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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 412 | Março de 2012 | Campo Mourão - Paraná

Safra de Verão

Ver para crer

Cooperado apostou em um trabalho seguindo as orientações técnicas e o resultado foi surpreendente

Para o cooperado Antonio José Pelegrina, conhecido popularmente como 'Ximbau', de Juranda, Centro-Oeste Paranaense, a safra de verão deste ano, acima de tudo, foi de provações e mudança de conceito. Assim como aconteceu com a maioria dos produtores rurais, também faltou chuva para ele neste ano, mas sobrou superação e confiança.

O clima seco foi o que menos impressionou o cooperado, mas sim a comprovação de que quando se utiliza tecnologia de ponta e na hora certa a resposta é positiva. Ainda resistente a algumas ferramentas tecnológicas, 'Ximbau' foi orientado pela assistência técnica da Coamo. Ele resolveu apostar, desenvolvendo o trabalho de acordo com as orientações técnicas recebidas, em um pequeno talhão da propriedade de 35 alqueires. E para surpresa do cooperado o resultado foi surpreendente, ultrapassando a barreira das 200 sacas de soja por alqueire.

Com o ocorrido, a resistência do cooperado foi literalmente por "água abaixo", e agora 'seo' Antonio está convencido de que o investimento vale a pena. "Graças a Deus e a assistência técnica da Coamo foi muito bom, não posso reclamar. Tive um excelente acompanhamento na minha área e realmente me convenci de que investir em tecnologia e num bom manejo faz toda diferença", diz o cooperado, que na área de um alqueire, onde conduziu levando em conta todas as recomendação recebidas da assistência da Coamo, colheu 212 sacas de soja. "Minha área total é de 35 alqueires e colhi médias acima de 150 nos outros talhões. Mas esse foi realmente surpreendente. Segui tudo que o agrônomo me pediu e fiquei espantado com tanta produtividade. Se eu tivesse investido em toda área igual neste talhão, com certeza teria tido um resultado bem melhor", confessa 'Ximbau'.

O agrônomo Wilson Olah Júnior, do Detec da Coamo em Juranda, foi quem orientou o cooperado e conduziu o trabalho na área destinada ao "desafio". Ele lembra que foram 22 dias de seca. Contudo a tecnologia aplicada na área e o manejo fizeram a diferença. "Ele era um pouco resistente a algumas tecnologias mas resolveu seguir nossas orientações e deu certo. Conseguimos mostrar para o 'seo' Antonio que uma boa orientação contribui para construção de um grande resultado", comenta.

Mas, como explicar 22 dias de estiagem sobre uma área que produziu 212 sacas de soja? Wilson Olah esclarece que quando a planta está bem nutrida suporta mais a falta de chuva do que uma planta que recebeu menos tecnologia. "Essa área foi muito bem conduzida. Foram 22 dias sem chuva mas a planta estava bem preparada, com um bom sistema radicular e boa adubação. Assim, a planta conseguiu se manter, convertendo a perda que ela deveria ter em produtividade", diz o agrônomo, lembrando que a partir de agora o conceito certamente será outro. "Hoje está provado que com uma boa condução da lavoura, com boas técnicas e tecnologia é perfeitamente possível quebrar essa barreira de 200 sacas de soja por alqueire. Estávamos bem próximo disso já, e agora é realidade", garante.

Safra de superação

Em um ano em que o clima não contribuiu plenamente para o bom desenvolvimento das lavouras, investimentos em tecnologias podem significar melhores resultados

Num verão marcado por uma grande estiagem que afetou a produtividade agrícola em várias regiões do Sul do Brasil, quem vem utilizando uma boa tecnologia conseguiu melhores resultados. Além de garantir melhor estabilidade ao processo produtivo, os investimentos feitos durante a safra colaboram também para a manutenção da fertilidade do solo.

Ao economizar nos custos da safra, o produtor rural pode não estar se dando conta de que a precisão da agricultura está no equilíbrio entre a tecnologia e o seu custo/benefício. Por isso, quando investe no cultivo, o homem do campo faz a lição de casa, buscando o máximo do potencial da lavoura. Uma relação que deve encabeçar a lista de prioridades no momento de planejar o cultivo da safra de verão.

