Opinião
Editorial:
A hora da verdade

Engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor-presidente da Coamo

Dr. Aroldo Gallassini: confiança em um Brasil melhor
O ano de 2002 vem se consolidando pela realização de importantes eventos que estão complementando os bons serviços que a Coamo disponibiliza aos seus cooperados. No dia 30 de setembro, realizamos duas importantes assembléias gerais extraordinárias (AGE´s), que resultaram na aprovação por parte dos cooperados de novos investimentos na ordem de R$ 66,3 milhões para ampliação e
modernização das áreas Operacional e Industrial, e na devolução do capital social para cooperados acima de 65 anos.

Os entrepostos receberão melhorias significativas objetivando aumento na capacidade e agilidade no fluxo de recebimento da produção, bem como o barateamento dos custos ao quadro social. Na área Industrial, de imediato, serão modernizadas e ampliadas às indústrias de margarina, óleo refinado, gordura vegetal e fiação de algodão. Para 2003/2004 será duplicada a capacidade de produção da indústria de óleo de Campo Mourão.

Atendendo reivindicação dos cooperados mais antigos, a Diretoria da Coamo propôs e foi aprovada por unanimidade, a devolução do capital social no montante de 50% para cooperados com idade igual ou superior a 65 anos, com no mínimo 10 anos de permanência na cooperativa; e 100% para cooperados com idade igual ou superior a 70 anos, podendo estes retirar a cada dois anos o saldo cumulativo do seu capital social. Este benefício estará disponível aos cooperados a partir do dia 2 de janeiro de 2003. Cada cooperado deixará somente o valor mínimo de capital para continuar movimentando com a Coamo. Esta é uma decisão que foi muito bem aceita e que valoriza a atuação e a fidelidade dos cooperados, pela sua dedicação e trabalho na Coamo. Isto só foi possível graças à capitalização da Coamo, aliada a sua excelente situação econômico-financeira, estabilidade e profissionalismo.

Estamos vivendo um bom momento na agricultura. Na comercialização da safra deste ano fomos contemplados com bons preços - significativos e históricos, na soja, no milho e no trigo. Implantamos as lavouras da safra 2001/2002, com os preços mais baixos de insumos dos últimos 15 anos. Todo este trabalho de prestação de serviços realizado pela Coamo é muito importante e deve ser valorizado pelos cooperados. Temos oportunidade de semearmos nossa safra com insumos a preços baixos, modalidade de venda antecipada, com trava de dólar e bons volumes de produção. Enfim, são grandes benefícios que são fornecidos aos cooperados coroando a implantação das suas lavouras.

Estamos implantando na área da Coamo a safra de verão 2002/2003 com preços baixos, beneficiando diretamente os cooperados que fizeram o Plano-Safra. Esta é a hora da verdade. Vimos muitas empresas cancelando pedidos de insumos ou até mesmo complementando os seus preços; ao contrário dessa situação, a Coamo fez um grande trabalho no planejamento da safra dos seus cooperados, entregando grandes volumes de insumos, sem nenhum problema. Mais uma certeza da qualidade, de garantia e de segurança dos serviços prestados para os nossos cooperados.

Nesta hora da verdade, estamos acompanhando o plantio das lavouras de verão apresentando bom desenvolvimento e com chuvas regulares. Esperamos com a graça de Deus, uma safra com bom plantio, clima, produtividade e colheita, e que tenhamos também, bons preços. Pelas previsões, há boas chances de que os preços deste ano se repitam no próximo ano.
Neste mês, o Brasil inteiro participou de um grande processo democrático, elegendo pelas urnas, presidente da República, governador, senadores e deputados federais e estaduais. No Paraná, Roberto Requião foi eleito governador e Orlando Pessuti, vice-governador. Pelos comentários preliminares, Pessuti, que é ligado à agricultura e a região, deve ser o futuro secretário da Agricultura e Abastecimento.

No Senado, foi eleito Flávio Arns e reeleito Osmar Dias. Flávio Arns como deputado federal no mandato anterior sempre apoiou as propostas do setor agrícola. Osmar Dias tem feito um bom trabalho no Senado em prol da agricultura, com destaque para a lei de equiparação dos direitos trabalhistas do trabalhador rural ao urbano quanto aos prazos de prescrição para reclamação dos direitos. Também foram eleitos muitos deputados estaduais e federais ligados à agricultura, que por certo, continuarão a lutar na defesa deste importante segmento da economia do país.
E para presidente da República foi eleito Luiz Inácio Lula da Silva com muitas promessas para um Brasil melhor. Desejamos sucesso aos eleitos ao Governo Federal e Estadual, ao Senado, à Câmara Federal e à Assembléia legislativa. Vamos torcer para que cumpram as propostas formuladas e atendam às necessidades do povo brasileiro, melhorando a qualidade de vida de toda a nossa população. Se colocadas em prática, temos certeza de que teremos um Brasil melhor, muito melhor.

 

Ponto de vista:
O engenheiro agrônomo e a segurança alimentar

 

A segurança alimentar voltou à pauta do noticiário nacional. O assunto marcou o primeiro depoimento oficial do presidente eleito, Luís Inácio Lula da Silva, que anunciou a criação de uma secretaria especial para tratar do assunto, e batizou o programa com o desafiante nome "Fome Zero".
O momento é oportuno para que os engenheiros agrônomos se façam ouvir. O Brasil produz hoje 100 milhões de toneladas de grãos. O desafio de aumentar a produção para suprir o mercado interno e buscar os valiosos dólares que irão garantir o equilíbrio na balança comercial através das exportações pede engenheiros agrônomos capacitados para orientar, implantar novas tecnologias e mostrar novamente ao Brasil que o caminho da roça leva a âncora verde da soberania nacional.

Para tanto, é preciso entender que a produtividade não está unicamente relacionada ao incentivo financeiro para o plantio. E sim também com mais incentivos as pesquisas, a capacitação profissional e a tecnologia são o ponto fundamental para o crescimento da agricultura brasileira. Investir na pequena propriedade, trabalhando o agricultor vocacionado é parte essencial desta estratégia.

Neste ponto se faz necessário estabelecer uma quebra de paradigmas: o engenheiro agrônomo precisa ter mais presença física na propriedade e compromisso sócio-econômico com a transformação, descartando a figura de mero coadjuvante no processo.

O Brasil não precisa de milagres, nem de milagreiros. Neste momento em que a segurança alimentar é a questão central, os engenheiros agrônomos são os profissionais com conhecimento e potencial técnico para contribuir nesta empreitada. Afinal, a fome não tem ideologia e a produção de alimentos é a nossa especialidade.

Engº Agrº Manoel Marcio Chaves, presidente Federação das Associações dos Engenheiros Agrônomos do Paraná – FAEA-PR