Pecuária
Bovinos:
Está aberta a estação de monta


Como aumentar os índices de fertilidade do rebanho

Estamos na fase inicial do período da estação de monta, que corresponde às estações da primavera e verão, períodos onde a produção de forragens tropicais de verão se tornam estáveis em produção e com isto fornecem em quantidade e qualidade, parte das exigências nutricionais necessária para os bovinos. 

No caso da pecuária de corte, destinada à produção de bezerros, um manejo correto e estruturado deve ser realizado com as vacas e novilhas que compõem a categoria das matrizes reprodutoras, pois elas são bastante exigentes quanto a qualidade nutricional dos alimentos ingeridos. Esta categoria animal, além do seu próprio desenvolvimento corporal ou manutenção orgânica, precisa também manter a alimentação de sua cria, o bezerro, que esta ao pé e deve entrar em cio, ser coberta e desenvolver uma gestação, para manter um intervalo entre partos de 12 meses em média e produzir o esperado, que é um bezerro ao ano.
Para esta nova estação de monta que começa agora em setembro de 2000 e vai até Janeiro de 2001, devido aos problemas climáticos como o déficit hídrico das plantas forrageiras na entrada do inverno e as fortes geadas, houve um grande declínio na quantidade e qualidade das pastagens perenes de verão, o que poderá levar a uma baixa eficiência reprodutiva do rebanho bovino de cria neste período que se inicia, pois as exigências nutricionais das matrizes não serão atendidas, e esta subnutrição que já vem desde o início do inverno traz como conseqüência a ausência do ciclo estral e aparecimento do estro (cio), não ocorrendo a inseminação natural ou artificial das matrizes, alongando assim o intervalo entre partos, impedindo o objetivo de quem se dedica à cria de bovinos, que é desmamar, de cada vaca do rebanho, um bezerro pesado e saudável por ano.

Para se evitar as restrições nutricionais causadas pelo baixa disponibilidade e declínio nutritivo das pastagens neste período, recomendamos alguns procedimentos. Primeiramente disponibilizar para as fêmeas em reprodução, os piquetes de pastagens que já possuam neste período um bom crescimento vegetativo (o qual possuirá boa quantidade e qualidade nutricional); manter o sal mineral protêico energético, utilizado no inverno, por mais tempo, até que as pastagens estejam com o crescimento vegetativo estabilizado, pois, as matrizes bovinas necessitam de altos teores energéticos, protêicos e minerais neste período destinado à concepção de uma nova prenhez, e o sal mineral protêico energético, irá favorecer a flora ruminal dos animais, melhorando a utilização dos nutrientes ingeridos. Após a restruturação das pastagens em quantidade e qualidade, o que normalmente deverá ocorrer à partir do mês de outubro, poderá iniciar o fornecimento de uma mistura mineral para o período das águas, sendo que esta mistura mineral deverá conter no mínimo 9% de fósforo em sua formulação; o rebanho deverá ser everminado no início do período da estação de monta (mês de setembro) para evitar o seqüestro de nutrientes pela espoliação verminótica.

Também faz-se imprescindível para o rebanho bovino de cria estruturas de creep feeding, para a suplementação alimentar dos bezerros, procedimento este que, possibilitará aos bezerros suprirem parte de suas necessidades nutricionais com alimentos sólidos e não só com leite, desgastando menos as vacas que estão amamentando, podendo o organismo destas disponibilizar mais nutrientes para a reprodução.

Deste modo, ao seguir alguns procedimentos estratégicos, quanto a alimentação do rebanho de cria, durante a estação de monta, o pecuarista evitará o déficit nutricional das matrizes, que ao não ser evitado, refletirá na taxa de fertilidade do rebanho, diminuindo os índices produzidos e consequentemente reduzindo a lucratividade.

