Site Coamo
Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 399 | Novembro de 2010 | Campo Mourão - Paraná

Entrevista

Porque sonhar vale a pena

Idealizador e presidente da Coamo revela motivos que levaram a cooperativa ao sucesso nessas quatro décadas e os principais planos para o futuro

No início apenas um grupo de 79 agricultores que sonharam, trabalharam e conseguiram uma vida melhor para sua atividade e familiares. Hoje, passados quatro décadas, a Coamo com seus mais de 22 mil associados é uma co-operativa de sucesso, bem estruturada e voltada para o desenvolvimento do seu quadro social.

Nesta edição especial o Jornal Coamo entrevista o engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, o Dr. Aroldo como é conhecido. Idealizador e diretor-presidente da Coamo, ele lembra da historia e revela quais são os motivos de sucesso da cooperativa e os principais planos para o futuro.

Jornal Coamo: Dr. Aroldo, quando o senhor teve a ideia de fundar uma cooperativa imaginava que ela seria grande e seria de tanto sucesso como ela é hoje no cenário nacional e internacional?

Dr. Aroldo – Vejo com muita satisfação, alegria e orgulho a Coamo como está hoje, sendo uma cooperativa sólida, segura, forte, bem estruturada que apóia os seus cooperados o ano todo com benefícios que vão desde a escolha e o fornecimento dos insumos, o trabalho de planejamento e assistência técnica, da colheita, armazenagem, industrialização e comercialização da produção. Sempre estive imbuído do espírito cooperativista, mesmo antes de começar as reuniões com as lideranças em dezembro de 1969. Fiz um treinamento com homens e mulheres, para identificar quais eram os principais problemas dos agricultores. Foi feito um grupo que estudou o cooperativismo e quando terminou o treinamento no Clube Recreativo Mourãoense, saiu a ideia da cooperativa e alguns meses depois, foi concretizado o sonho através de 79 agricultores. Sempre pensei em uma cooperativa com âmbito regional, não só local. No início os produtores não entenderam, mas com o trabalho de conscientização concordaram e a Coamo que nasceu em Campo Mourão e teve como área de ação quinze municípios na região. É com este espírito cooperativista que idealizei a Coamo, que é destaque não só no cenário cooperativista brasileiro e também internacional.

JC: Quais os fatores que o senhor aponta para o sucesso da Coamo nesses 40 anos?

Dr. Aroldo – Uma cooperativa é o resultado da conjugação de três fatores fundamentais, e a Coamo tem sido exemplo disso ao longo dessas quatro décadas. A união incondicional dos produtores associados que atuam de forma marcante na sociedade; a estabilidade de sua administração, que recebe total confiança do quadro social pela seriedade e honestidade para conduzir os negócios da cooperativa; e a equipe de funcionários devidamente treinada e comprometida com os objetivos que são traçados pela diretoria para o atendimento as necessidades dos associados. Tenho a certeza que construímos a Coamo que é uma cooperativa sólida não só para nós, mas para as futuras gerações. Construímos uma co-operativa não só alicerçada nos prédios e armazéns, e na sua solidez financeira e patrimonial, mas alicerçada, principalmente, na moral administrativa, honestidade de princípios e fé na filosofia cooperativista. Podemos resumir que o sucesso deve-se à cultura Coamo que é seguida com firmeza desde a fundação da cooperativa, tendo como base a honestidade e a transparência em todos os atos da diretoria e funcionários, que refletem diretamente no relacionamento com os associados, a sociedade e com o mercado. Entendo que esses atributos são essenciais para o sucesso de qualquer empreendimento, quer no setor privado, quer no setor público.

JC: Como senhor analisa a participação dos associados na Coamo?

Dr. Aroldo – Muito expressiva e positiva, a cada safra, a cada ano. Essa presença dos associados no dia-a-dia da Coamo é que faz com que ela seja forte, sólida e respeitada. Eles sabem da força que temos quando todos estamos juntos num mesmo caminho, propósito e direção. E com o apoio da sua cooperativa os nossos associados tem ultrapassados as barreiras das produtividades, tem conseguido rentabilidades que os colocam entre os maiores e melhores produtores. Fico feliz em ver o orgulho dos associados que sabem que quanto mais participam mais ganham, mais forte ficam. Eles têm orgulho da sua cooperativa - uma empresa genuinamente brasileira, nascida no interior, que tem contribuído para o desenvolvimento econômico e social não só do quadro social mas das regiões onde atua e vem agregando valor à produção agropecuária. São quarenta anos de sucesso que merecem ser come-morados pelos mais de 22 mil associados que são exemplos de eficiência e cooperativistas, e vem perpetuando o legado e a vontade dos 79 agricultores fundadores que sonhavam e acreditavam em uma vida melhor para si e seus familiares. Por isso, todos – co-operados, diretoria e funcionários -, estamos de parabéns.

JC: E quanto ao futuro, quais os planos da Coamo?

Dr. Aroldo – Como diz um conhecido ditado “O futuro a Deus pertence”, mas nós temos metas e planos para cada vez mais consolidar as atividades da Coamo. Em primeiro lugar, queremos continuar a profissionalização da nossa equipe de funcionários através de treinamentos, visando uma administração moderna que possa dar mais rentabilidade as atividades da cooperativa. Nesse sentido estamos preparando os cooperados para o futuro, para que assumam novas posições nos Comitês Educativos, e nos conselhos de Administração e Fiscal.

Como sempre falei, temos que preparar e capacitar pessoas para o futuro para não sermos acusados de não investir em treina-mentos, e no futuro ter problemas de estagnação. Isso, envolvendo os nossos recursos humanos desde os funcionários até diretoria e conselheiros, e também educar e formar o quadro social.

Em segundo lugar, queremos atender o quadro social com eficiência no que diz a respeito a capacidade de Armazenagem com expansão em toda a área de ação. Na safra 2009/2010 recebemos nos armazéns da cooperativa um total de 91.500.000 sacas ou 5.490.000 toneladas de produto. No futuro, com certeza receberemos muito mais em função do crescimento da produtividade e da expansão de área.

Em terceiro lugar, estamos sempre estudando novas indústrias para agregar maior valor aos produtos dos cooperados, principalmente soja, milho, trigo, café, algodão e outros, que possam ser viabilizados. È fato que as cooperativas que atuam na industrialização de produtos são mais rentáveis do que àquelas que trabalham só com grãos onde a competitividade é maior. Esperamos assim com essa visão e o planejamento estratégico evoluir e crescer sempre, e desta forma não sermos ultrapassados. Nós podemos ficar velhos, mas a Coamo não, a cooperativa tem que ser sempre jovem e moderna para competir e ser cada mais rentável.