Conservas e compotas, doces e salgados. Produtos que fazem brilhar o sorriso da dona Neuza Ferreira da Silva, que vive desde 1969 no sítio de 2,5 alqueires na comunidade São Roque, em Juranda, no Centro-Oeste do Paraná. Dona Neuza descobriu o sabor do conhecimento e não parou mais. Com uma vontade incrível de aprender, ela superou barreiras e investiu em um projeto para incrementar a renda da família agregando valor aos produtos da terra.
Tudo começou com a participação dela em um curso de tricô promovido pela Coamo no final da década de 80. Do trabalho com artesanato à primeira receita preparada pela dona Neuza muitos problemas foram deixados pelo caminho. “Quando paramos de plantar algodão começou a sobrar tempo, pois passei a cuidar somente da casa. O jeito foi aperfeiçoar o conhecimento para ocupar mais o meu tempo e ajudar a família a melhorar de vida”, lembra. Ela conta que nos últimos anos participou de mais de 20 cursos, em parceria com a Coamo, através do Sescoop e Senar.
Sonho realizado – No embalo das oportunidades oferecidas pela Coamo, dona Neuza aproveitou para realizar o sonho de concluir os seus estudos, nos níveis fundamental e médio. “Durante o dia eu trabalhava aqui no sítio e à noite ia para a escola. Foi difícil, mas, sem dúvida, uma das melhores fases da minha vida”, destaca, acrescentando que quer continuar buscando o conhecimento. “Até curso de jardinagem eu já fiz”, brinca.
Marca própria – Algumas receitas da dona Neuza são bem exóticas, como a esfirra de coração da bananeira e a cocada de cará da terra, ambas criadas por ela. Outras, como o canudo frito recheado com doce de leite e as conservas e compotas, estão entre os campeões de venda na feira livre da cidade, que acontece uma vez por semana. Já existe, inclusive, uma marca própria para os produtos: Dinda.
Lista – A produção da dona Neuza é feita na sua própria casa. Quase sempre ela trabalha sozinha, mas quando precisa ela tem ajuda garantida da família na produção de mais de 20 os produtos. Entre eles estão doces de leite, de abóbora, banana, goiaba, de abacaxi e mamão; conservas de jurubeba, pimenta-vermelha, pepino, e beterraba; pasta de alho e pão caseiro.
Muito trabalho – Organizada, dona Neuza diz que hoje não sobra mais tempo para nada. “Meu dia começa cedo e termina tarde. Mas é mais prazeroso, porque gosto muito do que faço”.
Com a venda dos produtos, dona Neuza consegue um bom dinheiro. Ela admite que precisa melhorar a administração do negócio, mas revela que o resultado líquido mensal é de cerca de um salário mínimo. “Está bom, mas o sonho continua”, conclui.