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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 367 | Novembro de 2007 | Campo Mourão - Paraná

Agricultura / Pecuária

Mais renda com consórcio de atividades

Em Palmital, o cooperado Thomas Melnik aposta na integração e melhora resultados na pecuária de leite e na lavoura

Quando começou a implantar o sistema de integração lavoura-pecuária, a família Melnik, de Palmital, na região Central do Paraná, não esperava resultados tão rápidos e surpreendentes. O co-operado Thomas Melnik é quem tomou frente nas decisões e tem o auxílio do irmão, José Eugênio e das irmãs, Andréia e Vera, que são responsáveis pela ordenha das vacas. O patriarca da família, André Melnik, ajuda no que pode. Incentivado pelo Detec Coamo ele resolveu apostar na tecnologia e não se arrependeu. Na pequena propriedade de 13,7 alqueires localizada na comunidade conhecida como Vila Burey, Thomas e a família cultiva 3,5 alqueires com milho, no verão, outros cinco são destinados à pastagem – que serve para alimentação das 24 vacas leiterias que possui, sendo 17 em lactação, e o restante da área para reserva florestal. “No início eu plantava aveia nas áreas de pastagens, no inverno, mas não fazia o manejo correto e mesmo assim houve uma grande melhora”, reconhece o cooperado, lembrando que na região as pastagens são praticamente eliminadas nesta época do ano, em razão das baixas temperaturas. Ele revela que o interesse em adotar o esquema surgiu depois de participar de um evento técnico promovido pela Coamo, que tratou sobre o tema. “Vendo os bons resultados, procurei o Detec da Coamo que me incentivou e orientou sobre a melhor forma de obter resultados com a integração, utilizando o processo de lavoura-pecuária completo e deu certo”, agradece. Hoje o cooperado faz o manejo da pastagem no verão, da aveia no inverno e os corretos tratos sanitários do rebanho, conduzindo tudo de acordo com as recomendações técnicas. Antes de implantar o sistema toda a área foi corrigida e preparada para receber as sementes.

Esquema – Por enquanto, o coperado plantou capim Mombaça em um alqueire e Tifton em mais um alqueire, onde fez correção de solo e piqueteamento da área. Também faz adubação de cobertura, respeitando a altura da forrageira para entrada e saída dos animais. Dentro do manejo ainda, foi implantado um alqueire de cana-de-açúcar, que serve para suplementação entre o término da pastagem de verão e inicio do pastoreio na aveia e azevém. No verão as lavouras de soja e milho entram nessa área de pastoreio no esquema de rotação de culturas.

Resultados – Mesmo tendo iniciado o trabalho há pouco tempo (cerca de um ano) os resultados já são observados pelo produtor. Enquanto no sistema anterior ele colocava  cinco animais por alqueire para o pastejo, hoje essa carga subiu para 12 animais, no mesmo espaço. Na lavoura também já houve melhora. No verão passado a produtividade de milho foi de 380 sacas por alqueire, superando a média do cooperado com o cereal, que girava em torno de 300 sacos. “Antes, a pastagem não tinha adubação e por isso não produzia massa, prejudicando diretamente o rendimento dos animais. Isso refletia na produção de leite que não passava de 5 litros/dia por animal, hoje a produção é de 14 litros/dia em média, por animal”, comemora.

Investimentos – No sítio, a família já instalou uma ordenha mecânica e uma nova sala de ordenha, toda em alvenaria, com objetivo de otimizar o trabalho dando maior conforto para as vacas, que certa-mente retribuem em maior produção de leite. O próximo passo, segundo ele, é a melhoria da genética dos animais, que já esta sendo iniciada com  inseminação artificial, buscando aumentar a qualidade do plantel.

O médico veterinário Rogério Ernesto Silva, do Detec da Coamo em Palmital, observa que o esquema adota pelo cooperado é o ideal para quem almeja obter resultados tanto na pecuária como na produção de grãos. Segundo ele, o cooperado hoje é referência positiva na produção leiteira e no desenvolvimento do sistema de integração lavoura-pecuária completo. “Ainda existem ajustes a serem feitos e a melhoria é contínua, mas já conseguimos mostrar que a pequena propriedade pode se viabilizar e ser lucrativa”, diz. 

Quem tem opinião parecida é o engenheiro agrônomo Pedro Fava Júnior, também do Detec da Coamo em Palmital. Ele lembra que os Melnik passaram a ser referência de bom uso de tecnologia e soma de bons resultados na região acreditando no trabalho e na pesquisa. “A tecnologia existe e os resultados estão aí, basta utilizar. O Thomaz é um bom exemplo disso”, alerta o agrônomo.

Mais qualidade, maior preço – Além de produzir mais, o co-operado ainda está conseguindo um preço maior pelo seu leite em razão da menor contagem de células bacterianas e somáticas, que obtém através do controle preventivo de mastite e higiene das instalações e na ordenha. Na média o preço do litro de leite na região, entregue no laticínio, é de R$ 0,60, mas Melnik consegue vender o seu produto por R$ 0,72 o litro. Diferença recebida por causa do controle de qualidade adotado na propriedade.

Campanha de aftosa

Terminou no dia 20 de novembro a campanha contra a febre aftosa em todo o Paraná. Agora, o criador deve fazer a comprovação de que vacinou os animais. Segundo Valter Ribeirete, da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), o resultado oficial da campanha deve ser anunciado até o fim do ano, no mais tardar no início de janeiro.

O produtor que não comprovar a vacinação junto às unidades veterinárias da Seab, nos respectivos municípios, terão, a partir de dezembro, a propriedade visitada pelas equipes de fiscalização da secretaria. Para quem não apresentar o documento comprobatório da imunização dos animais, há possibilidade de autuação e a multa prevista para estes casos é de R$ 78 por animal não vacinado.