Pecuária     



Bovinos:
Está aberta a estação de monta


Veterinário da Coamo ensina como aumentar os índices de fertilidade do rebanho


A chegada da primavera indica o início da estação de monta para bovinos. A estação se estende até o verão e corresponde aos períodos onde a produção de forragens tropicais de verão se tornam estáveis e, com isso, fornecem em quantidade e qualidade, parte das exigências nutricionais necessária para os bovinos. 

No caso da pecuária de corte, destinada à produção de bezerros, um manejo correto e estruturado deve ser realizado com as vacas e novilhas que compõem a categoria das matrizes reprodutoras, pois elas são bastante exigentes quanto a qualidade nutricional dos alimentos ingeridos. “Essa categoria animal, além do seu próprio desenvolvimento corporal ou manutenção orgânica, precisa também manter a alimentação de sua cria (o bezerro) que está ao seu pé e deve entrar em cio, ser coberta e desenvolver uma boa gestação, para manter um intervalo entre partos de 12 meses em média e produzir o esperado, que é um bezerro ao ano”, lembra o médico veterinário Hérico Alexandre Rossetto, do Detec da Coamo, em Campo Mourão.

Para se evitar as restrições nutricionais causadas pelo baixa disponibilidade e declínio nutritivo das pastagens, ocorrido durante o inverno, o veterinário da Coamo recomenda alguns procedimentos. Primeiramente disponibilizar para as fêmeas em reprodução os piquetes de pastagens que já possuam neste período um bom crescimento vegetativo (o qual terá boa quantidade e qualidade nutricional); manter o sal mineral protêico energético, utilizado no inverno, por mais tempo, até que as pastagens estejam com o crescimento vegetativo estabilizado, pois as matrizes bovinas necessitam de altos teores energéticos, protêicos e minerais neste período destinado à concepção de uma nova prenhez. E o sal mineral protêico energético irá favorecer a flora ruminal dos animais, melhorando a utilização dos nutrientes ingeridos. Após a restruturação das pastagens em quantidade e qualidade, o que normalmente deverá ocorrer à partir do mês de outubro, poderá iniciar o fornecimento de uma mistura mineral para o período das águas, sendo que esta mistura mineral deverá conter no mínimo 9% de fósforo em sua formulação. “O rebanho deverá ser everminado no início do período da estação de monta para evitar o seqüestro de nutrientes pela espoliação verminótica”, lembra Rossetto.

Também faz-se imprescindível para o rebanho bovino de cria, segundo ele, estruturas de creep feeding, para a suplementação alimentar dos bezerros. “Esse procedimento possibilitará aos bezerros suprirem parte de suas necessidades nutricionais com alimentos sólidos e não só com leite, desgastando menos as vacas que estão amamentando, podendo o organismo destas disponibilizar mais nutrientes para a reprodução”.

“Durante a estação de monta, o pecuarista deve evitar o déficit nutricional das matrizes, que pode refletir na taxa de fertilidade do rebanho, diminuindo os índices produzidos e conseqüentemente reduzindo a lucratividade. O rebanho bovino do Paraná apresenta uma taxa de natalidade em torno de 55%. É um índice muito baixo, o que mostra a urgente necessidade de um manejo estratégico neste período muito importante que é a estação de monta”, revela Rossetto.


Retenção de placenta

A retenção de placenta é uma das patologias mais freqüentes relacionadas à reprodução de fêmeas bovinas.Trata-se de uma condição na qual os anexos fetais não são eliminados totalmente até 12 a 16 horas após a expulsão do bezerro. A ocorrência é muito variável e se situa entre 4% a 40%, dependendo de fatores predisponentes como: condição corporal do animal ao parto; padrão nutricional pré-parto; ocorrência de abortos ou partos prematuros; partos difíceis ou auxílio ao parto; parição em locais altamente contaminados; condições estressantes pré-parto e depressão imunológica da fêmea próxima ao parto. Recentemente tem sido proposto que uma grande parcela dos casos de retenção ocorre pela depressão parcial do sistema imunológico materno. Esta alteração imunológica causaria redução no número e atividade das células de defesa materna, que são responsáveis pela liberação inicial da placenta.

