Mais de dois mil cooperados da Coamo já iniciaram o preenchimento do caderno de anotações do Programa Coamo de Aperfeiçoamento em Gerenciamento Rural, o “Na Ponta do Lápis”. Em outubro, foram promovidos treinamentos em todas as unidades com objetivo de orientar os procedimentos para o correto preenchimento dos custos de produção e das despesas da propriedade e familiar. Seis mil pessoas, entre cooperados e familiares, participaram dos eventos e já estão na prática anotando a movimentação das atividades relacionadas à lavoura e pecuária, englobando também as despesas internas, consideradas “invisíveis” que, nem sempre eram possíveis de ser anotadas e mensuradas dentro do planejamento e orçamento familiar.
Despesas invisíveis – “O programa Na Ponta do Lápis chegou em boa hora. Com ele, agora vamos saber quais são as nossas despesas invisíveis, o que nem sempre sabíamos”, destaca o co-operado Luiz Valdir Lopes, de Palmital, região Central do Paraná. Mais conhecido como “Vade”, o produtor mora há 30 anos na região e tem na pecuária de corte o seu principal negócio, de onde tira o sustento para sua família. O plantel da fazenda é de 400 cabeças. “Este programa veio incrementar o controle dos custos de produção”, informa. Ao lado do filho José Edenilson, também cooperado, Vade administra uma área de 80 alqueires, dos quais são 50 reservados para pastagem e outros sete para o plantio de duas safras de milho (setembro e janeiro), visando a produção de silagem, e de aveia e azevém, no inverno, em consórcio.
Há oito anos, a família Lopes começou o sistema de confina-mento diminuindo o tempo de permanência do gado na propriedade, além de incrementar a qualidade visando agregar maior valor ao produto final e obter giro de capital de forma rápida e constante. “Começamos engordando seis bois com cana e depois aumentamos para 40. Hoje chegamos a um bom estágio. O segredo de tudo é trabalhar e trabalhar, ter organização, controle e fazer tudo bem feito na ponta do lápis”, ensinam.
O filho de Lopes, também está implantando o mais novo programa da Coamo na Fazenda São Luiz, administrada pela família. “Para quem não tinha controle e custo no papel esse programa vai ajudar muito. Para quem já fazia ou tinha alguma noção ele vai auxiliar também a ver como está o desenvolvimento dos negócios. O bom do programa é que no fechamento vamos ter a base para saber como estão as atividades e o controle administrativo. Assim, será possível decidir sobre onde, como e quando realizar os investimentos”, considera. Dona Shirley, esposa do “seo” Vade, que diz que agora irá saber quais são as despesas invisíveis. “Nós não anotávamos estas despesas, e por elas não aparecerem podem fazer a diferença. Agora, vamos saber aonde vai o dinheiro e de quanto é o nosso lucro”.
Os Lopes são exemplo de eficiência na gestão rural na região de Palmital.“Eles estão atentos as novidades, tomam as decisões da maneira correta e mostram que no sistema de confinamento não é necessário ter grandes áreas, mas sim tecnologia, trabalho, diversificação e um bom gerenciamento rural, que são essenciais para o sucesso também na pecuária”, argumenta o agrônomo Lucas Moreira, do Detec da Coamo em Palmital.
Em Boa Ventura de São Roque, também no Centro do Paraná, o “Na Ponta do Lápis” ganhou a adesão do jovem casal Otto e Juliana, filhos das famílias Rickli e Hammel – cooperativistas tradicionais na região, é um dos muitos entusiastas do programa de gerenciamento rural lançado pela Coamo. “A nossa cooperativa é muito organizada e se preocupa muito conosco. Assim, esta ferra-menta vem ao encontro das nossas necessidades e com ela vamos controlar e identificar de maneira clara e transparente os nossos custos variáveis de produção e também as despesas invisíveis”, afirma Otto Rickli, que administra mais de 100 hectares, plantando 78 com soja e 25 de feijão, além de trabalhar com pecuária de corte.
O cooperado vem investindo em tecnologia para aumentar suas produtividades. “Na safra anterior, ele colheu 114 sacas de soja por alqueire e 350 sacas de milho e nas lavouras desta nova safra pretende superar as produções dos anos anteriores”, informa o agrônomo Paulo Nedes de Souza Peres.
Rickli lembra que o controle faz parte da sua vida, desde os tempos de criança quando ajudava seus pais nas criações de frango. “Eu fazia o controle e sempre gostava de levar tudo anotadinho, mas não marcava tudo e as contas não fechavam. Com esse programa da Coamo agora vai. Ele é o que faltava para nós”, garante, acrescentando que o apoio da esposa Juliana, recém-graduada em Administração Rural, tem sido decisivo para iniciar muito bem o Na Ponta do Lápis.
Para não perder de vista nenhum custo ou despesa, eles tiveram uma idéia simples e funcional: colocaram um caderninho em cada um dos três veículos que utilizam no dia-a-dia (trator, caminhão e utilitário), para anotações diárias. Estas, ao final do dia, são repassadas à Juliana, responsável pelo preenchimento do caderno. “Esse sistema está funcionando muito bem e desta forma, sabemos o dia-a-dia da nossa propriedade. É uma idéia simples, mas exige disciplina e que seja feito todo dia, pois se nós não anotarmos podemos nos perder nas contas. Então, temos que ter muita determinação e anotar tudo, inclusive as despesas in-visíveis que são pagas na verdade com o lucro da nossa lavoura. Ela é uma empresa a céu aberto, de onde tiramos o sustento para plantar e viver”, disse.
A avaliação periódica dos resultados na atividade é apontada como fundamental pelo cooperado para o sucesso da empresa rural. Segundo ele, não é preciso chegar ao final da safra para corrigir os rumos da atividade. “Anotando e controlando, fica-mos sabendo como estão indo os negócios e temos a noção exata do recursos. Na lavoura não é só plantar e colher, temos que ter uma visão global e crescer sempre”, diz Otto Rickli.