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SAFRA DE VERÃO:
Cooperados mantém investimentos
PARA
ENCARAR MAIOR CUSTO DE PRODUÇÃO AGRICULTORES FOCAM
NA PRODUTIVIDADE DAS LAVOURAS
A reviravolta sofrida pela agricultura, neste ano, pegou os
produtores de surpresa, principalmente os sojicultores. Muitos apostavam
na manutenção do alto preço do grão
e do custo de produção. No entanto, hoje a situação
é inversa: o preço da soja está mais baixo,
em comparação com o início do ano, e o custo
de produção deve ser fechado em praticamente 30% a
mais que o registrado na safra passada.
Mas o cenário não está desanimando os agricultores.
Pelo contrário, um levantamento da gerência de Assistência
Técnica da Coamo dá conta de que a área de
soja nesta safra (2004/2005) será incrementada em 7%, na
região de atuação da cooperativa. O crescimento
da soja está sendo verificado, principalmente, na área
de milho. “O cooperado não teve tempo para mudar de
estratégia e vai trabalhar com o planejamento do ano anterior”,
explica o presidente da Coamo, engenheiro agrônomo José
Aroldo Gallassini. Diante da afirmação é possível
constatar que o produtor rural vai manter ou, em muitos casos, aumentar
os investimentos na lavoura, focando o aumento da produtividade
para manter os bons resultados da agricultura, a exemplo dos últimos
anos.
PERDAS
E GANHOS – “A realidade deste ano é
bem diferente. A produtividade será decisiva para determinar
o nosso ganho nesta safra. Com a alta no preço dos insumos
a saída é produzir”. A recomendação
é do cooperado Vicente Mignoso, de Campo Mourão, no
centro-oeste do Paraná. Ele está cultivando 170 alqueires
de soja e sabe que a agricultura é uma profissão de
risco. “Pode-se ganhar ou perder”, destaca, lembrando
que quem administra a atividade rural sabe que é preciso
capitalizar nas épocas boas para gerir os investimentos nas
horas mais difíceis.
O investimento feito por Mignoso neste ano, na lavoura de soja,
foi inclusive melhorado, porque o cooperado tem interesse em aumentar
a produtividade. “O pensamento de diminuir o investimento
não é o melhor caminho. O custo pode ser diluído
com maior produtividade, nunca com menor investimento”, ensina.
Nas últimas safras, a produtividade média de Mignoso
tem girado em torno de 130 sacas de soja, por alqueire.
SAIR
GANHANDO – O cooperado Gabriel Jort, também
de Campo Mourão, é outro que não abre mão
do investimento na lavoura de soja. Ele sabe que o custo de produção
está acima do trabalhado no ano anterior e, por isso, também
aposta no incremento de produtividade. “O foco é não
deixar de investir na produção, porque se a gente
reduzir os investimentos já vamos sair perdendo, logo no
plantio da safra”, sustenta.
Nesta safra, Jort está cultivando 75 alqueires de soja. Nos
últimos anos a sua produtividade média, com a cultura,
tem girado em torno de 140 sacas por alqueire.
TRATAMENTO DE SEMENTES:
O que fazer com a sobra do plantio?
ORIENTAÇÃO
DO DETEC DA COAMO É PARA O COOPERADO TRATAR SOMENTE O NECESSÁRIO
PARA O PLANTIO
A soja
é atacada por um grande número de doenças fúngicas
e algumas bacterianas, além de viroses e nematóides.
Dentre estas, as doenças causadas por fungos são consideradas
as mais preocupantes, não somente devido ao maior número,
mas pelos prejuízos causados, tanto no rendimento quanto
na qualidade das sementes. Além disso, muitos desses microrganismos
têm, na semente, o seu principal veículo de disseminação
e de introdução em novas áreas de cultivo,
onde, sob condições favoráveis de ambiente,
poderão causar sérios danos à cultura.
