Agricultura     



Qualidade no campo

Ferramenta diária, a qualidade organiza a propriedade, facilita o trabalho diário e abre espaço para novas idéias


A administração do tempo e espaço nas propriedades rurais é uma ferramenta cada vez mais utilizada pelos agricultores. Com regras simples, baseadas no sistema de qualidade total, os produtores têm conseguido ampliar o rendimento das suas atividades diárias, basicamente organizando melhor a estrutura física da propriedade. É a qualidade a serviço da agricultura. É mais uma ferramenta que pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso da propriedade rural.

O cooperado Francisco Schreiner, de Campo Mourão, vem experimentando os resultados propiciados pela melhor organização do seu ambiente de trabalho. Há dois meses ele participou de um treinamento para implantar um programa de qualidade na sua propriedade. Desde então, não há limites para a administração do tempo e espaço nos galpões da propriedade. “Sempre gostei de tudo organizado. Cada máquina, equipamento ou ferramenta tem de estar no seu devido lugar para não atrapalhar a agilidade dos serviços”, comenta. Mesmo assim, ele admite que era um pouco acostumado com a ‘bagunça-organizada’ que mantinha na propriedade. “Todos nós somos assim: vamos guardando tudo, na esperança de que ainda iremos utilizar. Mas muita coisa é apenas entulho, sem qualquer utilidade”, ressalta. A qualidade, segundo Schreiner, tem sido um ingrediente a mais para a sua propriedade e está contribuindo para melhorar o rendimento do seu trabalho.

Schreiner chegou a retirar da propriedade, na forma de descarte, cerca de dois mil quilos de “ferro-velho” sem qualquer utilidade. Assim, acabou abrindo espaço para guardar os seus maquinários e equipamentos. A oficina de reparos mantida na propriedade, também foi melhorada. Com a organização, as ferramentas ganharam um armário próprio e mais eficiente, evitando a perda de tempo no trabalho.

Os funcionários de Schreiner também estão conscientizados da importância da qualidade. Eles, inclusive, ajudam a manter a propriedade organizada. “Hoje trabalhamos com mais folga e sabendo que quando procuramos os equipamentos vamos achá-los. Sem contar que o próprio visual da propriedade é outro. Está até mais gostoso para trabalhar”, comemora.

Coamo, 33 anos

Considerada a maior cooperativa singular da América Latina, com 17,5 mil associados, atuando em 47 municípios do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, a Coamo está completando este mês 33 anos de fundação. Sozinha, a cooperativa movimenta 3,3% de toda a produção brasileira de grãos e fibras e 17% da safra agrícola paranaense. Nestes 33 anos, a cooperativa investiu pesado na industrialização da produção e na sua estruturação para recepção da safra, estando cada vez mais próxima do seu quadro social.

Uma cooperativa, na opinião do presidente da Coamo, engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, deve ser administrada como se fosse uma empresa, que busca fazer bons negócios, ter rentabilidade, garantir preços de mercado ao produtor, ao menos, além de repassar as eles parte dos lucros, no final do ano. “No início, chegamos a ser criticados, por isso, já que prevalecia o paternalismo. Mas com o passar dos tempos se comprovou que a decisão de tornar a cooperativa uma empresa competitiva, que busca reduzir os custos e trabalhar com rentabilidade, era a mais correta”, comenta o dr. Aroldo.

Com mercado consolidado, a cooperativa tem investido no processamento de seus produtos primários em busca da elevação das margens de ganho. O seu parque industrial conta com duas indústrias de esmagamento e uma refinaria de óleo de soja, indústria de margarina e gordura vegetal, moinho de trigo e fiação de algodão. “A industrialização proporciona uma melhor situação econômica para todos”, diz o presidente.

A cooperativa continua a expansão dos projetos agroindustriais, como a indústria de moagem de soja que elevou a capacidade de processamento de mil para duas mil toneladas por dia. E com o arrendamento de outras indústrias, a Coamo entre as cinco maiores esmagadoras de soja do País. Ela também produz 360 toneladas de óleo refinado de soja por dia e elevou a produção de margarina e gordura vegetal de 60 toneladas para 120 toneladas por dia.

