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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 399 | Novembro de 2010 | Campo Mourão - Paraná

História

“Sonho que se sonha junto é realidade”

Como já dizia o poeta, a construção do sonho está na união das pessoas em torno de um mesmo ideal. Foi assim com a Coamo. Há 40 anos os agricultores de Campo Mourão e região sonharam que ela se tornaria uma bela realidade

Gente que respaldou um sonho. Depositou na união de esforços a esperança de um futuro melhor. Pessoas comuns que acreditaram numa filosofia de trabalho e elegeu o cooperativismo como caminho para alcançar o desenvolvimento social, pessoal e profissional. E lá se vão 40 anos desde que esse sonho começou a se transformar em realidade. Um tempo em que àquela gente simples, que despertava para a mecanização da agricultura e parecia enxergar o amanhã, celebra a consolidação de uma das maiores cooperativas agropecuárias do mundo: a Coamo.

Nesta edição especial, vamos contar um pouco da história que desencadeou a constituição da cooperativa, em 28 de novembro de 1970, e apresentar os principais fatos que contribuíram para que ela se transformasse na gigante que é hoje. Um projeto endossado por 79 agricultores pioneiros, que, imbuídos pelo desejo de se fortalecerem enquanto produtores rurais, sobretudo na armazenagem e comercialização das suas safras, gravaram os seus nomes na história viva da cooperativa.

A organização dos produtores no final da década de 60

A história do cooperativismo e da agricultura na região de Campo Mourão motivados pelo surgimento das primeiras lavouras teve início no final da década de 60. Mas, seguramente, pode ser contada em antes e após o surgimento da Cooperativa Agropecuária Mourãoense, com a sigla Coamo, na data histórica de 28 de novembro de 1970, por um grupo de 79 agricultores. Mas, antes de 1970, várias foram as tentativas e experiências promovidas, visando organizar e fundar uma cooperativa. Todas, porém sem lograr êxito, devido a falta de um trabalho preparatório de conscientização dos futuros associados.

Nessa época, final da década de 60, o cenário contemplava uma região com matas sendo derrubadas para extração de madeira, e a chegada de agricultores vindos de outras regiões do Paraná e do Rio Grande do Sul para implantar a atividade agrícola na região que o representava uma das últimas fronteiras de terras mecanizáveis a serem exploradas no Paraná. O solo da região era de latossolo roxo, profundo, de textura argilosa e muito fértil, porém, com alta acidez, cuja situação já era conhecida pelos agricultores com a necessidade da correção do solo para produzir e prosperar na atividade. Devido a acidez das terras, seus preços praticados eram de apenas Cr$ 100,00 por alqueire – considerado baixo na época -, fazendo com que fosse pequeno o interesse na compra de novas áreas, tendo em vista a possibilidade de obter baixas produtividades. As terras da região eram conhecidas como as “Terras dos 3 Esses” com muita formiga saúva, sapé e as tradicionais samambaias. Por outro lado, os agricultores sabiam que o caminho para suplantar essa situação era a mecanização agrícola.

Terras baratas

 

 

 

Segundo levantamento na época, com a venda de uma colônia de terra no Sul dava para comprar uma área de três a quatro vezes maior na região de Campo Mourão. E a notícia espalhou-se rapidamente e foi grande o número de agricultores que chegaram a região para iniciar o cultivo de lavouras. Antonio Sabino Guadagnin foi um dos muitos agricultores que aproveitou a oportunidade e veio para a região de Campina do Amoral em busca de terras mais baratas. “Seu eu tivesse ficado no Rio Grande do Sul, teria uns 15 alqueires de terra, como o meu irmão. Quando eu saí de lá, meu pai me deu o valor de dois alqueires. No começo comprei 30 alqueires e hoje eu e os filhos temos, só aqui em Campina do Amoral, temos 260 alqueires. Desde o início sabia que aqui seria um lugar de futuro, lá no Rio Grande não era mais, pois a gente não tinha espaço para comprar, além de que tudo era mais caro e tinha lugar onde gastar. Aqui não tinha isso, no sábado e domingo, em vez de ir ao boteco, eu ia trabalhar ou caçar” conta ‘seo’ Guadagnin , que acreditou no cooperativismo, sendo o associado número 83 da Coamo.