Quando a placenta não é expulsa no período normal, que é de até 12 horas, a presença desta causa uma série de transtornos ao animal. Como geralmente uma parte fica no interior do útero e o restante se exterioriza pela vulva, funciona como uma excelente via de entrada de microorganismos para o interior do aparelho genital. Além disto, a presença física dos restos placentários no interior do útero, dificulta a sua involução. Estas condições tendem a se tornar cada vez mais intensas. Como a involução uterina se encontra prejudicada, a eliminação do conteúdo fica mais difícil, favorecendo a proliferação de bactérias ali presente em grande número. Por sua vez, o desenvolvimento das bactérias leva a inflamação do útero, o que prejudica ainda mais a involução. Cria-se, desta forma, uma situação onde os problemas decorrentes da retenção de placenta, além de se perpetuarem, tornam-se progressivamente mais graves.

As infecções uterinas nesta fase, denominadas de infecções puerperais, geralmente têm caráter agudo e necessitam de tratamento rápido e eficiente, pois oferecem risco concreto a vida do animal. O tratamento deve ser mais rápido possível, a partir do momento em que se caracteriza a retenção de placenta. Recomenda-se a utilização de um antibiótico, nos casos de retenção de placenta, antes mesmo que os sinais de infecção, como febre ou falta de apetite (anorexia) sejam apresentados pelo animal. Quando estes sintomas são observados, é indicativo que a infecção já se encontra instalada, a população bacteriana está elevada e o animal já corre risco de vida.

Mesmo quando o animal não morre, os prejuízos futuros podem ser consideráveis. Vários trabalhos de mensuração de eficiência reprodutiva em animais que apresentaram retenção de placenta demonstraram que esta situação pode afetar e muito, a eficiência reprodutiva futura. Os efeitos danosos incluem retardo no reinício da atividade reprodutiva e involução uterina pós-parto, redução no escore corporal, maior incidência de infecções uterinas pós-puerperais, e aumento no número de serviços por concepção (menor fertilidade). A redução da eficiência somada ao aumento dos gastos com medicamentos deve ser considerada ao se analisar os efeitos deletérios da retenção de placenta.

Para maiores esclarecimentos quanto a prevenção da retenção de placenta procure o médico veterinário em seu entreposto da Coamo.

Fábio Longhi Ferro, médico veterinário Detec Toledo. Fonte: Brasil Rural Animais


Febre Aftosa:

Paraná há mais de 7 anos sem a doença

Segunda etapa da campanha será realizada de 1º a 20 de novembro


Já está tudo pronto, no Paraná, para a segunda etapa deste ano da campanha de vacinação contra a febre aftosa, que será realizada de 1º a 20 de novembro. A expectativa da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento é repetir a boa performance alcançada na primeira etapa da campanha, em maio. O Estado fechou a campanha com um índice de 98,66% de animais vacinados, diante do plantel superior a 10 milhões de cabeças.

“Os criadores estão cada vez mais conscientes da necessidade de vacinar os animais, mantendo o Estado livre da doença”, lembra a médica veterinária do núcleo regional da Seab em Campo Mourão, Elenice Amorim Lima. O Paraná está há mais de sete anos livre da doença, com vacinação. “Estamos trabalhando em parceria com o criador para que o nosso Estado alcance a meta de livre da febre aftosa, sem vacinação. E, me parece, estamos no caminho certo”, constata a veterinária da Seab.

Lembrete – O criador deve comprovar a vacinação do rebanho, através da nota de compra da vacina e da relação de animais vacinados. As vacinas já estão chegando às farmácias veterinárias. A Coamo, a exemplo dos anos anteriores, está preparada para atender os criadores na demanda por doses de vacinas.

Peste suína – Paralelamente à campanha de aftosa, a Seab também está realizado, desde outubro, a 2ª etapa de exames sorológicos em suínos, para comprovar que o Estado está livre do vírus circulante da peste suína clássica. A doença já está erradicada no Paraná desde 1992.


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