Agromercado     



Trigo:
Produzindo para o mercado

Enxergar as necessidades do consumidor final é garantir maior liquidez ao cereal e rentabilidade ao produtor


Produzir com qualidade não é o mesmo que produzir em quantidade. Volume de produção não significa, necessariamente, que o produto está adequado aos padrões de qualidade exigidos pelo mercado para uma maior aceitabilidade do grão. E com o trigo essa relação deve ser ainda mais estreita. O cereal pode alcançar maior liquidez no mercado e garantir uma melhor rentabilidade ao produtor, desde que haja uma produção com a qualidade necessária para atender as necessidades das indústrias. “É uma questão de enxergar as necessidades do consumidor final e trabalhar com opções que possam aliar a produtividade, dentro de um contexto regionalizado, e a qualidade que o mercado quer”, resume o assessor de Comercialização da Coamo, Antonio Cardoso Garcia.

A qualidade do trigo é um assunto que vem sendo encarado como um grande desafio no sistema de produção do cereal. O agricultor, segundo Garcia, ainda está se acostumando com essa demanda do mercado, mas está construindo uma consciência de que é preciso buscar uma maior eficiência com a sua produção. “Esse diferencial está em uma nova visão do sistema de produção, que privilegia, também, a qualidade do grão”, completa. Segundo Garcia, não adianta uma alta produção se não houver qualidade adequada para atender o consumidor final. “Se não houver qualidade adequada o produtor vai perder rentabilidade na sua comercialização”.

A pesquisa, conforme explica o assessor da Coamo, desenvolve variedades para atender todos os segmentos de mercado. Compete então, ao produtor, definir quais as melhores opções para sua região. “O que não se pode aceitar é que o produtor plante todas as variedades numa mesma região, porque não há condições de segregar o recebimento”, alerta. Na opinião de Garcia, o produtor enxerga como qualidade a estrutura física do grão que ele está colhendo e a indústria o que está dentro do produto que ela está comprando. “Lamentavelmente o trigo nacional não tem a qualidade adequada para atender o mercado e, com isso, estamos perdendo liquidez”, revela.

Atualmente, existem diversos materiais que estão sendo plantados para atender os segmentos do mercado. No Brasil, 70% do consumo de trigo destina-se ao mercado de panificação. “Como nós não temos uma estrutura de armazenagem adequada para segregarmos o produto por variedades, de forma que nós possamos atender a todos os segmentos de mercado, é necessário que o agricultor se direcione a produzir grãos capazes de atender este ou aquele segmento específico. Aí nós vamos ter um produto com um padrão de qualidade mais adequado e em contrapartida vamos conseguir uma maior liquidez e maior rentabilidade para o produtor”, destaca.

Além de estar afiado com a tecnologia, para ampliar a produtividade na propriedade, o agricultor também deve estar antenado com o que o mercado está necessitando para ganhar nas duas pontas. “Acredito que o trabalho está começando a caminhar, mesmo que ainda de forma tímida. Muitos produtores, ainda, estão com a visão voltada para a questão quantitativa. E nós precisamos enxergar a questão qualitativa para chegarmos a um resultado mais equilibrado tanto para o produtor quanto para o consumidor final”, conclui Antonio Garcia.

ONDE PRODUZIR?

As regiões norte, noroeste e oeste do Paraná possuem condições favoráveis para a produção de trigos de alta força de glúten. Já as regiões centro e sul do Paraná têm aptidão para a produção de trigo Brando.

Conforme as exigências do mercado, as regiões norte, noroeste e oeste do Estado deverão cultivar trigos que tenham as seguintes características: falling number mínimo de 250 segundos; força de glúten mínima de 250; estabilidade mínima de 10 minutos e cor mínima de 92. As variedades recomendadas são: CD 104, CD 106, IPR 85, TAURUM, ÔNIX, BRS 208, BR 18, CEP 24 e BRS 193). Existem outros materiais sendo lançados no mercado que ainda não foram avaliados comercialmente.

Já para as regiões centro e sul devem ser recomendadas as variedades de trigo brando com as seguintes características: falling number mínimo de 250 segundos; força de glúten mínima de 150; estabilidade mínima de 3 minutos; cor mínima de 93 e estensibilidade mínima de 120. As variedades recomendadas são: CD 105, CD 103, BRS 120, BRS 177, BRS 179, BRS 192 e BR 23).

“Para um melhor direcionamento do produtor, fazemos algumas recomendações, necessárias para se criar uma identidade para o trigo produzido no Paraná e proporcionar uma melhor liquidez ao produtor por ocasião da comercialização: 1) eliminar por completo o plantio de trigo brando nas regiões norte, noroeste e oeste do Paraná; 2) buscar através da comercialização, dentre os materiais disponibilizados pela pesquisa para sua região, quais deverão ser recomendados para plantio; 3) não plantar variedades com qualidades industriais divergentes entre si, para plantio em uma mesma área/região; 4) observados os requisitos técnicos, manter o menor número possível de variedades em uma mesma área de ação/recebimento, possibilitando uma boa uniformidade dos lotes a serem comercializados, pois muitos moinhos não consomem um volume maior de trigo nacional pela grande desuniformidade apresentada nos lotes comercializados”, salientou Garcia.


Agroanálises
SOJA
No relatório do dia 10 de outubro o USDA reduziu novamente a produção americana, considerando uma quebra de 7% com relação ao mês anterior, apresentando 67,1 milhões de toneladas, o que voltou a surpreender o mercado que não esperava um corte abaixo dos 70,0 milhões de toneladas. Diante da situação externa, no mercado interno prevalece os bons preços.

