Agromercado
Preços da soja se mantêm em dólar

Com quebra da safra americana e alta do dólar, soja bateu o recorde no mercado interno. Preços em reais são os melhores dos últimos dez anos

Os sojicultores ainda estão comemorando os bons resultados com a comercialização da safra. A quebra da safra americana em 6,39 milhões de toneladas e a alta do dólar, fez com que os preços no mercado interno batessem o recorde dos últimos dez anos. No fechamento desta edição o preço pago ao produtor pela saca de soja com 60 quilos era de R$ 43,50. "A última vez que a saca de soja teve tanto valor no mercado interno foi em 1988, quando houve quebra de 50% na safra americana", lembra o superintendente Comercial da Coamo, Roberto Petrauskas.

Segundo Petrauskas no mercado interno os preços continuam favorável para o produtor. "A formação do preço está estável. Porém, as constantes variações do câmbio influenciam diretamente no preço da soja, impulsionando novas altas", explica.

Com o mercado favorável e boa capitalização - assegurada ainda na safra passada, os cooperados da Coamo puderam decidir pelos melhores momentos e fazer uma boa média de vendas. Do volume de soja recebido pela cooperativa nesta safra, 23,5 % foi fixado pelos cooperados com preços a partir de R$ 29,00 a saca. Desse total, 19,1% comercializaram com preços a partir de R$ 30,00 a saca.

"Os produtores estão trabalhando melhor com o mercado. Com isso, além das boas produtividades no campo, também ganham com a venda do produto. É lucro dobrado", ressalta Roberto Petrauskas. O superintendente da Coamo lembra que com a comercialização antecipada - como aconteceu no ano passado, casando os custos da produção e travando o dólar, o cooperado também tem acertado. "Ele já garante um certo lucro sobre o custo de produção e, assim, não tem muita pressa para vender depois. Desta forma, não força o mercado", destaca.

Os cooperados da Coamo ainda possuem um saldo de 14,3% a fixar, do volume de soja colhido na última safra. A decisão em manter a soja no armazém é uma estratégia. É uma maneira de guardar dólar no armazém sem correr riscos no mercado financeiro.

Nova safra - O bom momento da soja deve resultar numa área de plantio cerca de 12% maior nesta safra, em comparação com o ano anterior, ocupando áreas de milho e algodão. Na opinião de Petrauskas, os preços devem ser manter nos mesmos níveis, no mercado, em dólar, uma vez a maior produção brasileira irá suprir a quebra da safra americana no mercado. No mercado interno, a variação cambial deve continuar regulando os preços.



Análises do Mercado Agrícola
Comercialização Coamo - 26/09/02

Trigo
O mercado em plena safra continua firme e com sucessivas altas, provocadas pela pouca disponibilidade de produto ofertado (produtores vendendo sua produção de forma bem escalonada) e pela grande redução de produtividade em decorrência da seca ocorrida na fase de desenvolvimento vegetativo das lavouras, geadas e das fortes chuvas que vem ocorrendo neste período de colheita. Com a demanda pelo trigo nacional aumentando a cada dia e a grande desvalorização do real frente ao dólar, encarecendo vertiginosamente o trigo importado, as cotações no mercado interno estão atingindo valores jamais vistos, no entanto é preciso estar sempre atento à cotação da moeda americana, que estará determinando daqui para frente os limites para o mercado interno. A Argentina pela pouca disponibilidade de trigo para exportação estão valorizando ao máximo seu produto, que hoje já é comercializado pelo menos a preços equivalentes ao trigo americano, segunda opção de importação para os moinhos brasileiros. O mercado internacional deverá continuar firme pela grande redução de safra nos principais países exportadores, como Canadá, Estados Unidos, Austrália e Argentina, mostrando desde já que o próximo ano o mercado tende a ser bastante promissor ao produtor.

Algodão
O mercado do algodão vive hoje um panorama que já era esperado há muito tempo, sendo o produto comercializado hoje a preços altamente vantajosos em relação ao custo de produção, isto motivado principalmente pela desvalorização do real frente ao dólar, que impulsionou significativamente as exportações de uma safra que já era quase insuficiente para atender a demanda do mercado interno, a qual ficou ainda menor ao término da colheita, ocasião em que se confirmou uma redução de pelo menos 20% na produtividade das lavouras de Mato Grosso e Goiás. Com os produtores mais capitalizados as vendas estão sendo bem gradativas, proporcionando uma demanda maior que o volume ofertado e por conseqüência uma boa remuneração pelo produto. No entanto salientamos também que a cotação do dólar será predominante na determinação do limite até onde pode chegar o preço do algodão, que será a paridade de importação.

Café
O mercado de café está de um lado pressionado pela colheita recorde da safra 2002/2003 e, de outro, com suporte de preços por parte de fundos que formaram posições compradas e, conseqüentemente, elevaram as cotações nas bolsas.Os fundos compraram café motivados inicialmente pela iniciativa governamental com os leilões de opções e depois pelos comentários de que a safra 2003/2004 será 40% menor dada a bianualidade da cultura. Não há perspectivas de recuperação ainda maior nos preços no curto prazo, pois os países da América Central e a Colômbia já se mostraram agressivos vendedores, juntamente com o Brasil, nas altas de preços, mais que compensando o ímpeto comprador dos fundos.

