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Pecuária organizada
A
fazenda Vovó Zinha, em Faxinal, é um exemplo de que
a organização também se encaixa muito bem à
atividade pecuária
O vale em
que está localizada a fazenda Vovó Zinha, na região
de Rio Pereira, em Faxinal, ajuda a compor a beleza do lugar. A
entrada da fazenda, de 300 alqueires e formada toda em pastagem,
é um convite para uma experiência única. O toque
requintado da propriedade é pano de fundo para o sucesso
da atividade pecuária, sustentada num projeto organizado
e muito bem conduzido pelo cooperado Leônidas Greipel, conhecido
por “Lozo”.
A pecuária foi incorporada à vida do cooperado depois
do seu estabelecimento na região, como comerciante. Ele conta
que foi comprando os lotes aos poucos, até formar a fazenda.
“Cheguei a ter 11 escrituras”, revela. Greipel diz que
escolheu a pecuária por ser uma atividade que melhor se enquadrava
dentro das características da região. “Formamos
a pastagem e tudo foi dando certo”, lembra. Hoje, a criação
de bovinos de corte, em sistema de cruzamento industrial, é
um dos principais negócios da família.
Na propriedade, o cooperado trabalha com a exploração
do ciclo completo (cria, recria e engorda). A linha materna é
formada por animais nelore. No sistema de cruzamento industrial,
são utilizados touros puros das raças charolês
e simental. “Estamos iniciando um novo projeto de produção,
inserindo touros das raças limosin e pardo suíço,
em novilhas F1, visando a produção de bezerros tri-cross,
que oferecem maior retorno no confinamento”, destaca. A tecnologia
no sistema de produção tem feito com que o cooperado
ganhe mais na produtividade dos animais e em precocidade na terminação.
“Depois de desmamados, os bezerros permanecem no pasto até
a idade entre 16 a 18 meses. Eles entram no confinamento com um
peso médio de 13,5 arrobas; ficam fechados de 50 a 90 dias
e são retirados com 18,5 a 19 arrobas de peso”, explica
Greipel. A alimentação no confinamento é à
base de silagem de milho e ração concentrada.
Qualidade – A organização empregada em todos
os setores da propriedade chama a atenção de quem
visita a fazenda. Num ambiente limpo e bem ordenado, todo o cuidado
é pouco. O próprio cooperado é quem aplica
a lista de verificação. “O nosso lema é:
‘cada coisa em seu lugar; usou, limpou, guardou’. Assim,
otimizamos o nosso trabalho e a vida útil de cada equipamento
ou produto”, salienta.
O controle de toda a produção também é
levado a sério na Fazenda Vovó Zinha. Os próprios
funcionários conhecem bem a rotina de trabalho coordenada
pelo cooperado Leônidas Greipel. “Buscamos o máximo
de eficiência”, resume o cooperado. Cada animal da fazenda
possui uma ficha de acompanhamento, desde o nascimento. A taxa de
natalidade na fazenda é de 82%.
Manejo – Cerca de 90% da pastagem da propriedade é
cultivada. A exploração é feita no sistema
extensivo, com uma lotação de 4,5 animais por alqueire.
Mas o cooperado quer mudar essa realidade. Com apoio da Coamo, Greipel
está implantando na fazenda um novo projeto de manejo da
pastagem. “A idéia é fazer uma ampla reforma
e trabalhar com uma adubação de manutenção
na pastagem”, revela o médico veterinário Paulo
Calderon, do Detec da Coamo em Faxinal. A implantação
de um sistema intensivo na pastagem também está nos
planos do cooperado. A meta é dividir as áreas em
piquetes para o pastoreio rotacionado. “Assim, certamente
iremos agregar um resultado ainda melhor à atividade do cooperado,
possibilitando um incremento na lotação média
da fazenda, saltando para 7 cabeças por alqueire”,
afirma Calderon.
Há um cuidado especial também com os manejos sanitário
e nutricional. O gado recebe todos os cuidados profiláticos
preventivamente e suplementação mineral. Os bezerros
são suplementados de forma diferenciada, com a utilização
do sistema de ‘creep-feeding’.
Gado
leiteiro:
Nutrição bem feita, produção garantida
Na
pecuária de leite, o manejo do rebanho exige cuidados
especiais e atenção aos detalhes. A exemplo do
período de inverno, o verão também é
uma estação em que o pecuarista deve ficar atento
com a nutrição da vaca leiteira. O alerta é
do médico veterinário Olivio Eirich, do Detec
da Coamo, em Campo Mourão. Ele lembra que quanto maior
for o potencial genético da vaca, melhor será
a resposta na produção de leite. “É
um investimento planejado que oferece resultados coerentes e
satisfatórios”, explica.
A falta de uma boa estratégia nutricional, segundo Eirich,
pode representar prejuízos à atividade. “Não
adianta o animal ter potencial. Se ele não for bem alimentado
não vai alcançar bons níveis de produção.
E é justamente aí que entra o bom manejo alimentar”,
orienta.
Segundo Eirich, uma vaca consome ate 4% do seu peso vivo em
matéria seca, ou seja, um animal de 500 quilos pode consumir
até 20 quilos de matéria seca por dia. Éle
lembra que isso pode significar, no fim do dia, numa quantidade
acima de 100 quilos de volumoso, se transformado em pasto.
O pico de produção de leite é verificado
durante a lactação, do segundo ao quarto mês.
Esse é o período onde as vacas produzem o máximo,
após o parto. Depois disso, existe uma queda normal na
produção influenciada por vários fatores
como: qualidade da alimentação, manejo, condição
corporal, época do parto e condição genética.
“Isso quer dizer que quanto mais a vaca produz durante
o período e a queda é menos acentuada, é
sinal que ela esta bem alimentada”, ressalta.
O ideal, na avaliação de Eirich, é fazer
um balanceamento dos nutrientes entre o volumoso (capim), mais
o concentrado, com alta qualidade. Também devem ser observados
os elementos fundamentais para o desenvolvimento do animal,
como: teor de proteína, energia, fibra bruta e fibra
em detergente ácido. “Esse equilíbrio evita
o surgimento de problemas metabólicos, causados pelo
excesso de alimentos que possuem determinados tipos de nutrientes,
ou a falta deles”, completa. |
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