O rebanho bovino do Paraná apresenta uma taxa de natalidade em torno de 55%, índice este muito baixo, o que mostra a urgente necessidade de um manejo estratégico neste período muito importante que é a estação de monta. Assim é inevitável o planejamento por parte do pecuarista neste início da estação de monta, e para isto indicamos que consulte o médico veterinário do seu entreposto para o correto desenvolvimento de um plano técnico.

Hérico Alexandre Rosseto - médico veterinário Detec/Campo Mourão.

 

Verão exige manejo diferente para suínos

Suinos sofrem mais com o calor
Durante a temporada de verão os suinocultores precisam ficar mais atentos ao manejo do seu plantel. É que esta é a época do ano que os animais mais sofrem. Por causa do calor intenso eles correm maior risco de perder peso e morrer por congestão alimentar e até por stress.

O alerta é do médico veterinário, Rogério Tovo, responsável pelo 
Projeto de Suinocultura da Coamo. Segundo ele, neste momento o produtor deve voltar suas atenções para as instalações, transporte e ainda para o fornecimento de água e de alimentos aos animais.

"O suíno é uma espécie que prefere temperaturas baixas, e consequentemente sofre com o calor", lembra o veterinário. A orientação, segundo Tovo, é podar as árvores que cercam a granja até a altura do telhado para facilitar a ventilação. Outra medida importante é pintar a parte superior do telhado - principalmente quando a cobertura foi de amianto, com uma mistura de cal com cola, para aumentar a reflexão da luz.

Para os iniciadores, em especial, é recomendável a instalação de cortinas na maternidade e creche. "Essa medida ajuda a reduzir a temperatura da granja em até seis graus", assegura. O suinocultor ainda deve levar em conta se a vazão dos bebedouros está condizente com a fase dos animais.

Outro ponto importante é o cuidado com a limpeza do ambiente. As instalações e os animais devem ser lavados, no mínimo, uma vez por dia, pois é na água que os suínos buscam reduzir a temperatura do corpo, principalmente na fase de terminação.

E para evitar problemas de stress, de congestão animal e possíveis óbitos, Tovo recomenda que o transporte dos animais seja feito nas horas mais frescas do dia (de manhã até às 7 horas e à noite) e com os animais em jejum de no mínimo 12 horas.

Durante o verão o consumo de energia (para manter a temperatura do corpo) não é tão necessário. Portanto, o produtor pode economizar e racionalizar o fornecimento de alimentos energéticos aos suínos. "Seguindo estas recomendações de manejo durante o verão e caprichando no fornecimento de água, ganha o produtor e seu rebanho", conclui Tovo.

 

Pecuária de cria:
Nishiyama cresce 50% com tecnologia

Em Corumbataí do Sul, cooperado investe pesado na produção e agrega maior valor à pecuária de corte

Barth: "estamos nos adaptando a essa exigência do mercado para agregar maior valor à nossa produção"
A pecuária de corte sempre fez parte das atividades da fazenda Nishiyama, de propriedade do cooperado Itiró Nishiyama, de Corumbataí do Sul. Mas os baixos resultados vinham praticamente inviabilizando a criação. A saída encontrada pelo cooperado foi investir na produção para agregar maior valor à atividade. Com isso, após analisar as vantagens do negócio, a pecuária de cria foi intensificada na fazenda. Isto aconteceu há cerca de quatro 
anos, com o ingresso do cooperado no Projeto Gado de Corte, da Coamo. "Investimos pesado em tecnologias, equilibrando as partes nutricional, sanitária e reprodutiva das vacas. Assim, crescemos 50% nos resultados do negócio", revela Heine Barth, administrador da fazenda.

A área total da propriedade é de 100 alqueires. Trinta por cento da área é ocupada com agricultura e o restante é destinado à pecuária de cria. A fazenda abriga um plantel de 402 cabeças, sendo 274 matrizes. "Nesta etapa inicial do trabalho, quando acertamos os detalhes dos manejos, ampliamos o índice de fertilidade das vacas para 85%. A taxa de natalidade também está próxima deste índice", conta Barth. Antes, segundo ele, não havia muito controle e a atividade rendia pouco. "Descartamos várias matrizes por infertilidade, concentramos a estação de monta e estamos colhendo os resultados", comemora.

