Os 20 anos
da Coamo em Santa Catarina
COOPERATIVA
SE TORNOU "GUARDA-CHUVA" DO PRODUTOR CATARINENSE E CONSOLIDA
SUA ATUAÇÃO NO OESTE DO ESTADO
Dezenove de outubro de 1984
é uma data que ficará marcada para sempre na memória
dos produtores rurais do extremo-oeste de Santa Catarina. É
que há exatamente 20 anos a Coamo se instalava na região,
estabelecendo uma nova etapa na vida da comunidade e na economia
do Estado. A incorporação da antiga Cooperal a princípio
soou estranho para os agricultores catarinenses. Muitos já
tinham ouvido falar da Coamo, mas não conheciam filosofia
de trabalho da cooperativa. “É natural, depois que
você passa por experiências frustradas dentro do sistema,
como aconteceu conosco”, lembra o cooperado Selvino Pastore,
de Abelardo Luz, onde a Coamo iniciou as suas atividades. No município
há mais de 30 anos, ele se recorda bem daquela época.
“Não tínhamos esse ‘guarda-chuva’
que é a Coamo para nós”, comemora, salientando
que logo nos primeiros negócios os agricultores já
sentiram a diferença da Coamo. “Desde o início
a nossa relação foi de parceria e quando as duas partes
ganham a tendência natural é de que ela seja cada vez
mais fortalecida”, valorizou.
Como Pastore, a maioria dos agricultores da
região são descendentes de imigrantes europeus. Famílias
dedicadas ao trabalho de sol a sol, rumo ao desenvolvimento. Assim,
com projetos voltados ao incremento da produtividade, renda e qualidade
de vida da família rural, a Coamo preencheu por completo
os anseios da comunidade regional. “Desde o início
fomos muito bem recebidos pelos agricultores catarinenses, que são
parte importante na história de vida da Coamo”, considera
o engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor
presidente da Coamo. Catarinense de Brusque, ele comemora junto
com os produtores o sucesso da Coamo na região de Abelardo
Luz e Ouro Verde, São Domingos e Iguaçu. “São
20 anos de muito trabalho, aliando a uma administração
eficaz, com planejamento e visão estratégica”,
disse o presidente da Coamo, aproveitando para agradecer o apoio
da equipe de funcionários envolvida e comprometida com os
bons resultados e a grande participação dos cooperados
no dia-a-dia da cooperativa.
APRENDENDO COM A COAMO
– Quando chegou a Santa Catarina a Coamo trouxe, além
da sua experiência de sucesso no cooperativismo do Paraná,
o que havia de mais moderno em tecnologia de produção,
além de apoio profissional, creditício e suporte na
área de insumos, máquinas e implementos agrícolas.
“Somente tudo o que não existia por aqui!”, exclama
o cooperado Altair Tamanho, de Ipuaçu. Na região há
43 anos, ele acompanhou de perto o desenvolvimento da agricultura
regional e admite: “aprendemos tudo com a Coamo, que foi uma
verdadeira mãe para todos nós”.
Com a chegada da Coamo a agricultura da região
experimentou algo que nunca tinha visto. “Foram anos de exploração
e sofrimento que, felizmente, terminaram depois que a Coamo chegou
aqui”, emenda o cooperado Reni Frigo Bortoli, de São
Domingos. Ele trabalha na agricultura há 33 anos e quando
apostou na parceria com a Coamo percebeu, logo no primeiro contato,
que tinha feito a escolha certa. “Implantei a cultura da Coamo
na minha vida e na vida da minha propriedade. Só ganhei com
isso”, comemora.
OLHOS DE QUEM CONHECE
– Também pioneiro na região o cooperado Juarez
Martins, de Abelardo Luz, foi um dos defensores do projeto para
trazer a Coamo para Santa Catarina. E não poderia ser por
menos: ele já conhecia a cooperativa, da qual fazia parte
como sócio em Palmas (sul do Paraná). “Não
foram só os agricultores que ganharam com a chegada da Coamo.
