Reunir o gado na mangueira faz parte da rotina diária do pecuarista. É uma prática cultural, que no caso dos animais de corte possui um objetivo específico: o manejo sanitário do rebanho. Longe de ser penoso, o trabalho é quase como um ritual, revelando tradições que atravessam gerações na lida dos profissionais da fazenda com os animais. Ações que, na pecuária moderna, somam-se ao profissionalismo dos criadores. Mais conscientes da importância de tratar a criação com uma visão empresarial, os produtores acompanham o crescimento vertical da atividade, fazendo apenas a lição de casa.
Entre as muitas atribuições do pecuarista, seguir a risca o calendário profilático para os animais é uma das estratégias. Na fazenda de Roseli Vonsovski, cooperada da Coamo em Peabiru (Centro-Oeste do Paraná), não há descuidos com o manejo sanitário dos animais, “como também não abrimos mão de levar a sério os manejos reprodutivo e nutricional dos animais”, afirma. A consciência fala mais alto no seio da família Vonsovski, toda dedicada à agropecuária. “Não existe razão para trabalharmos diferente, se conhecemos a maneira correta de fazer a nossa atividade render”, argumenta a cooperada.
Distância da aftosa – A reportagem do Jornal Coamo visitou a fazenda da família Vonsovski durante a campanha de vacinação contra a febre aftosa. O trabalho levou um dia inteiro para ser concluído, em razão da quantidade de animais e, principalmente, pelo cuidado com que a imunização foi realizada. “Não há razões para correria. Num trabalho como este, a atitude do criador e dos profissionais que estão lidando com o rebanho é fundamental para evitar um estresse muito grande dos animais e garantir uma boa resposta dos medicamentos aplicados”, salienta o medido veterinário Hérico Alexandre Rossetto, do Detec da Coamo em Campo Mourão, também no Centro-Oeste do Paraná.
Durante o manejo do gado, na fazenda dos Vonsovski, além da vacina contra a aftosa também foi aplicada uma dose contra o carbúnculo, outra doença preocupante e que pode causar baixas no rebanho. “A nossa estratégia é simples: vacinamos por etapa. Primeiros os bezerros, depois as vacas e novilhas e, por fim, os touros”, destaca Roseli. “A meta é manter os animais longe das doenças, principalmente da aftosa. Temos plena consciência da importância da campanha e fazemos a nossa parte, na esperança de que todos os demais criadores também façam, para erradicarmos a aftosa de uma vez por todas”, sustenta a criadora.
Papel social – O médico veterinário Adriano Regiani Pereira, do Detec da Coamo em Mamborê (Centro-Oeste do Paraná), lembra que a consciência dos criadores é muito importante, “uma vez que estarão cumprindo, também, um papel social, ajudando o Paraná a se manter livre da doença, que recentemente trouxe inúmeros prejuízos para o setor, sobretudo para as exportações de bovinos e suínos”.
Ele destaca que a campanha contra a aftosa teve como meta, no Paraná, de imunizar 100% do rebanho, estimado em 10 milhões de cabeças de bovinos e bubalinos. “Depois de vacinar os animais, os criadores devem comprovar a realização do trabalho junto às regionais da Secretaria de Agricultura”, orienta Pereira.
A preocupação com o avanço de casos de raiva herbívora no Paraná fez com que a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) desencadeasse uma campanha para conscientizar a população rural e urbana sobre os perigos e as formas de se evitar a doença. Para os casos de raiva herbívora, o Paraná é divido em 20 regiões, sendo que em 36 municípios, de 13 regiões, já existem casos confirmados de raiva em bovinos. A maior preocupação é de que a doença possa atingir as pessoas, no campo ou nas cidades.
Em Campo Mourão, criadores, médicos veterinários, estudantes participaram de uma palestra para divulgar o programa de controle da doença no Estado. O evento foi realizado dia 27 de outubro, no Recanto do Criador, com a presença da coordenadora do programa, Elzira Jorge Pierre. Ela anunciou uma campanha de vacinação de bovinos contra a raiva, ocorrida juntamente com a de aftosa.
O encontro também contou com palestra do médico veterinário Paulo de Araújo Guerra, da Secretaria de Saúde do Paraná. Ele falou sobre o tratamento da doença, pré e pós-exposição. Segundo ele, as pessoas expostas a animais com raiva devem ser encaminhadas ao setor municipal de saúde.
Nesse ano, segundo a Seab, 142 bovinos morreram vítimas da raiva herbívora no Paraná.