O sorriso fácil e a propensão para o trabalho são características que distinguem o cooperado José Carlos Malaquinas, de Bragantina, no Oeste do Paraná. Mais velho de uma família de quatro irmãos, ele soube usar bem as suas qualidades quando o assunto crescer na profissão do seu pai: a agricultura. Aproveitando as oportunidades da vida, ele passou de empregado em diversos sítios a dono de suas próprias terras. Uma história de lutas e realizações, com um destino selado por uma amizade sincera.
O ambiente é a região do Rio Alívio, onde o jovem Malaquias teve a sua primeira oportunidade, ao iniciar a sua trajetória como funcionário de uma propriedade local. Durante dez anos, ele foi o responsável pelas atividades do sítio. Até que, com a mudança do antigo patrão para o Mato Grosso, José Malaquias se viu diante da segunda oportunidade: o arrendamento da propriedade. Ele não pensou duas vezes. Encarou o novo desafio e, aos poucos, com o rendimento do trabalho, foi adquirindo os talhões do sítio.
Relação de confiança – “Penso que não foram por acaso que as oportunidades me foram dadas”, analisa o produtor. Ele conta que o antigo patrão também começou por baixo, e hoje emprega mais de 200 pessoas. “Ter-minei de pagar o sítio, de 24 alqueires, há três anos. E depois disso já adquiri mais 10 alqueires”, comemora.
O sentimento do cooperado é de alegria por ter alcançado tantas conquistas, junto com a esposa Maria e os filhos Fabiano e Adriane. “Tem dias em que acordo e ainda não acredito em tudo o que está acontecendo. Mas tenho a consciência do merecimento, porque a minha vida sempre foi baseada no trabalho, honestidade e humildade”, destaca Malaquias. Sobre o apoio que recebeu do antigo patrão, ele acredita que foi um reconhecimento. “Nossa relação sempre foi de amizade, nunca de empregado e patrão. Esta condição inspira confiança e me fez tê-la como espelho”, valoriza.
Novas atividades – Hoje, entre terras próprias e arrendadas, o agricultor cultiva 64 alqueires, com as opções de soja de no verão e milho safrinha no inverno. As produtividades médias do co-operado, nas últimas três safras, têm girado em torno de 110 sacas por alqueire de soja e 180 de milho safrinha.
Neste ano, Malaquias plantou parte da área com milho, objetivando iniciar um sistema de rotação de culturas. “A idéia é incrementar a produtividade da soja, usando o milho para quebrar o ciclo de pragas e doenças, e também garantir um bom resultado com o cereal”, informa o engenheiro agrônomo Álvaro Ricardo Moreira, do Detec da Coamo em Bragantina.
A bovinocultura de leite é uma atividade que ajuda a complementar a renda da família. Quem toma a frente do trabalho é a dona Maria. Ela cuida das vacas do plantel e faz as retiradas do leite. São 12 vacas no total, sendo que cinco estão em lactação. O rendimento médio de leite é de 80 litros por dia.
Orgulho – Quando a Coamo chegou à Bragantina o cooperado José Malaquias foi um dos primeiros a se tornar sócio. “Não vou negar que tinha um pouco de medo, por causa das outras co-operativas que passaram pela região. Mas, tudo que ouvia falar da Coamo se concretizou e sempre tivemos um excelente suporte para a nossa produção”, come-mora.
Outro orgulho do cooperado é ver os filhos crescer sem a preocupação que ele tinha quando era jovem: trabalhar de empregado para sobreviver. “Apesar de eu ter passado por esta experiência com sucesso, sei o quanto é difícil vencer. Por isto, tento ensinar a eles o valor de tudo, para que possam ir mais além de onde estamos hoje”, teoriza José Malaquias.