A região teve, talvez, a maior vantagem, uma vez que em cidades
pequenas como as nossas, quando a agricultura vai bem tudo vai bem”,
destacou. Martins, que dedicou parte da fazenda, que antes explorava
basicamente a pecuária, para o cultivo de lavouras, lembra
que a Coamo foi fundamental para o crescimento tecnológico
de todos os agricultores. “Além de que ela regulou
o nosso mercado e afastou de vez o sentimento de falta de apoio
ao nosso negócio, colocando a disposição o
verdadeira cooperativismo, voltado ao desenvolvimento comunitário”.
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Tecnologia na bagagem
Dos campos nativos para solos altamente
produtivos. Das dificuldades ao sentimento de vitória.
Da frustração ao sucesso. Este pode ser o resumo
da realidade agropecuária do extremo-oeste de Santa
Catarina antes e depois da Coamo ter se estabelecido na região.
Hoje, os solos regionais estão entre os mais valorizados
do Estado, principalmente em função do avanço
alcançado pelos agricultores e pecuaristas, o que torna
a região um destaque no agronegócio catarinense.
Depois de duas décadas, os personagens
desta história lembram das dificuldades que fazem parte
do passado e comemoram as mudanças nos conceitos de
trabalho e o progresso proporcionado pela novo panorama agrícola.
As lavouras da região
são conduzidas com alta tecnologia e as produtividades
obtida pelos cooperados da Coamo consolidam o importante trabalho
de assistência preconizado e difundido pela cooperativa.
Uma
prova dessa expressão e evolução está
em Abelardo Luz, que é considerada a Capital Catarinense
da Semente de Soja. O município possui uma área
plantada de 38 mil hectares e na safra 2003/2004, registrou
a maior produtividade de milho da área de ação
da Coamo e seguramente uma das melhores do Brasil, com 9.900
quilos por hectare.
INFORMAÇÕES
MAIS RÁPIDAS – A Coamo facilitou a chegada
das informações aos produtores rurais da região.
Na época (20 anos atrás) algumas tecnologias
já existiam mas não chegavam até o campo
por razões de desconhecimento das empresas e ainda
por falta de profissionais da assistência técnica.
Segundo o Detec da Coamo em Abelardo Luz, houve, acima de
tudo, um aperfeiçoamento da tecnologia para a realidade
regional.
Até a instalação
definitiva da Coamo no extremo-oeste de Santa Catarina a região
desconhecia o plantio direto, a rotação de culturas
e a própria correção da acidez do solo.
A cooperativa trabalhou com a necessidade dos produtores da
região e implantou tecnologias como a conservação
e o equilíbrio da fertilidade do solo, controle químicos
e materiais adaptados para o cultivo regional. Toda a tecnologia
foi testada e aprovada pelos cooperados, ao longo dos anos,
através de eventos técnicos realizados pela
cooperativa. |
Cooperados têm sentimento
de gratidão
A familiaridade com o sistema cooperativista
não é a única coincidência entre os cooperados
Altair Tamanho, de Ipuaçu; Reni Frigo Bortoli, de São
Domingos; Selvino Pastore e Juarez Martins, de Abelardo Luz. Eles
também têm histórias parecidas quando o assunto
é evolução. Todos cresceram com apoio da Coamo,
sobretudo depois que a cooperativa se instalou no extremo-oeste
de Santa Catarina.
Altair Tamanho conta que quando fala
da Coamo o seu sentimento é de gratidão. “Aprendi
muito, não só a trabalhar com a lavoura como a gerir
os negócios da minha propriedade”, afirma. Ele diz
que não imagina, hoje, a sua vida sem a cooperativa. “Certamente
ficaria perdido com os negócios, uma vez que eles são
todos feitos em parceria”. A propriedade de Tamanho fica ao
lado do entreposto da Coamo em Ipuaçu. O cooperado planta
135 hectares de área, sendo parte arrendada. A sua produtividade
média é de 55 sacas por hectare de soja e 170 sacas
por hectare de milho.
DA MADEIRA PARA A SOJA
- Com o fim do extrativismo vegetal em São Domingos o cooperado
Reni Frigo Bortoli decidiu apostar na agricultura. O começo
não foi fácil. A falta de experiência e de apoio
levaram Bortoli a realizar vários negócios frustrados.
