a tecnologia usada em cada área. "É preciso fazer um mapeamento e diagnóstico da propriedade, para depois partir para o planejamento que deve ser de médio e longo prazo. Não dá mais para fazer planejamento imediatista".

Dias reitera que o cooperado não deve levar em conta somente o que irá plantar nas próximas safras, mas deve saber o tipo de tecnologia usada no local. Só assim irá fazer o manejo adequado tanto das plantas voluntárias (tiguera) quanto das invasoras no ano seguinte. "Além desse planejamento, o cooperado tem que partir para o controle efetivo. Fazer prevenção e evitar que outras plantas daninhas entrem na lavoura", comenta.

Deve ser evitado o uso de máquinas que vem sujas de outras áreas e fazer a capina para eliminar as plantas invasoras ao redor das lavouras impedindo que as sementes sejam dispersadas. Outro fator importante, é o uso de sementes certificadas com ausência de sementes de plantas invasoras. O principal ponto do planejamento, reitera Dias, é o produtor saber qual tecnologia usou em cada safra. "Não dá mais para o cooperado dizer apenas que plantou transgênico. A pergunta é: transgênico de qual evento? contra lagarta, RR ao Liberty Link ou a soja STS? Tem que afunilar mais a preocupação com base no que foi plantado para fazer o planejamento mais adequado evitando problemas e custos desnecessários", reitera o técnico.

Palavra da pesquisa

O avanço de tecnologia e lançamento de materiais genéticos está criando um novo conceito de rotação de culturas. De acordo com o pesquisador doutor Décio Karam, da Embrapa Milho e Sorgo, é preciso que agricultores façam rotação entre os sistemas de ação de cada tecnologia para evitar o uso continuo de um mesmo mecanismo e evitar que haja resistência no controle de determinadas pragas e plantas daninhas. "É mais uma tecnologia que está sendo inserida dentro do processo de produção. É uma ferramenta que deve ser planejada e usada de forma correta."

Karam ressalta que o uso incorreto elimina qualquer tecnologia. "E isso causa danos ao meio produtivo. Muitas plantas daninhas que estavam erradicadas estão reaparecendo devido a má utilização dos materiais", comenta.

O pesquisador doutor Dionísio Gazziero, da Embrapa Soja, destaca que a melhor maneira de evitar problemas com a sanidade das lavouras é os agricultores seguirem as recomendações técnicas. "O agricultor precisa entender o que vem pela frente. São tecnologias com produtos específicos que devem ser usados em cada situação. Seguindo todas as recomendações, o agricultor terá uma série de vantagens. Erros no modo de usar a tecnologia podem causar vários problemas como, por exemplo, uma fitointoxicação ou matar as plantas", assinala.

Difusão elogiada

Iniciado há 24 anos, tradicional encontro na Fazenda Experimental da Coamo é referência em tecnologia de ponta em todo Brasil

Ampliar o conhecimento técnico e transformar tecnologia em produção e, consequentemente, em renda, são apenas alguns dos objetivos que levam a Coamo a investir alto em pesquisa, para depois repassar ao quadro social.

Os resultados gerados pela estação de pesquisa da cooperativa são frutos de intenso trabalho, realizado diariamente, todos os dias do ano. Uma ação sempre elogiada por toda cadeia produtiva do agronegócio, inclusive por entidades de pesquisa, parceiras neste processo de disseminação de tecnologia. "Participar deste evento é uma oportunidade única que não podemos perder. É um dia diferente porque é o momento de afiar os instrumentos, de preparar inclusive o pesquisador e o técnico para um diálogo mais próximo do agricultor", analisa o agrônomo Ivo Marco Carraro, presidente da Coodetec – Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola, com sede em Cascavel.

Para Carraro ao participar do encontro o cooperado obtém informações que podem determinar o sucesso da atividade no decorrer do ano. "Aquele cooperado que vem tem a obrigação e o dever de retransmitir e rediscutir o que vê aqui na sua base, com seus colegas. O que acontece aqui nada mais é do que uma provocação de um assunto. Por isso, o importante é transformar as informações que colhemos em discussões futuras ao logo do ano", observa.

ASSISTÊNCIA VALORIZADA - O chefe da Embrapa Soja, Alexandre Catellan, argumenta que o encontro não é um evento onde os participantes apenas conhecem novos produtos, como qualquer outro. "O encontro mostra em primeira mão os ensaios e validações de pesquisas desenvolvidas por longos anos consecutivos. Pesquisas que são aprimoradas e só depois transferidas para os agricultores. E isso tem de ser valorizado, pois faz toda diferença no campo", comenta Catellan, alertando que o papel da pesquisa é muito importante na criação da tecnologia. "A cada ano o desafio aumenta, as demandas são maiores e a complexidade está ficando maior também por conta das diferentes transgenias que já temos. Por isso o papel do agrônomo hoje é muito importante", pondera.

Coordenadores das estações

Imagens de um evento pioneiro na pesquisa

O time de palestrantes da Coamo

Cerca de 150 pessoas, entre técnicos da Coamo, pesquisadores e colaboradores da Fazenda Experimental, participaram ativamente da realização do 24º Encontro de Cooperados. São profissionais comprometidos com a disseminação das informações e de novas tecnologias. O trabalho é para que sejam alcançados os objetivos do evento, que é o de oportunizar a reciclagem, visando o planejamento de cultivo no campo. Abaixo os palestrantes do Detec da Coamo.

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