 

 

O novo ciclo na região e a chegada do agrônomo Gallassini

O ciclo da madeira estava chegando ao fim na região de Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná e iniciava-se um novo ciclo, o da agricultura, quando em maio de 1968 chegava ao município o engenheiro agrônomo recém-formado, José Aroldo Gallassini. Fomado no ano anterior pela Universidade Federal do Paraná em Curitiba, ele veio para chefiar o escritório da Acarpa, hoje Emater – Empresa Paranaense de Extensão Rural -, e foi o responsável pela organização dos produtores e a sua inserção no cooperativismo. O conhecimento sobre cooperativismo foi adquirido por Gallassini nos treinamentos realizados no “Pré-serviço”, que era um estágio profissional preparando o funcionário para suas atividades.

Mesmo sem conhecer e nunca ter ouvido falar em Campo Mourão, Gallassini, com muito entusiasmo, vontade e idealismo, e sabendo dos desafios que teria pela frente, concluiu o levantamento da realidade rural do município que na época tinha 25 mil habitantes na cidade e outros 45 mil habitantes no campo.

O idealizador da Coamo, em 1970, também conduziu os primeiros experimentos de trigo na região de Campo Mourão, entre abril a setembro de 1969, com trabalho de pesquisa de variedades, adubação, calagem e época de plantio, e logo a seguir, a implantação da soja na região. Por sua vez, os agricultores sabiam que a mecanização agrícola era a solução para o desenvolvimento da agricultura, que aconteceu com o apoio decisivo da extensão rural através da Acarpa.

A saída para as dificuldades de armazenagem e comercialização da safra

Os agricultores enfrentavam neste final da década de 60 e início de 70, grandes problemas de infraestrutura com a falta de insumos para o plantio, de armazéns para recebimento da safra e de apoio para a comercialização de sua produção. O agrônomo José Aroldo Gallassini, colocou no seu planejamento de trabalho a criação de uma cooperativa. “Comecei a reunir as lideranças e a fazer reuniões. Em dezembro de 1969, fiz um treinamento só com as lideranças para identificar quais eram os principais problemas dos agricultores. E além de estudar milho, algodão, entre outros, foi feito um “grupão” que começou a estudar o cooperativismo. Foi quando no encerramento do treinamento que aconteceu no Clube Recreativo Mourãoense, surgiu a ideia de uma cooperativa”, lembra Gallassini.

No final deste evento, o então prefeito de Campo Mourão, Horácio Amaral discursou prometendo que daria o terreno para fundação da cooperativa, sendo fator de motivação e força para os agricultores avançarem na idéia do surgimento do cooperativismo agrícola, que era defendida pelo funcionário da Acarpa, José Aroldo Gallassini, como fator para o desenvolvimento da região.

Uma “cooperativa com amor”

A sigla Coamo foi sugerida pelo cooperado fundador Gelindo Stefanutto e foi aprovada pela assembleia de fundação, em 28 de novembro de 1970

Após sete meses de trabalho com a conscientização e motivação dos agricultores da necessidade de criação e organização de uma cooperativa de atuação regional, o sonho do idealizador José Aroldo Gallassini tornou-se realidade no sábado, 28 de novembro de 1970, com a constituição da Cooperativa Agropecuária Mourãoense Ltda. (Coamo), cuja sigla foi sugerida pelo cooperado Gelindo Stefanuto, baseado no lema “Com Amor”. A histórica assembleia foi realizada na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) em Campo Mourão, reunindo um grupo de 79 agricultores que depositaram suas esperanças no cooperativismo para o sucesso das suas atividades.

O primeiro presidente da Coamo foi Fioravante João Ferri, um madeireiro que teve conhecimento de cooperativas ainda no Rio Grande do Sul. Pioneiro, de prestígio na comunidade e de intocável idoneidade, ‘seo’ Ferri tinha suas atividades em Campina do Amoral, onde se dedicou à extração de madeira. Era conhecido seriedade nos negócios e pela busca do desenvolvimento da região e pelas causas humanitárias.

Ele aceitou o convite com a condição de que o agrônomo Gallassini fosse gerente geral. Desde o início, os agricultores acreditaram no sucesso da Coamo que inicialmente funcionou em um escritório alugado no centro de Campo Mourão e tinha entre seus objetivos, reduzir o custo dos insumos vendidos por comerciantes que atuavam num mercado sem concorrentes.

A perda do ‘seo’ Ferri

 

Após os primeiros anos de funcionamento e o crescimento que empolgava os produtores, de maneira inesperada, faleceu em 1974, o presidente da Coamo, Fioravante João Ferri. Pela sua atuação a frente da cooperativa ele recebeu o título de Cidadão Honorário de Campo Mourão. Para cumprimento do mandato da diretoria, assumiu no final daquele ano o vice-presidente Gelindo Stefanuto, que ficou no cargo até janeiro de 1975, quando em assembléia geral foi eleita a nova diretoria tendo como presidente o engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini. “Formei uma chapa de produtores autênticos que compartilhavam com o ideal de uma cooperativa forte e competitiva”, lembra o presidente, que desde então, pelo seu trabalho e confiança dos associados tem sido reeleito sucessivamente a cada quatro anos de mandato.