A chegada da Coamo deixou o cooperado receoso, mas logo ele percebeu
que o diferencial da cooperativa estava no apoio ao seu cooperado.
“A assistência
técnica e o tratamento igualitário foram os grandes
diferenciais da Coamo. Foi quando decidi que a nossa parceria seria
mais forte a cada dia”, salienta. Bortoli foi um dos primeiros
cooperados da região a equilibrar a fertilidade do solo da
sua propriedade. “Fiz em toda a área, de uma só
vez. Foi a melhor decisão que já tomei. Aumentei a
minha produtividade em 35% no primeiro ano, o que foi suficiente
para pagar todos os investimentos”, comemora. “A Coamo
é a grande parceira dos agricultores da região. Se
não fosse ela não sei o que seria de nós”.
Quando se associou à Coamo, o cooperado possuía
50 hectares de área e hoje é propriedade de uma área
de 260 hectares. A produtividade média de Bortoli, nos últimos
3 anos, é de 60 sacas por hectare de soja e 165 sacas por
hectare de milho.
ATIVIDADES INTEGRADAS
- Apesar de um passado familiar ligado à agricultura o cooperado
Selvino Pastore chegou em Abelardo Luz, há 30 anos, para
trabalhar no comércio. Cresceu junto com o município
e seguindo a tradição da família migrou para
a agricultura, sem abandonar as atividades comerciais. O início
na agricultura e na pecuária praticamente culminou coma chegada
da Coamo à região. “Fiquei
muito feliz com a notícia porque já conhecia o sistema
cooperativista e tinha ouvido falar muito bem da Coamo”, assegura.
Ele foi um dos primeiros associados. “A maneira da cooperativa
trabalhar me seduziu. Fui adquirindo confiança e cresci junto
com ela”. A informação repassada ao cooperado
é apontada por ele como a principal ferramenta da Coamo.
“Acredito que o nosso incremento produtivo é influência
direta da Coamo, que implantou as tecnologias certas para o nosso
sistema de produção. Não há como pensar,
hoje, em ficar sem essa parceria. Ficaríamos desamparados,
novamente”, argumenta. Pastore possui uma propriedade de 580
hectares, divididos entre lavouras, pastagem e reservas. A agricultura
ocupa mais da metade da fazenda e a produtividade alcançada
pelo cooperado na última safra de verão foi de 53
sacas de soja por hectare e 170 sacas de milho por hectare. A pecuária
de corte também é explorada na fazenda. Pastore cria
gado Charolês e possui 220 cabeças.
TRADIÇÃO
- Segunda geração de uma família tradicional
em Abelardo Luz o cooperado Juarez Martins é um pioneiro
na exploração agrícola na região. A
pecuária sempre foi a atividade principal da fazenda. A agricultura
foi incorporada aos negócios da família há
40 anos. Eles tiveram que importar máquinas e implementos
dos Estados Unidos. “A tecnologia disponível era pouca,
na época, o que não ajudava no cultivo das lavouras.
Por isso
a pecuária era a atividade mais comum na região”,
lembra Martins, cuja família explora a pecuária extensiva
há mais de um século. Ele se recorda da chegada da
Coamo a Abelardo Luz. “Foi uma euforia, porque a quebra da
cooperativa anterior deixou o cooperativismo da região com
um conceito ruim. Entretanto, a receptividade dos agricultores em
relação à Coamo foi muito positiva”,
salienta. O cooperado confirma que houve uma grande evolução
no setor rural da região depois que a Coamo chegou a Santa
Catarina. “Ela ajudou a consolidar a produção,
em todas as áreas”, valoriza.
O cooperado cultiva cerca de 800 hectares
de área na fazenda em Abelardo Luz. A produtividade média
de Martins, alcançada na última safra, é de
60 sacas de soja por hectare e 150 sacas de milho por hectare. A
família também é pioneira na exploração
do sistema integrado lavoura e pecuária. A pecuária
da fazenda é especializada na raça charolesa, com
mais de 80 anos de seleção.