Para Gallassini, por trás do sucesso da cooperativa não há uma fórmula mágica. “A empresa se estruturou e cresceu, mas nunca voltou as costas aos associados, pois sempre buscou a melhoria socioeconômica de seus produtores. Aliás, é isso que explica a afinidade que existe entre cooperados, funcionários e diretoria. E há ainda outro fator: a honestidade, em todos os sentidos, que conferiu à empresa a confiança incondicional de seus associados”, afirma.


Mais atividades, maior lucro

A diversificação é levada à sério pelos Diedrichs, de Nova Santa Rosa


O trabalho em família é um dos segredos dos Diedrichs em Nova Santa Rosa. A união de forças de três irmãos, um cunhado e o patriarca da família, Adahir Diedrichs, tem revelado ótimos resultados nas diversas atividades desenvolvidas dentro da propriedade, sempre melhorando a cada ano. Adeptos da tecnologia preconizada pela assistência técnica da Coamo, eles sempre procuram fazer tudo certo: plantam as lavouras em sistema direto; fazem rotação de culturas; análise e correção da fertilidade do solo. O trabalho tem um único objetivo: a melhoria do sistema de produção e da produtividade da propriedade.

No verão, a área de 60 alqueires de cultivo, é ocupada basicamente pela soja. Os Diedrichs reservam uma pequena parte do sítio para o plantio de milho, que depois é utilizado para silagem, servida no complemento alimentar do gado. No inverno, o milho é que ocupa a maior parte da área: 48 alqueires no total. O restante da área é cultivada com aveia, para cobertura do solo e alternativa de pastagem para o gado.

A propriedade é bem diversificada. Além das lavouras, os Diedrichs possuem também pecuária de leite e desenvolvem outras atividades para o próprio consumo, como: a produção de café, frutas e verduras. Adahir Diedrichs – pai de Márcio, Marcelo e Adilson, é o responsável pela parte de pecuária. São 21 vacas em lactação, 35 novilhas em sistema de confinamento e 59 bezerros, totalizando 115 cabeças. O plantel é alimentado com silagem de grão úmido, de planta inteira e feno de grama Tifton, que sobra da pastagem de verão. O leite produzido diariamente, cerca de 300 litros, é vendido para um laticínio da região. O excedente da pastagem de verão e de inverno é usado pelos irmãos Márcio e Marcelo na produção de feno. Eles trabalham com maquinário próprio e depois vendem a produção para outros criadores da região.

Na hora da tomada de decisões todos opinam e chegam a um consenso. Márcio e Marcelo são responsáveis pela maior parte da área, 44,5 alqueires. Adilson trabalha com cinco alqueires, e Martinho Hopen – o cunhado, administra outros 10 alqueires. O planejamento é feito antecipadamente, sempre com a orientação da assistência técnica da Coamo.

Márcio, Marcelo e Adilson foram incentivados pelo pai para se tornarem cooperados na Coamo, onde estão há cerca de cinco anos. Adahir Diedrichs ouvia falar muito bem da Coamo e acompanha o desenvolvimento da cooperativa por noticiários e jornais.

Os Diedrichs contam que depois que passaram a ser cooperados tudo mudou. Os principais pontos elogiados pelos irmãos são o atendimento e a assistência técnica. “Antes produzíamos uma média de 120 sacas de soja e 240 de milho por alqueire. Com a Coamo já saltamos para 152 sacas de soja e 300 de milho no verão. Na safrinha, chegamos a produção, neste ano, 253 sacas. Uma produtividade que jamais pensávamos em alcançar”, comemoram. Para os Diedrichs a grande vantagem da Coamo é o fato de ela não diferenciar o pequeno do grande produtor, dando tratamento igual para todos. Outra vantagem, segundo os cooperados, é a segurança na hora da entrega da produção. “O cooperativismo é muito bom. Regula o mercado e oferece condições de competitividade para todos os agricultores”, afirmam os cooperados, que estão na região há 32 anos.


 Página Inicial   Índice Geral