Em 1971, o recebimento da primeira safra de trigo

Com a constituição da Coamo, o próximo objetivo era o recebimento da primeira safra, de trigo. A cooperativa Alugou armazéns da estatal Copasa, da Algodoeira Limoense, da Contibrasil e da Armazéns Gerais Federal (AGEF), em Engenheiro Beltrão, com apoio da Comissão de Trigo Nacional (CTRIN) e da agência do Banco do Brasil em Campo Mourão.

A cultura foi uma das principais no início da Coamo, motivada também pela comercialização feita pelo governo com a fixação do preço mínimo do trigo e a garantia a compra do produto com pagamento pontual.

A primeira safra foi grande e com ela vieram os primeiros problemas com a demora na recepção e a falta de armazéns. Para resolver a situação e prevendo o aumento de área e produtividade a diretoria promoveu em 06 de novembro de 1971 a sua primeira Assembleia Geral Extraordinária (AGE) com o objetivo de obter autorização para contratação de financiamento junto ao BRDE para a construção de um armazém de fundo plano com 2.250 metros quadrados, além de escritório, secadores e balança. Com grande número de autoridades, os 68 cooperados presentes à assembleia aprovaram a contratação do financiamento que foi liberado sem restrições, tendo em vista o conceito e a organização da Coamo.

Foi também no ano de 1971 que a Coamo obteve o registro como produtora de semente na Comissão Estadual de Sementes de Trigo (Cest-PR) e na Comissão Estadual de Sementes de Soja (Cessoja-PR), objetivando atender as necessidades dos associados. Isso permitiu produzir 20.163 sacas de semente de trigo IAS-51 e BH-1146.

Gallassini é eleito presidente em 1975

A 5ª Assembleia Geral Ordinária (AGO) elegeu os conselhos de Administração e Fiscal para a gestão no período de 18/01/1975 a 01/02/1978

Conselho de Administração

Diretor-Presidente: José Aroldo Gallassini;

Diretor Vice-Presidente: Getúlio Ferrari;

Diretor Secretário: Sérgio Luiz Panceri;

Membros Efetivos:

Luiz Antonio Carolo, Gelindo Stefanuto, Nelson Teodoro de Oliveira;

Membros Suplentes:

Egildi Primo Mignoso, Gabriel Cândido Borsato e Dante Salvadori

Conselho Fiscal (gestão 1975)

Membros Efetivos:

Luiz Massaretto, Antonio Maluff e Zair Jorge Assad;

Membros Suplentes:

Nivando Antonio Simionato, Ivo Brunetta e Silvino Scarabelot

Crescimento expressivo no recebimento da produção

No início das suas atividades, a diretoria da Coamo já previa o sucesso da cooperativa tendo em vista o rápido aumento na participação do quadro social, em função das áreas produtivas e dos bons números das produtividades das lavouras. Isso fez com que houvesse já naquela época a necessidade de incremento na estrutura de armazenagem para receber a produção dos associados.

Desde os primeiros anos, tem sido prática constante da Coamo a realização de estudos visando ampliar a capacidade de armazenagem para atender as necessidades dos seus cooperados. Foi assim com a aprovação da construção do primeiro armazém grane-leiro em Campo Mourão com capacidade para 500 mil sacas que entrou em funcionamento em 1973. E interiorização da cooperativa, com o crescimento horizontal, resultando na ampliação da sua área de ação.

Como exemplos deste processo, em março de 1974 a assembleia geral aprovou a construção do primeiro entreposto da Coamo fora de Campo Mourão, no município de Engenheiro Beltrão, com capacidade para 700 mil sacas. Em junho desse mesmo ano, os co-operados aprovaram o segundo entreposto da cooperativa em Mamborê, cuja capacidade abrigava 700 mil sacas. E em seguida, com o avanço nos volumes de recebimento e participação dos associados à cooperativa instalou entrepostos em dezenas de municípios em regiões com grande concentração dos produtores para facilitar a movimentação no abastecimento dos insumos e na entrega da produção.

Somente neste ano, a Coamo está executando mais de 60 obras com o objetivo de melhorar e ampliar a estrutura atual de armazenagem cuja capacidade supera 60 milhões de sacas.

Desta maneira, a Coamo está cada vez mais perto dos seus co-operados e atendendo com qualidade as suas necessidades em mais de 100 unidades localizadas em 63 municípios nos estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.