A ocorrência de condições climáticas
desfavoráveis, como chuvas e altas temperaturas durante as
fases de maturação e colheita, afeta, além
da qualidade fisiológica, a sanidade das sementes. Assim,
o tratamento de sementes com fungicidas, é uma prática
que vem sendo utilizada por um número cada vez maior de agricultores.
Segundo a Embrapa Soja, o volume de sementes tratadas com fungicidas,
que, na safra 1991/92, não atingia 5% da área semeada,
foi de 93% na safra 2001/02.
Além de controlar patógenos importantes transmitidos
pela semente, o tratamento é uma prática eficiente
para assegurar populações adequadas de plantas, quando
as condições climáticas durante a semeadura
são desfavoráveis à germinação
e a rápida emergência da soja, deixando a semente exposta
por mais tempo a fungos habitantes do solo. Contudo, o tratamento
deve ser feito de acordo com o quantidade utilizada no plantio,
evitando assim a sobra desnecessária de semente tratada.
O engenheiro agrônomo Edson Honório Braga, supervisor
de entrepostos da Coamo, orienta que o produtor deve segurar um
percentual de semente sem tratar quando estiver encerrando o plantio
da cultura e tratar na medida em que for acabando a semente da plantadeira.
A medida é preventiva e evita a sobra de semente tratada.
Braga aproveita para indicar o que fazer com a sobra de semente:
“o ideal é não deixar sobrar, mas se acontecer
o produtor deve guardar bem o que restou”, revela. O agrônomo
alerta que a semente tratada é altamente tóxica e
jamais deve ser misturada aos grãos não tratados.
CUIDADO ESPECIAL – Recentemente, a China
embargou alguns navios carregados com soja brasileira, sob alegação
de mistura de semente tratada em lotes destinados ao consumo. “Hoje,
no Brasil, a legislação permite uma semente tratada
por quilo de soja. Entretanto, muitos paises da Europa exigem soja
sem mistura”, esclarece. No entanto, segundo Braga, se o produtor
for flagrado fazendo a mistura , corre o risco de ser preso por
agir de ma fé. A Coamo, por exemplo, segundo o agrônomo,
está tomando as medidas necessárias para detectar
a presença de soja tratada em lotes de soja entregues para
o consumo.
Uma das alternativas para não sobrar semente de soja tratada,
ao final do trabalho de cultivo, é plantar a parte que irá
fechar o último talhão sem tratar a semente. “Embora
não seja o ideal, é uma solução para
não ficar com semente tratada no final do plantio sem saber
qual destino dar”, ressalta Braga.
CAMPANHA – O Detec da Coamo tem trabalhado
constantemente para conscientizar os cooperados da importância
do tratamento de sementes e da necessidade do produtor evitar a
sobra de semente tratada ao final do plantio. Os técnicos
têm feito palestras e entregues materiais publicitários
promocionais, com intuito de manter o cooperado sempre bem informado
sobre o tema e, assim, evitar problemas futuros.
Os Peralta fincam raízes
CINCO
ANOS DEPOIS DE VOLTAR A MORAR NO CAMPO, APÓS UMA TEMPORADA
NA CIDADE, A FAMÍLIA PERALTA, DE PEABIRU, COMEMORA A REDESCOBERTA
DAS ORIGENS
O cooperado
Adolfo Peralta Sobrinho possui uma propriedade rural de 40 alqueires,
na comunidade Placa União, em Peabiru, no centro-oeste do
Paraná. Como muitos, foi seduzido pela vida urbana e acabou
deixando o campo em 1994 para morar na cidade com a família.
Foram seis longos anos em que Peralta não conseguia esconder
a sua frustração, principalmente por dois fatores
que o levaram a tomar a decisão definitiva de voltar a morar
na propriedade rural: a redução dos custos e a própria
administração e gerenciamento dos negócios
do sítio.