Mas a meta da fazenda é ir além. O trabalho, a partir deste ano, está concentrado na melhoria da pastagem e a parte genética das matrizes. O cooperado está melhorando o sistema de cruzamento industrial, com a utilização de inseminação artificial. "O projeto é possuir uma linha materna meio sangue (nelore e red angus) para a produção de bezerros mais precoces e pesados à desmama", conta o médico veterinário Hérico Alexandre Rossetto, do Detec da Coamo. Com as matrizes F1, há também uma proposta para a inclusão de uma terceira raça no plantel, para a produção de bezerros tri-cross.

"A pastagem (grama estrela africana) é a base da alimentação dos animais da fazenda. Por isso, estamos investindo no equilíbrio do nutrientes do solo e redividindo os piquetes, para aproveitar melhor a estrutura de pastoreio", revela Barth. Há, também, uma suplementação com sal mineral a vontade no cocho, creep-feeding para os bezerros, e complemento durante os meses mais secos do ano, através de uma mineralização proteinada e suplementação de volumoso.

Apesar de representar um alto custo, o investimento tem compensado para o cooperado Itiró Nishiyama. No entanto, de acordo com os relatórios emitidos diariamente pela fazenda, o incremento na produção chega a ser 35% maior, comparando com o investimento realizado até então. É lucro que está fazendo a diferença para a propriedade.

Bezerros têm preferência - A revolução na produção de bezerros na propriedade de Nishiyama tem chamado a atenção da região. Hoje, há uma maior procura pelos animais da fazenda e isso também já está sendo vantajoso. A meta, segundo Barth, é aumentar ao máximo a capacidade de suporte das pastagens; o índice de fertilidade do rebanho; o número de bezerros desmamados e o peso ao desmame, aumentando assim a rentabilidade por área.

Um outro projeto que vem sendo incorporado à fazenda é o de rastreabilidade. Os animais nascidos a partir de julho deste ano já possuem identidade completa. "Já tínhamos um bom controle das matrizes, bezerros e touros. No entanto, estamos nos adaptando a essa exigência do mercado para agregar maior valor à nossa produção", conclui Barth.


Produção de carne:
Investir no crescimento é lucro certo

Com bezerros mais pesados, lucro cresce na terminação
Com maior peso à desmama, bovinos de corte rendem mais na terminação. A afirmação é do zootecnista Mário Beni Arrigoni, professor da faculdade de veterinária da Unesp, de Botucatu (SP). Ele esteve em Campo Mourão, recentemente, para apresentar aos pecuaristas da região um trabalho de dez anos de pesquisa, que oferece uma nova visão no sistema de produção de carne.

Para Arrigoni, com estratégias simples o criador pode tornar o seu negócio mais estável. "Uma delas é investir no crescimento", orienta. "Aumentando o peso dos bezerros à desmama os animais vão responder melhor na terminação, inclusive ganhando mais em precocidade", explica. Segundo o veterinário, na fase de cria o produtor tem um retorno de oito reais para cada real investido. Assim, ele estaria agindo no momento onde o animal vai responder melhor.

Os resultados também são agradáveis do ponto de vista de redução dos custos. Os dados do professor Arrigoni indicam que, na fase de cria, um animal consome 4 kg de ração para engordar um quilo de peso vivo. Na fase de terminação o mesmo bovino terá que consumir entre 9 a 10 kg de massa seca para engordar um quilo de peso vivo.

Conforme explicou o zootecnista, não existe receita pronta. O manejo varia de acordo com a propriedade e o interesse do criador. "É preciso estar disposto a mudar o sistema de produção e, assim, elaborar um programa nutricional, com ajuda de um profissional, que garanta a obtenção dos resultados desejados", destaca.