Princípios, que na propriedade do cooperado Sebastião José de Lima, o popular 'Tião', de Moreira Sales (Centro-Oeste do Paraná) são sempre levados em consideração. Há dez anos na região, ele conta que quando chegou o solo era bastante degradado e com o passar dos anos foi investindo na recuperação da área, caprichando na adubação e formação de palhada, extremamente importante para a região, que é composta por solo arenoso.

Sebastião, mesmo com toda adversidade desta safra, com praticamente 60 dias de estiagem, obteve uma boa produtividade de soja, fechando a média em 125 sacas, nos 106 alqueires de plantio. "A surpresa foi muito agradável porque tivemos muitos problemas. Foram duas secas e por isso não esperava colher mais de 80 sacas de média. Graças a Deus esse resultado foi bem melhor", comemora. Ele revela o segredo do seu sucesso: "Fizemos um trabalho de base muito bom, com alto investimento em adubo e cobertura de micronutriente. Também procuramos semear na hora certa e caprichar no manejo", informa.

O agrônomo Luiz Eduardo de Oliveira, encarregado do Detec da Coamo em Moreira Sales, observa que neste ano de clima irregular foi possível perceber a diferença de resultados entre quem investiu na lavoura e fez o manejo correto e quem não se planejou de acordo com o necessário. "Conseguimos ver novamente que o produtor que investe em tecnologia tem melhores resultados. A seca prejudicou bastante, mas o investimento compensou as perdas, mantendo as médias ainda boas. Muito embora estejam longe do ideal, poderiam ser piores", esclarece o agrônomo.

Rotação que dá resultados

Em Tupãssi, (Oeste do Paraná), o cooperado Donizete Tavares Tegon conseguiu resultados satisfatórios com a soja. A região foi uma das mais prejudicadas com o clima nesta safra. A lavoura do cooperado também foi atingida pela falta de chuva. Porém, segundo ele, o fato de ter investido em tecnologia para um bom desenvolvimento das plantas e fazer rotação de culturas influenciou para uma produtividade acima da média, quando comparada com as da região.

Na visão de Tegon, um bom planejamento é o começo de tudo. "Procuramos não pensar em milho somente na safrinha, que é muito importante para o resultado financeiro da propriedade. Fazemos também rotação de culturas com o cereal no verão e isso vem dando resultados. Em um ano de estiagem igual ao que ocorreu, é visível a diferença de resistência das plantas", destaca.

Foram cultivados na propriedade 17,5 alqueires de soja e 5,3 de milho. A produtividade média na propriedade foi de 116 sacas de soja por alqueire. Na área em que o sistema de rotação de culturas é realizado há mais tempo a média foi de 123 sacas por alqueire. "A semente foi depositada em um solo mais estruturado e isso influenciou para um bom desenvolvimento", comenta.

Tegon observa que a média de produtividade nesta safra foi baixa se comparada a anos anteriores, quando foram colhidas entre 160 e 170 sacas por alqueire. "Estamos investindo para chegar a 200 sacas", frisa. Nos 3,5 alqueires cultivados com o milho a média fechou em 370 sacas.

PLANEJAMENTO – O cooperado comenta que o trabalho de planejamento é realizado em parceria com o Departamento Técnico da Coamo. Ele ressalta que segue todas as recomendações e adota tecnologias que ajudam a lavoura a superar todos problemas que possam enfrentar em seu desenvolvimento. "Nessa safra o problema foi a falta de chuva. Toda a tecnologia usada desde antes do plantio, com análise do solo e adubação, até o desenvolvimento final das plantas ajudou a superar as adversidades."

Tegon calcula que o investimento realizado na lavoura foi de sete sacas a mais por alqueire, com um incremento de 20 a 30 sacas na produtividade.

O engenheiro agrônomo do Detec de Tupãssi, Heron Ayres Freitas, explica que a lavoura do cooperado Donizete Tegon teve duas situações: em uma área ele realizou alto investimento, porém sem a rotação de culturas o que proporcionou uma produtividade média de 90 sacas por alqueires. "Já é uma produtividade boa em comparação a agricultores vizinhos que colheram de 60 a 70 sacas", frisa. Já outra recebeu o mesmo investimento e passou por rotação de culturas o que rendeu uma produtividade média de 123 sacas. "É uma boa diferença. O agricultor não pode ter uma visão de momento. É preciso manter a estruturação ao logo do tempo para alcançar boas médias, e o planejamento nesse sistema é estratégico", finaliza.