A decisão
de Peralta chegou a ser contestada, no início, pelos filhos,
que já estavam acostumados à vida urbana. Mas hoje
é comemorada por todos. “Temos a certeza de que fizemos
a escolha certa”, comemora o cooperado, referindo-se à
nova realidade vivida pela família no sítio. Cinco
anos depois da decisão de voltar para o campo, os Peralta
redescobriram as origens e fincaram raízes. “A nossa
única certeza é que daqui não saímos
mais”, emenda Fábio Peralta, um dos filhos, que também
é cooperado da Coamo. Juntos, eles aprenderam uma grande
lição e consolidaram a vocação familiar
para o trabalho no campo.
Os resultados no sítio, desde então, só têm
crescido. Trabalhando juntos, os Peralta ampliaram a produtividade
das lavouras e geriram melhor o sítio. “Fomos favorecidos
pela boa fase que viveu a agricultura nos últimos anos, o
que culminou com a certeza de que o nosso esforço valeu a
pena”, salientou Adolfo Peralta. Diante da nova situação
e do sucesso com a atividade agrícola, os filhos foram encorajados
a permanecer na propriedade. “Estamos aprendendo a profissão
que também escolhemos para o nosso futuro, tocando os negócios
da família”, completa Fábio Peralta.
Nos 40 alqueires da propriedade, a família cultiva soja no
verão e divide a exploração no inverno, entre
o milho safrinha e o trigo. Na safra passada, a produtividade média
da soja foi de 133 sacas por alqueire.
SANGUE NOVO – Fábio Peralta, filho
do seu Adolfo, é um exemplo do jovem que tem a agricultura
no sangue. Seguindo os passos do pai, assim como o irmão
Bruno, ele tem aprendido os segredos do trabalho no campo e hoje
até já tem o seu próprio cultivo, numa área
cedida pelo pai. “O impacto inicial de voltar para o sítio
me pareceu um retrocesso. Mas agora sei que estava errado. Aqui
é o meu lugar”, afirmou, sem esconder a satisfação.
“O trabalho no campo é uma profissão que vou
levar para frente, para meus filhos, como meu pai está fazendo”.
O jovem está concluindo um curso em cooperativismo e administração
rural, realizado pela Coamo, o que certamente irá abrir novos
horizontes para ele e para a sua família. “Estou aprendendo
muito sei que posso melhorar ainda mais para garantir o futuro da
nossa propriedade”, concluiu.
A safra de soja no PR, SC e MS
PRODUÇÃO
DO PARANÁ DEVERÁ SER A MAIOR DA HISTÓRIA, SEGUNDO
A SECRETARIA DE AGRICULTURA
O
plantio de soja brasileira da safra 2004/05 já começou
em diversas regiões. A expectativa da Conab (Companhia Nacional
de Abastecimento) é de que a área plantada no país
cresça em 7,6%, em relação ao cultivo realizado
na safra passada, ficando em 22,85 milhões de hectares. A
produção brasileira deve crescer. A Conab espera uma
safra de 65,6 milhões de toneladas de soja, ou seja, 32%
a mais que a produção da safra passada.
No Paraná um levantamento feito pelo Departamento de Economia
Rural (Deral), órgão vinculado à Secretaria
de Estado de Agricultura e Abastecimento, indica uma previsão
de que a safra atual de soja será cultivada em 4,09 milhões
de hectares, área 4% maior que a do ano passado. A produção
deverá ser a maior da história: 12,45 milhões
de toneladas, ou seja, 25,3% a mais do que a safra passada. Deste
total, menos de 1% deverá ser de soja transgênica,
conforme previsão feita pelo governo do Paraná.
Em Santa Catarina a área a ser cultivada nesta safra será
de 340 mil hectares, ou 9% maior que a cultivada na safra passada.
A produção estimada é de 918 mil toneladas,
43% superior a alcançada na safra passada. Os dados são
do Instituto de Planejamento e Economia Agrícola do Estado
de Santa Catarina (Icepa).
No Mato Grosso do Sul, de acordo com dados do IBGE – Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística, a área cultivada
com a soja nesta safra será de 45 mil hectares, praticamente
a mesma plantada no ano passado. A produção estimada
é de 126 mil toneladas. |