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"Impedir
a transgênia é um grande retrocesso", diz
Osmar Dias
Para o senador da República, agricultor
e cooperado da Coamo, Osmar Dias, o cooperativismo é
um importante instrumento para viabilização
do agronegócio e do desenvolvimento social e econômico
do país. Falando aos produtores rurais e líderes
cooperativistas, no encontro em Goioerê, Dias fez um
relato da atuação da Freencop – Frente
Parlamentar Cooperativista, da qual é atualmente, vice-presidente,
no Congresso Nacional.
É de sua autoria a lei
que moderniza o cooperativismo brasileiro, que está
tramitando no Senado, aguardando votação. A
mesma
situação ocorre com a lei de Biossegurança,
aprovada no Senado e aguardando para ser votada na Câmara
dos Deputados. “No Paraná, o governo está
adotando uma postura equivocada em relação aos
transgênicos, que está sendo tratado de forma
política e não técnica, como deveria
ser. Atualmente existem diversas variedades de transgênicos,
cada uma atendendo a características diferentes como
resistências a insetos, seca, entre outras”, disse.
Para o senador, a transgênia é uma técnica
que vai permitir resolver problemas na produção
e no abastecimento. “Impedir a transgênia é
um grande retrocesso. Ela é um direito do produtor
rural paranaense que deve ser igual ao dos demais produtores
brasileiros. Trata-se de uma lei federal e o Paraná
não pode ter tratamento diferente dos outros estados”,
lamentou.
Sobre o cooperativismo paranaense,
Osmar Dias destacou a importância do trabalho desenvolvido
pela Ocepar, cooperativas e cooperados, afirmando que o cooperativismo
do Paraná é um dos mais modernos e organizados
do país. “O agronegócio brasileiro ganhou
um grande destaque no mercado mundial e isso se deve muito
ao cooperativismo paranaense e brasileiro”, valorizou. |
Encontro reúne cooperativistas
OCEPAR AVALIA DESEMPENHO DO
COOPERATIVISMO EM 2004
Cerca de mil produtores rurais estiveram
reunidos no dia 19 de novembro, em Goioerê, no
centro-oeste do Paraná, durante encontro do Núcleo
Cooperativista Noroeste/Norte, da Ocepar – Organização
e Sindicato das Cooperativas do Paraná, com apoio do Sescoop
– Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo.
O evento teve como objetivo avaliar os resultados alcançados
pelo sistema cooperativista em 2004 e projetar as ações
para o próximo ano.
Coordenado pelo presidente do Sistema
Ocepar/Sescoop, engenheiro agrônomo João Paulo Koslovski,
o encontro contou com a participação do senador, agricultor
e cooperado da Coamo, Osmar Dias, atual vice-presidente da Frencoop
– Frente Parlamentar Cooperativista, no Congresso Nacional.
EVOLUÇÃO
– Koslovski afirmou que o faturamento do setor cooperativista
atingirá este ano um total de R$ 18 bilhões. Os números
do cooperativismo paranaense mostram uma evolução
crescente e a consolidam, segundo ele, o eficiente trabalho realizado
em diferentes segmentos da economia estadual. “O nosso cooperativismo
responde por 18% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, representando
a eficiência e a excelência de um sistema que beneficia
mais de um milhão de pessoas. O cooperativismo paranaense
está dando um banho de competência, cada vez mais moderno
e profissional, conquistando efetivos avanços e propiciando
melhor remuneração e qualidade de vida aos cooperativistas”,
argumentou.
Segundo o presidente da Ocepar/Sescoop,
as cooperativas do Paraná devem exportar este ano um total
de US$
1 bilhão (em 2003, o volume das exportações
das cooperativas do Paraná atingiu US$ 800 milhões),
dos quais 30% provenientes das exportações realizadas
pela Coamo. A transformação da matéria prima
em valor agregado, na opinião de Koslovski, beneficia diretamente
mais de 100 mil produtores rurais, que tem nas cooperativas, importantes
agentes de desenvolvimento para a defesa dos seus interesses econômicos
e sociais.
METAS – Para
2005, o presidente da Ocepar prevê ampliação
no trabalho de capacitação, formação
e treinamentos de cooperados, dirigentes e colaboradores, além
da obtenção de maiores volumes de recursos para a
agroindustrialização visando o incremento nas exportações. |