Pecuária

Sai o capim, entra a soja

Integração agricultura/pecuária muda realidade da família Sguissardi, em Iretama

Paulo Sguissardi com o pai Emilio e a mãe Geni.

Paulo confere o manejo do gado na área da fazenda onde vai plantar
Quando chegou à região de Iretama, no início da década de 80, a família Sguissardi passou a viver exclusivamente da exploração da pecuária de cria. A pouca experiência foi compensada com os bons resultados que a atividade proporcionava na época, com a pastagem no início da produção e a venda dos animais oferecendo boa margem de lucro.

Mas as dificuldades apareceram nos últimos anos. A pecuária passou por momentos de crise, com aumento dos custos de produção e a degradação da pastagem. O ápice da crise aconteceu há dois anos, quando os Sguissardi chegaram a não ver mais solução para a sustentar apenas uma atividade na fazenda. "E foi justamente neste momento que a nossa parceria com a Coamo
fez a diferença", lembra o cooperado Paulo Celso Sguissardi, que administra todos os negócios da família. "Resolvemos, depois de muito incentivo da Coamo, diversificar as atividades", revela. A solução, segundo ele, foi implantar na fazenda o sistema de integração agricultura/pecuária.

Começaram com uma área de sete alqueires, no primeiro ano (safra 2001/2002). Sobre a pastagem degradada, eles plantaram soja no verão, seguindo à risca a tecnologia preconizada pelo Detec da Coamo. A produtividade média da cultura foi surpreendente: 147 sacas em cada alqueire. "Mas o nosso ganho não foi apenas com a soja", emenda Paulo. "No inverno, diferente dos anos anteriores - quando o gado chegava a passar fome, a produção melhorou com os animais fazendo o pastoreio sobre a aveia preta", comemora.

Na última safra, os Sguissardi aumentaram a área de cultivo de soja para 70 alqueires. A produtividade média da soja chegou a 141 sacas por alqueire. E no inverno os animais voltaram a apresentar melhor rendimento, com o pastoreio na aveia. Os resultados foram considerados tão bom nesses dois primeiros anos que a família já decidiu que para a próxima safra vai destinar 120 alqueires para a agricultura no verão, sendo 20% para o cultivo do milho, em esquema de rotação com a soja. A meta, segundo ele, é manter esse volume de cultivo na fazenda, inclusive utilizando o sistema para recuperar a fertilidade do solo no restante da fazenda, que compreende 314 alqueires de área.

Índices zootécnicos - O ingresso na agricultura também despertou a família Sguissardi para investir mais na adubação e melhoria das pastagens. Com isso, mesmo direcionando 1/3 da propriedade para a agricultura no verão eles mantiveram o plantel de 1.200 vacas. "Hoje temos boa alimentação no verão e no inverno. Assim, os animais têm suporte o ano inteiro. E com boa alimentação até os problemas reprodutivos e sanitários do rebanho diminuem", afirma Paulo.
A taxa de natalidade da fazenda passou de 70% para 90% hoje, assim como as taxas de fertilidade e prenhez. A taxa de desmame também melhorou e hoje está em 95%.
Equilíbrio - Os cooperados foram pioneiros na região de Iretama em investir na produção de soja em áreas de pastagens degradadas. "Foi uma grande saída para nós. Ajudou a equilibrar as contas da fazenda, que antes viviam no vermelho", conta Paulo Sguissardi. O apoio da Coamo para o ingresso no sistema foi considerado fundamental pela família. "A cooperativa foi quem mais nos incentivou e colocou todo o conhecimento dos seus profissionais à nossa disposição. Só tínhamos que avançar mesmo", comemora.

 

Os cuidados da época com os bovinos de leite

Produção e reprodução envolvem manejo completo

Depois de passar por um período difícil, com escassez de pastagem e baixas temperaturas, os bovinos merecem uma atenção e cuidados especiais a partir de agora. Com a chegada da primavera as pastagens de verão retomam a brotação e os animais começam a recuperar a condição corporal para uma boa produção. Os manejos sanitário e alimentar nesta época são fundamentais. Produção e reprodução são estratégias que o criador deve colocar no topo da lista de prioridades, para obter o máximo do potencial dos animais.

O médico veterinário Olívio Eirich, do Detec da Coamo em Campo Mourão, explica que é comum o produtor se precaver para o inverno e se esquecer os cuidados com os bovinos no verão. "Tudo bem que no inverno o período é mais crítico e o leite possui maior valor. Mas é justamente no verão que o criador tem condições de baixar o custo da produção, mantendo os animais basicamente na pastagem e produzindo o leite mais econômico da propriedade", explica. Por outro lado, as fêmeas, que começam a entrar em cio, precisam de pelo menos 100 dias para recuperar a boa forma. Por isso, segundo Eirich, o quando antes o produtor iniciar os manejos básicos, mais rápido ele vai se beneficiar da produção dos animais.

Para um bom manejo alimentar o criador deve rotacionar o pastoreio de verão, evitando sobrecarregar o capim. Eirich também indica a suplementação mineral e ainda o plantio de uma cultura alternativa, como o milheto ou o sorgo forrageiro, por exemplo, para suportar a produção no pasto e garantir um menor custo na produção do leite. 

Já o manejo sanitário envolve também o reprodutivo, uma vez que muitas doenças do rebanho afetam diretamente a reprodução. "As bezerras entre 3 a 8 meses devem ser vacinadas contra a brucelose e as novilhas e vacas adultas contra a IBR - Ronitraqueíte Infecciosa Bovina, que é uma das principais doenças reprodutivas", alerta. A IBR, segundo o veterinário, diminui a imunidade das vacas, provocando abortos e outras doenças secundárias.

"É preciso tomar todo o cuidado na produção, pois as margens são muito pequenas hoje em dia", orienta Eirich. O criador, na opinião do veterinário, deve elaborar, juntamente com o profissional que assiste a propriedade, um programa alimentar e sanitário completo. "Atitudes isoladas e sem planejamento podem baixar o rendimento da atividade", conclui.