Soja
Mercado continua com o preço bastante aquecido mesmo com o início da colheita nos Estados Unidos. Sendo o principal fator para isto o câmbio, que tem tido constantes e desordenadas valorizações até o momento. No Brasil, já foi comercializado 87% da soja e o saldo de 13% deve ser comercializado em pequenas parcelas, prevalecendo o mercado interno que deve dar sustentação, dependendo também das variações cambiais que no momento ditam o preço.

Milho
Mesmo após a colheita da safrinha e a geada no trigo gerando o triguilho, o mercado segue firme. O produtor continua disponibilizando pequenas quantidades para o mercado automaticamente fazendo com que as ofertas fiquem bem curtas. O câmbio tem sido o grande aliado, pois tem deixado o comprador sem opção, ou seja, se não comprar, vai para a exportação.

 

 

Indicadores Econômicos

VARIAÇÕES Mar/02 Abr/02 Mai/02 Jun/02 Jul/02 Ago/02 ACUMULADO ACUMULADO
  PERÍODO 12 MESES
IGP/M (% AO MÊS) 0,09% 0,56% 0,83% 1,54% 1,95% 2,32% 7,50% 11,01%
TR (% AO MÊS) 0,18% 0,24% 0,21% 0,16% 0,27% 0,25% 1,30% 2,54%
DÓLAR
COMERCIAL
(% AO MÊS)
-1,05% 1,67% 6,75% 12,28% 20,54% -11,85% 28,71% 18,44%
TJLP (% AO MÊS) 10,00% 9,50% 9,50% 9,50% 10,00% 10,00%    
SOJA 2,56% 10,26% 13,95% 12,24% 11,91% 18,33% 91,55% 182,27%
MILHO 0,00% 5,45% 5,17% 0,00% 8,13% 5,26% 26,24% 55,84%
ALGODÃO (TIPO 6) 0,00% 3,00% 0,00% 0,00% 8,74% 7,14% 20,00% 20,00%
TRIGO (PH 78) 2,35% 11,80% 7,22% 6,225 12,20% 17,39% 58,82% 90,31%
 

Poder de Troca mês a mês

MÁQUINAS/INSUMOS X PRODUTOS UNID. Mar/02 Abr/02 Mai/02 Jun/02 Jul/02 Ago/02

MÉDIA DO PERÍODO

MÉDIA ULT. 12 MESES

 

TRATOR JOHN DEERE 6-300 - 120 HP

SOJA sacas 4.456 4.341 3.913 3.462 3.237 3.053 3.744 2.920
MILHO sacas 8.000 7.876 7.563 7.377 7.422 7.326 7.594 6.452
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 8.800 8.768 8.738 8.738 8.837 8.621 8.750 7.514
TRIGO (PH 78) sacas 5.116 5.028 4.826 4.523 4.368 4.000 4.643 3.902
 

COLHEITADEIRA NEW HOLLAND TC 57 (completa)

SOJA sacas 9.114 9.024 8.043 7.115 6.474 5.802 7.595 7.287
MILHO sacas 16.364 16.372 15.546 15.164 14.844 13.919 15.368 16.680
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 18.000 18.227 17.961 17.961 17.674 16.379 17.700 19.419
TRIGO (PH 78) sacas 10.465 10.452 9.920 9.296 8.736 7.600 9.411 10.048
 

PLANTADEIRA PSE 8 2S (COM CÂMBIO)

SOJA sacas 1.514 1.557 1.500 1.327 1.110 995 1.334 1.245
MILHO sacas 2.718 2.825 2.900 2.009 2.546 2.387 2.564 2.773
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 2.990 3.145 3.350 3.350 3.031 2.809 3.113 3.307
TRIGO (PH 78) sacas 1.738 1.804 1.850 1.734 1.498 1.303 1.655 1.712
 

PULVERIZADOR COLUMBIA MAXTER FLOW

SOJA sacas 1.032 1.023 912 807 736 660 862 830
MILHO sacas 1.853 1.856 1.763 1.704 1.688 1.583 1.741 1.900
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 2.039 2.066 2.036 2.036 2.009 1.862 2.008 2.213
TRIGO (PH 78) sacas 1.185 1.185 1.125 1.054 993 864 1.068 1.145
 

CALCÁRIO

SOJA sacas 2 1 1 1 1 1 1 1
MILHO sacas 3 3 3 2 2 2 3 3
ALGODÃO (TIPO 6) arrobas 3 3 3 3 3 3 3 3
TRIGO (PH 78) sacas 2 1 2 2 1 1 2 2
Para cálculo da paridade de produtos X máquinas e insumos foram utilizados os preços praticados no último dia do mês.