Agricultura     



Trigo é bom negócio para cooperados em Pinhão

CEREAL VEM GANHANDO ESPAÇO COMO ALTERNATIVA DE INVERNO

Uma cultura plantada no inverno e colhida no verão. Esta é a realidade do trigo em Pinhão, no centro-sul do Paraná, diferente de outras regiões do Estado, onde o cereal é plantado no outono e colhido na primavera. Com a adaptação, necessária em função do clima frio, os produtores puderam agregar a cultura do trigo ao esquema de produção, que antes era uma estratégia de poucos. Hoje, o cereal vem ganhando espaço no cultivo de inverno na região, como uma das principais alternativas econômicas da época.

Na fazenda Rio Quadrado, de propriedade do cooperado Ciro Davi Brollini Dellê, o trigo tem uma função essencial no sistema produtivo. O cereal entra no esquema de rotação de culturas e ajuda a manter o solo equilibrado em nutrientes e a quebrar ciclo de pragas e doenças. “O resultado com o trigo tem sido vantajoso. Ganhamos no inverno e, principalmente, no verão, com a soja”, comemora Dellê, referindo-se ao casamento perfeito entre as duas culturas, uma vez que a soja aproveita parte da adubação do trigo. “Assim, reduzimos o custo de produção no verão, sem mencionar a melhor otimização do maquinário, mão-de-obra dos funcionários da fazenda”, destaca.

Dos 740 hectares da propriedade, o cooperado cultiva 500. O restante da área é ocupado com pastagem perene de verão e reservas. O trigo é cultivado em 1/3 da área de soja, a cada ano num talhão. A outra parte das áreas de lavoura é cultivada no inverno com aveia preta e branca e azevém, para pastoreio do gado, que também é uma das atividades da fazenda.

A produtividade média do trigo na fazenda Rio Quadrado tem girado em torno de 3 mil quilos por hectare. “Estamos crescendo a cada safra, principalmente em função da parceria com a Coamo”, disse Dellê. Ele ressalta que a cooperativa tem feito um importante trabalho de adaptação da tecnologia na a região. “Hoje plantamos cultivares específicas para as características da nossa região. Assim, conseguimos produzir melhor com maior qualidade”, argumenta.

TRADIÇÃO – O cooperado Terumi Suzuki, que tem a sua propriedade na região do Serrinho, diz que nunca deixou de acreditar no potencial da cultura do trigo. “Sempre ganhei dinheiro com a cultura”, revela. Tradicional no cultivo do cereal, Suzuki afirma que o trigo é a única opção que tem para não deixar o solo descoberto no inverno, uma vez que a pecuária não faz parte da sua propriedade. “A grande vantagem do trigo é que ele reduz o nosso custo de produção, uma vez que a soja deixa um bom residual para a soja, que é a cultura seguinte. É como uma adubação do sistema”, salienta.

Na propriedade de 435 hectares destinados ao cultivo de lavouras, cerca de 100 é cultivado com o trigo. É a metade do que o cooperado costuma plantar com a soja, no verão. A exemplo de Dellê, a produtividade média de Suzuki é de 3 mil quilos por hectare. No entanto, no ano passado o cooperado bateu todos os recordes de produção, alcançando uma média de 3,7 mil quilos por hectare.

VISÃO DE SISTEMA – Para o engenheiro agrônomo Clodoaldo Medeiros, encarregado do Departamento Técnico da Coamo em Pinhão, os cooperados da região estão optando por alternativas que possam fazer da agricultura um negócio mais rentável. “Eles buscam o sucesso, mas também estão preocupados com a manutenção dos resultados, com uma visão de sistema, mais empresarial”, revela. Segundo Medeiros, esta é uma maneira mais racional de se pensar em agricultura, até porque ela é uma atividade de alto risco. “Então, essa forma de pensar com mais profissionalismo a atividade pode vir a estabilizar melhor a atividade. Assim o produtor pode estar ganhando mais estabilizando o sistema de produção”.

 

Diversificar é a estratégia dos Krüger

FAMÍLIA DE MAMBORÊ UNE RESULTADOS DA AGRICULTURA COM SUCESSO NA PECUÁRIA DE LEITE

A diversificação uma condição indispensável à sobrevivência e à competitividade dos territórios rurais, na medida em que garante a biodiversidade, promove o mercado de trabalho mantendo a população, cria riqueza através de novas oportunidades de negócios e gera dinâmicas em torno de agentes de desenvolvimento local. Diversificar a propriedade é a garantia de a atividade rural em equilíbrio, uma vez que quando uma coisa não vai bem a outra acaba compensando perdas que porventura venham a ocorrer.

Pesando neste equilíbrio proporcionado pela diversificação a família Krüger, de Mamborê, no centro-oeste do Paraná, não perdeu tempo. O cooperado Martinho Krüger é une toda a família em torno do trabalho na propriedade de 90 hectares. Com projetos de ampliar a renda do sítio, ele decidiu implantar novas atividades e incorporou a pecuária de leite ao trabalho na propriedade, que é dividida entre os cultivos de soja e milho, no verão; aveia preta e titicale no inverno.

A mais nova atividade da família é coordenada por Márcia, a esposa do cooperado. Com a mesma dedicação que Martinho dispensa às lavouras, ela toca a atividade leiteira, incorporada ao dia-a-dia da propriedade há sete anos. “Começamos com seis vacas e hoje temos um plantel de 110 cabeças da raça holandesa, sendo que 43 delas estão em lactação”, comemora Márcia. A atividade rende para a família uma produção de mil litros de leite por dia, com média de 23 litros por vaca.