A família Belinato é uma das mais antigas em Barbosa Ferraz, região Centro-Oeste do Paraná. A história da sua chegada na região deu-se no final da década de 40, mais precisamente em 1948, quando o patriarca Joaquim Belinato veio de Ibiporã, região Norte do Paraná, para conhecer as terras da região e adquiriu uma área de 5 alqueires. Mas de 1948 a 1954 ele não tocou suas terras, e tudo continuou como estava, cheio de muita mata, uma das características na época. “Em 1954 o meu pai veio sozinho e abriu 5 alqueires, tudo era sertão e a estrada era muito ruim, só para se ter uma idéia a gente demorava um dia para andar 70 km”, diz o filho Estevam Belinato, cooperado da Coamo desde abril de 1978, inicialmente em Engenheiro Beltrão e depois em Barbosa Ferraz com a chegada da cooperativa em setembro de 1979. Ele é um dos seis filhos do casal Joaquim e Sebastiana e contava com 13 anos de idade quando chegou junto com eles à região. “Chegamos com um burrinho, duas vacas de leite, três bezerros e um boi, e como não tinha pasto os animais eram tratados na mão. Sozinho ele plantou 1.800 pés de café, tudo era muito sofrido. Os mais jovens não fazem a menor idéia das dificuldades da época.”, lembra.
Ao lado da esposa Terezinha e dos filhos Eliseu, Edson e Leandro, Estevam, mineiro de Monte Sião, planta uma área de 100 alqueires, e tem na soja o principal negócio da atividade agrícola. “Na safra passada, mesmo com os problemas de estiagem colhemos uma média de 116 sacas de soja por alqueire e há 3 anos, com condições favoráveis, a nossa colheita atingiu médias entre 139 e 142 sacas”, comenta o filho Osvaldo Eliseu Belinato.
“Eles têm grande interesse e estão fazendo sempre o melhorar para incrementar suas tecnologias e produtividades, e não perdem de vista o foco na sua produção”, comenta o engenheiro agrônomo César dos Santos Ferreira, do Detec da Coamo em Barbosa Ferraz, responsável pela assistência à família, que cedeu uma área para realização de experimentos da lavoura de milho, cuja demonstração está programada para o final de janeiro de 2007 em dia de campo na propriedade.
O espírito empreendedor e cooperativista é destacável no dia-a-dia da família, fruto da força da união, harmonia e do trabalho incansável no sitío São José, na localidade de São Judas Tadeu, a poucos quilômetros de Barbosa Ferraz, município que tem como padroeira Santa Rita de Cássia. Neste local eles residem desde a sua chegada no início da década de 50.
A esperança em dias melhores após alguns anos com problemas de estiagem e preços, com aposta em uma colheita de boas produtividades faz parte dos sonhos e planos da família Belinato. “Estamos saindo de uma grave crise, mas a redução nos custos dos insumos indicam que teremos uma boa safra. Precisamos continuar a investir em nossa lavoura que é o nosso negócio. A única coisa que não podemos cortar é adubo e adubo é um insumo que não se reduz, pois com ele temos tecnologia e produtividade” ressalta o filho Edson.
A distribuição das tarefas e organização das atividades são aspectos que auxiliam o sucesso da família. “Na divisão das atribuições sou responsável pela dessecação e aplicação de defensivos e o Edinho (Edson) pela planta e colheita”, explica o filho Eliseu. O cuidado e a administração dos custos recebem muita atenção dos cooperados, que utilizam o programa de gestão Ocepar 4 e sabem o custo de cada talhão (medido por GPS) e assim, conhecem a fundo a realidade do seu negócio.
A participação da família na comunidade e na Coamo impulsiona o êxito da cooperação e do cooperativismo na prática.“Tudo começou quando tinha 17 anos e já participava dos eventos na comunidade. Desde quando me associei à Coamo faço questão de não perder um evento sequer. Quanto mais nós participamos mais crescemos e ficamos por dentro das novidades”, explica ‘seo’ Estevam, acrescentando que sua esposa tem grande presença e liderança na organização dos cursos promovidos pela Coamo há dezenas de anos em São Judas Tadeu, para esposas e filhas de outros cooperados.
Perguntado sobre qual legado os produtores mais experientes deixam para os mais novos, ‘seo’ Estevam responde com a convicção de um cooperativista praticante e o orgulho de ser cooperado da Coamo: “quando chega-mos aqui não existia animal, era tudo na enxada, e tínhamos muita disposição. Hoje é bem diferente. Antes era muito para uma família tocar 2 alqueires e hoje 100 alqueires é pouco. Precisamos continuar fazendo o possível e nunca fazer o que não pode. Mas, acima de tudo devemos preservar o nosso nome, pois na verdade, cada um faz o seu crédito e colhe o que planta na vida”.