MILHO
Novamente o relatório do dia 10 de outubro apresentou um acréscimo na produção americana de 2,6% com relação ao mês anterior, elevando para 259,2 milhões de toneladas. No mercado interno o preço perde força em função do volume que começa a ser ofertado, que por sinal é muito grande para o período, deixando o comprador bem à vontade. No mercado externo o dólar tem perdido muito terreno nos últimos dias, além do frete marítimo internacional ter sofrido uma alta considerável. Com este cenário, adicionando as boas chuvas dos últimos dias que dão um bom começo para a próxima safra, o mercado sofre, deixando os preços em queda.

CAFÉ
As chuvas na área produtora favoreceram a florada e pressionaram as cotações para níveis de 60 centavos de por libra na bolsa de Nova Iorque. Não há perspectivas de recuperação nos preços atualmente, exceto caso o clima seco e quente volte a prejudicar as lavouras. Caso o clima continue ideal, a tendência é de maiores quedas.

TRIGO
A colheita do trigo nas regiões norte, oeste e noroeste do Paraná está praticamente concluída e a falta de liquidez se agrava a cada dia, por dois fatores principais: o fato das indústrias estarem totalmente ausentes do mercado e assim deverão permanecer até o final do mês, e a desuniformidade dos lotes formados para comercialização, em função do plantio de muitas variedades com qualidades industriais muito divergentes entre si, o que diminui o volume de trigo nacional consumido pelas indústrias. Por outro lado estamos trabalhando junto ao Governo Federal no sentido de viabilizarmos alguns mecanismos de apoio à comercialização, com a finalidade de promover uma liquidez imediata na comercialização do produto.

ALGODÃO
O mercado internacional não apresenta comportamento diferente do abordado na edição anterior, com os produtores brasileiros intensificando ao máximo as exportações, principalmente para a próxima safra, cuja expectativa de produção é de hum milhão de toneladas. A próxima safra paranaense promete ser de boa liquidez, haja vista o lançamento dos contratos para entrega em abril e maio do próximo ano ao preço de R$ 20,00 por arroba de algodão em caroço.


Indicadores Econômicos 


VARIAÇÕES abr/03 mai/03 jun/03 jul/03 ago/03 set/03 Acumulado
Período
Acumulado
12 meses
IGPM (% AO MÊS) 0,92% -0,26% -0,26% -0,42% 0,38% 1,18% 0,78% 19,69%
TR (% AO MÊS) 0,42% 0,47% 0,42% 0,40% 0,34% 0,32% 2,38% 4,55%
DÓLAR COMERCIAL (% AO MÊS) -13,82% 2,62% -3,16% 3,26% 0,03% -1,45% -12,82% 3,36%
TJLP (% AO MÊS) 12,00% 12,00% 12,00% 12,00% 12,00% 12,00%    
SOJA 12,92% 7,69% 6,25% 8,06% 11,61% 14,71% 78,76% 199,76%
MILHO 11,61% 3,33% 17,69% 8,33% 10,00% 5,26% 70,27% 261,74%
ALGODÃO (TIPO 6) 0,00% 21,21% 3,13% 0,00% 3,13% 0,00% 28,91% 96,84%
TRIGO (PH 78) 0,00% 0,00% 0,00% 9,80% 3,92% 0,00% 14,11% 55,10%


Poder de Troca mês a mês


MÁQUINAS/INSUMOS X PRODUTOS abr/03 mai/03 jun/03 jul/03 ago/03 set/03 MÉDIA
DO
PERÍODO

MÉDIA ULT.
12 MESES

TRATOR NEW HOLLAND TM-135 - 125 CV (COMPLETO)
SOJA 4.566 4.296 4.606 4.651 4.878 4.247 4.541 4.541
MILHO 9.634 9.508 10.742 12.245 12.698 11.355 11.031 11.031
ALGODÃO (TIPO 6) 7.900 7.945 9.354 9.375 9.846 9.394 8.969 8.969
TRIGO (PH 78) 5.267 5.179 5.429 5.607 6.154 5.849 5.581 5.581
COLHEITADEIRA NEW HOLLAND TC 57 (completa)
SOJA 8.237 8.593 8.939 9.302 8.994 8.219 8.714 8.714
MILHO 17.378 19.016 20.848 24.490 23.413 21.978 21.187 21.187
ALGODÃO (TIPO 6) 14.250 15.890 18.154 18.750 18.154 18.182 17.230 17.230
TRIGO (PH 78) 9.500 10.357 10.536 11.215 11.346 11.321 10.712 10.712
PLANTADEIRA PSE 8 2S (COM CÂMBIO)
SOJA 1.102 1.129 1.155 1.182 1.162 1.044 1.129 1.129
MILHO 2.324 2.500 2.694 3.112 3.025 2.793 2.741 2.741
ALGODÃO (TIPO 6) 1.906 2.089 2.346 2.383 2.346 2.310 2.230 2.230
TRIGO (PH 78) 1.271 1.361 1.361 1.425 1.466 1.438 1.387 1.387
PULVERIZADOR COLUMBIA MAXTER FLOW
SOJA 765 809 864 884 874 813 835 835
MILHO 1.614 1.791 2.015 2.328 2.275 2.173 2.033 2.033
ALGODÃO (TIPO 6) 1.323 1.497 1.755 1.782 1.764 1.798 1.653 1.653
TRIGO (PH 78) 882 976 1.019 1.066 1.102 1.119 1.027 1.027
CALCÁRIO
SOJA 1 1 1 1 1 1 1 1
MILHO 3 3 3 4 4 3 3 3
ALGODÃO (TIPO 6) 2 3 3 3 3 3 3 3
TRIGO (PH 78) 2 2 2 2 2 2 2 2
Para cálculo da paridade de produtos X máquinas e insumos foram utilizados os preços praticados no último dia do mês.

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