ESTRUTURA ENXUTA - O manejo dos animais é feito com a ajuda de um casal de funcionários mantido no sítio. “Fico de olho em tudo para não escapar nenhum detalhe dos manejos sanitário, reprodutivo e alimentar dos animais”, conta Márcia, entusiasmada. O manejo reprodutivo é um dos diferenciais do trabalho dos Grüger. O controle de natalidade é feito através da coleta de embriões das melhores vacas e inseminação artificial.

Atualmente as despesas básicas da família estão sendo mantidas com a comercialização do leite, que é entregue em um laticínio criado por uma associação, fundada pelos produtores da região.

EMPREENDEDORISMO - O projeto dos Krüger é ir mais longe. Com visão empreendedora e muita vontade de trabalhar, o objetivo da família e chegar as 55 vacas em lactação, com produção de 1.350 litros de leite por dia. “Estrutura pronta já temos para aumentar a produção. No próximo inverno já teremos o aumento do plantel com a nascimento de algumas novilhas e passaremos a produzir mais”, revela o cooperado.

Com a integração das atividades no sítio, o cooperado Martinho Krüger está comemorando. “Estamos ganhando nas duas pontas, o que é fundamental para dar equilíbrio ao sistema de produção”. Segundo ele, para ser um bom produtor de leite é preciso primeiro ser um ótimo agricultor. Ele participou de cursos sobre produção de silagem e de leite e, inclusive esteve recentemente na Alemanha e França, onde visitou propriedades produtoras de leite, cevada e trigo. Sobre o que viu na Europa, Martinho diz que o Brasil não deixa a desejar em nada. “Na atividade de leite estamos iguais ou melhor que os Europeus”, aponta.

Para se manter por dentro das novidades e tecnificados, além das reuniões e palestras periódicas promovidas pela organização leiteira criada por eles na região, os Krüger fazem ainda intercâmbio com outros produtores de verias regiões do Estado do Paraná e Rio Grande do Sul.

 

Ferrugem monitorada

DOENÇA JÁ FOI DETECTADA NO PARANÁ NESTA SAFRA E PREOCUPA TÉCNICOS E PRODUTORES RURAIS

O Paraguai foi a porta de entrada para a ferrugem asiática nos países da América Latina, na safra de 2000/2001. Já na safra seguinte, ela foi detectada em várias regiões do Brasil, como o Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. Na safra passada, a doença trouxe grandes prejuízos para as lavouras brasileiras de soja e, nesta safra, a atenção de técnicos e produtores vem sendo redobrada, diante da iminência de uma infestação rigorosa da ferrugem.

A doença é o assunto do momento no meio agrícola. A preocupação tem base no fato de que as perdas podem ser elevadas, caso o produtor rural não perceba a infestação da lavoura logo no início e, então, faça o controle curativo. “Por esta razão é muito importante monitorar a lavoura, o tempo todo”, recomenda o engenheiro agrônomo Gilberto Guarido, do Departamento Técnico da Coamo em Campo Mourão, no centro-oeste do Paraná. Ele afirma que a identificação da doença no início, ou mesmo um controle preventivo, podem ser a chave para o sucesso da lavoura. “Todas as fases da cultura devem ser monitoradas. Contudo, um dos períodos mais críticos é o do florescimento da planta”, alerta.

Guarido lembra que a região de Campo Mourão já registrou alguns casos da doença, em pequena escala, principalmente com a soja safrinha. O agrônomo deu um bom motivo para o produtor ficar de olhos bem abertos: em Mato Grosso, Goiás e São Paulo já há casos comprovados de lavouras onde a ferrugem já causou estragos”.

Identificar a doença é a maior dificuldade para os produtores. A ferrugem é difícil de ser visualizada e, muitas vezes, quando o produtor percebe os sintomas a lavoura já foi bastante prejudicada. O fungo é facilmente disseminado pelo vento e se espalha rapidamente. “Os maiores problemas estão nas lavouras plantadas tardiamente. A tendência é que a doença se multiplique nas primeiras lavouras e atinja as mais tardias em maior quantidade”, explica.

Uma das recomendações do Detec da Coamo é o teste de germinação. E é justamente por esses canteiros que o monitoramento deve ser iniciado.

 

Coamo e Bayer lançam SOS Soja

Os cooperados da Coamo já podem contar com um importante aliado contra a ferrugem da soja. Recentemente a cooperativa lançou o programa SOS Soja, em parceria com a Bayer. O evento aconteceu na sede da Coamo, em Campo Mourão, e foi prestigiado por técnicos e diretores da Bayer, e da Coamo, além de autoridades estaduais e municipais.

O programa está acontecendo em todo o território nacional com a utilização de 53 unidades laboratoriais, espalhadas em todas as regiões produtoras de soja do Brasil, para o diagnóstico da doença. Os chamados Centros de Diagnósticos, estão equipados com lupas bioculares, manipuladas por pessoas treinadas, que podem identificar não somente a ferrugem como outras doenças da lavoura.

Ao produtor, cabe apenas monitorar a lavoura, recolher as folhas suspeitas de infecção, principalmente da parte de baixo da planta, que é onde normalmente a doença ataca. Depois, ele deve colocar as folhas em um saco plástico, limpo e seco. O procedimento pode ser feito em qualquer local na área de ação da Coamo e o material deve ser entregue, devidamente identificado, no Detec dos entrepostos. Posteriormente esse material será encaminhado ao laboratório, na sede da Coamo, para a análise.


 Página Inicial   Índice Geral