Agricultura
Sargento João, 27 anos de amor a terra

Cooperado se desenvolve com a força da união, do trabalho e alavanca resultados

Santos: cooperativismo é filosofia de vida
Paranaense da Lapa, no sul do Estado, o cooperado João Pinto dos Santos, há 47 anos vivendo na região de Campo Mourão, tem uma história que se confunde entre duas profissões: policial militar e agricultor. "Sargento João" como é conhecido por ter exercido a função na Polícia Militar até agosto de 1978, quando se aposentou, deixou de lado a carreira militar e passou a ser agricultor. Cooperado da Coamo há 27 anos, ele é entusiasta do cooperativismo, movimento que segundo ele se desenvolve com a força da união, do trabalho e alavanca resultados, sendo a solução para as necessidades dos produtores.

No início dos anos 50 foi transferido da Lapa para Maringá como soldado. Em 1954 conheceu dona Aparecida Maura dos Santos, com quem está casado há quase 50 anos. "Sempre gostei de aventura e desafios e em 1955 fui convidado a trabalhar em Campo Mourão. Chegando aqui, encontrei-me com outro lapeano, o coronel Alcebíades Rodrigues da Costa que designou-me para Campina da Lagoa, na época, um patrimônio que pertencia a Campo Mourão e tinha meia dúzia de casas. E lá, tive a honra de ser o primeiro policial militar daquele município, onde fiquei até 1960, quando fui transferido para Campo Mourão", conta.

Com a tranqüilidade da localidade, o cooperado teve a idéia de iniciar na agricultura. Começou com uma pequena área onde cultivou arroz, milho, feijão e café. "Levantava cedo e às 4 horas da manhã já estava junto com a minha esposa derriçando e abanando café. Fazíamos 20 sacas por dia e o salário era muito bom, ganhávamos 2 contos por dia, o dobro do que eu recebia por mês na Polícia Militar", lembra. Com muito trabalho e esforço, o produtor foi adquirindo áreas de terras na região, iniciando como associado na Coamo em 1975, com área de 80 alqueires. 

Atualmente, Sargento João possui 230 alqueires distribuídos em Campina da Lagoa e em Marquinho, onde desenvolve a pecuária. Na última safra, mesmo com os problemas climáticos, o cooperado colheu uma média de 130 sacas de soja por alqueire e 178 sacas de milho na safrinha. 

Praticante do cooperativismo, com bom relacionamento e serviços prestados à comunidade, Sargento João (74 anos) recebeu em 1996 o título de "Cidadão Benemérito" de Campo Mourão. É um dos três doadores do terreno onde hoje está funcionando a Santa Casa Regional, inaugurada em 12 de outubro, ao lado dos pioneiros Paulino Slomp e Chafic Simão.

"Antes da Coamo era muito ruim, tinha muitos atravessadores. Com a chegada da cooperativa as coisas ficaram muito boas para nós produtores. A gente tem tudo que o precisa e pode contar ainda com o trabalho e a confiança da nossa diretoria comandada pelo doutor Aroldo", relata. Segundo ele, "o presidente da Coamo é um grande líder e ao mesmo tempo uma pessoa simples que merece o respeito e a consideração de todos os cooperados", afirma, com sentimento de orgulho por integrar o quadro social da Coamo.

 

O talento de dona Maura

Dona Maura com o Sargento João e, ao fundo, a obra "Balsa", uma das preferidas da família Santos
Companheira e incentivadora do esposo, Aparecida Maura dos Santos é advogada, escritora e pintora. "Iniciei pintando como hobby, mas hoje faço com prazer e com o hábito de trabalhar, já que também não gosto de ficar parada", conta. Depois de participar de diversos cursos, desde 1993 faz pintura com o trabalho em dezenas de quadros no estilo acadêmico (pintura mais realista). Inclusive pintou várias
obras integrando a "Série Campo Mourão", resgatando, por exemplo, em tela, a primeira rodoviária, igreja, escola e o fórum de Campo Mourão. Com visão humanitária, dona Maura está doando 20 quadros que serão leiloados brevemente para arrecadação de recursos para a Santa Casa Regional de Campo Mourão.


Entre os seus quadros preferidos, está a "Balsa", que retratou a partir do envio de uma imagem por computador por um de seus filhos. A tela mostra o naufrágio de um navio e os sobreviventes pedindo socorro numa balsa, ocorrido na década do século XVIII na França. O quadro original é de autoria de Gericalt e está no museu de Louvre, em Nova York (EUA).