A pecuária brasileira tem passado por rápidas transformações nos últimos anos. Novas concepções e atitudes são focadas como regras básicas de sob revi em um mercado cada vez mais competitivo. Um bom planejamento reprodutivo na propriedade é de fundamental importância para o aumento da eficiência dos bovinos de corte e possui impacto direto sobre a saúde financeira da empresa rural. Mas, para isso, o “tripé” genética, nutrição e sanidade devem estar diretamente ligados.
O médico veterinário Hérico Alexandre Rossetto, da gerência de Assistência Técnica da Coamo, explica que atualmente é possível interferir na fisiologia dos animais de cria, melhorando a performance através do aumento da taxa de fertilidade. São diferentes formas de manejo, capazes de otimizar o desempenho reprodutivo e produtivo do rebanho, de maneira racional e econômica.
Sistemas – O primeiro deles é recomendado para produtores que possuem infra-estrutura e mão-de-obra treinada na propriedade. É a inseminação artificial em tempo fixo. Neste sis-tema, as vacas em lote, após 35 dias de paridas são reunidas e recebem tratamento hormonal para nova inseminação com 40 a 45 dias, pós-parto, sendo depois colocadas em touros para repasse. “É uma forma muito eficaz de antecipar o período de correção das vacas, que tem gerado bons resultados”, garante Rossetto.
O segundo é a sincronização de cio das vacas em monta natural, destinada para produtores que não possuem infra-estrutura e mão de obra treinada para a inseminação artificial. A exemplo da primeira opção, a partir de 35 dias de paridas as vacas são submetidas ao tratamento hormonal – feito através de sal mineral específico, e depois direcionadas para os touros que irão cobri-las. “Isso ajuda de uma forma que quanto mais cedo eu sincronizar o cio das vacas, mais cedo eu fecho a estação de monta. Acontecendo isso, é possível fazer o diagnóstico de gestação mais cedo e de imediato retirar do rebanho as vacas que não estiverem prenhas. Assim elas não vão interferir no potencial de produção, ficando mais um ano correndo risco de não emprenharem”, comenta Hérico Rossetto, explicando que as vacas descartadas são posteriormente repostas por outras de mais potencial. “O produtor segura apenas aquelas vacas que têm o intervalo de parto mais curto possível e que desmamam bezerros com maior peso. Desta forma, ele aumenta a taxa de fertilidade do plantel”, finaliza.
A taxa de reprodução é importante para os sistemas de produção de bovinos de corte, pois pode promover à melhoria da rentabilidade na atividade. “O fato é que os dois sistemas auxiliam no encurtamento da estação de monta, favorecendo o aumento da taxa de fertilidade e o descarte das vacas com problemas, que podem influenciar diretamente no rendimento do rebanho”, lembra o veterinário da Coamo.
A eliminação das matrizes vazias após a estação de monta promove a seleção de animais mais férteis, precoces e adaptados ao manejo. “Maximizar á eficiência reprodutiva eleva a taxa de nascimento e desmama, ao mesmo tempo em que produzir novilhas de alto valor genético, para reposição das vacas, reduz custos totais, diminuindo o número de matrizes improdutivas dentro do sistema”.
Nesta época de calor intenso e umidade elevada, começa a sobrar capim, chegando até a tornar-se um problema, visto que o capim maduro perde muito sua qualidade nutricional. Uma das opções que está sendo cada vez mais utilizada é a ensilagem, para ser usado em épocas estratégicas do ano, quando o mesmo pára de crescer.
Devido o elevado custo com má-quinas para a produção de silagem de capim, esta só se torna viável se o produtor atender as exigências da planta e utilizar adubação adequada.
Outro fator ainda seria o ponto de colheita, sendo que o ponto ideal é antes do emborrachamento, onde a planta alta umidade, em torno de 75% e baixo teor de matéria seca, em torno de 25%. Para solucionar este problema, lança-se mão da utilização de alguns aditivos sólidos, como casquinha de soja, quirera de milho, farelo de trigo, feno picado, dentre outros, que aumentam o teor de matéria seca para 30-36%. Esses sub-produtos dêem ser adicionados na proporção de 5 a 10% do peso total da silagem, com a função de reter líquidos, aumentar o teor de matéria seca e melhorar a fermentação. Não deve ser esquecida a utilização de inoculante específico para capim, visto que esta silagem apresenta baixíssimo teor de amido, o que reduz muito a fermentação, acarretando perda na qualidade do material ensilado.
Lembramos ainda que o capim deve ser picado com tamanho não superior a 8 centímetro, visto que acima disso dificulta muito a compactação e a retirada do material do silo; muito menos que esse tamanho, perde-se a função de fibra longa do capim.
Vale ressaltar o baixo custo de produção dessa silagem, com excelentes resultados na alimentação animal, desde que associado à utilização de ração aos animais para o correto balanceamento da dieta. (Solano Alex Oldoni – Veterinário Coamo Toledo, Oeste do Paraná)