NO PARANÁ,
O AVANÇO TECNOLÓGICO NO CAMPO DEVE-SE, EM GRANDE PARTE,
À PESQUISA COOPERATIVA, QUE ESTÁ COMPLETANDO 30 ANOS.
A COODETEC, ANTIGA OCEPAR PESQUISA, FOI A PRECURSORA E HOJE INTEGRA
39 COOPERATIVAS
A cadeia produtiva do setor rural não tem sido a mesma desde
o surgimento da pesquisa cooperativa. Cada vez mais especializada
e com foco regionalizado, ela tem produzido materiais que se encaixam
às necessidades de cada produtor rural, abrindo um amplo
espaço no segmento com o desenvolvimento de novas variedades
para cultivo das lavouras e participação na geração
de tecnologias. Uma prova de que tecnologia e cooperação
andam juntas pode ser encontrada no Paraná, onde a revolução
tecnológica agregada ao campo deve-se, em grande parte, à
pesquisa cooperativa, que está completando 30 anos.
A iniciativa
pioneira, aliada à filosofia da cooperação,
foi implantada no Paraná em 1974. “Fizemos nascer,
dentro do sistema, a primeira instituição de pesquisa
privada do cooperativismo no Paraná, a Ocepar Pesquisa”,
lembra o ex-presidente da Organização e Sindicato
das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Guntolf Van
Kaick, que estava à frente da entidade na época. Ele
lembra que o projeto foi possível quando se conseguiu transferir
para o Paraná recursos de fundos de pesquisa então
destinados ao Rio Grande do Sul.
Para Van Kaick, participante ativo do movimento cooperativista desde
o final da década de 60 até os dias atuais, a pesquisa
cooperativa surgiu para desenvolver tecnologias para a auto-suficiência
do trigo, tendo em vista os altos preços do produto no mercado
internacional. Mais tarde, em 1995, o projeto Ocepar Pesquisa se
transformou numa cooperativa central de pesquisa agrícola.
“Foi quando fundamos a Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola
(Coodetec), que é hoje uma bela realidade e vem cumprindo
de maneira positiva o seu papel no desenvolvimento e melhoramento
genético de diversas culturas”, acrescentou o engenheiro
agrônomo João Paulo Koslovski, atual diretor presidente
do Sistema Ocepar.
MERCADO
CRESCENTE – Com sua sede localizada em uma área
de aproximadamente 470 hectares, em Cascavel, no oeste paranaense,
a Coodetec também possui outros centros de pesquisa. Um deles
em Palotina, também no oeste do Paraná, com uma área
de 350 hectares; outro em Rio Verde, Goiás, com 60 hectares
de área; e o terceiro em Mato Grosso, onde desenvolve melhoramento
genético das culturas de soja, milho, algodão e trigo.
Juntos, os centros de pesquisa da Coodetec produzem 20% das cultivares
de soja, 26% do trigo, 15% do algodão e 1,5 % dos híbridos
de milho cultivados no Brasil.
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A meta da Coodetec,
nas próximas safras, é representar em 30% a quantidade
de variedades de soja cultivada em todo o país. Para atingir
propostas ambiciosas como esta, a Coodetec, através das 39
cooperativas filiadas, das quais, 27 são paranaenses e outras
12 com sede nos estados do Rio Grande do Sul (7), Santa Catarina
(2), São Paulo (1), Goiás (1) e Mato Grosso (1), investe
anualmente cerca de R$ 10 milhões em pesquisa, atendendo
a demanda de aproximadamente 137 mil agricultores cooperados, além
de milhares de outros agricultores não vinculados a cooperativas.
A instituição se sustenta através da comercialização
e multiplicação de sementes por seus associados, já
que possui mais 130 empresas e cooperativas licenciadas para produzir
suas sementes, além de respaldar a recomendação
destas cultivares através de 60 diferentes locais de experimentação
e testes de pesquisa.
RESULTADOS
– Para o engenheiro agrônomo Irineo da Costa
Rodrigues, presidente da Coodetec, a entidade exerce papel estratégico
para suas cooperativas associadas, gerando cultivares e híbridos
e ofertando sementes no mercado com o intuito de exercer um papel
de agente equibrador de preços. “Devemos, para tanto,
gerar produtos competitivos e compatíveis com os melhores
do mercado”, explica.
Segundo Rodrigues, “nessas três décadas de história
da pesquisa cooperativa paranaense e nove anos de existência
da central, partimos de uma receita bruta de R$ 2,5 milhões
em 1995, para aproximadamente R$ 50 milhões, que é
a estimativa para 2004”, comemora. No passado, segundo ele,
a pesquisa era bancada especificamente com recursos das próprias
cooperativas. “Nos últimos anos conseguimos mudar esta
realidade fazendo com que a Coodetec tenha uma receita própria.
Isto prova mais uma vez de que foi uma decisão estratégica
importante tomada pela diretoria da Ocepar, há mais de 30
anos, de investir em pesquisa e de que os produtores paranaenses
e brasileiros colhem os frutos.”, destaca Rodrigues.
| PESQUISA
ESTRATÉGICA |
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Independência
genética nos principais produtos |
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Equilíbrio
de preços de sementes |
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Influência
nas linhas de pesquisa |
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Nichos
de mercado e produtos regionalizados |
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Interação com indústria e mercado |
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Concorrência
sadia em tecnologia |
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OS ALVOS DA COODETEC
O engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor
presidente da Coamo – uma das maiores parceiras da Coodetec,
explica que a inserção das cooperativas no segmento
de pesquisa tem se mostrado, ao longo dos anos, muito eficaz na
geração de competitividade entre as empresas de pesquisa
públicas e privadas, que acabam desenvolvendo materiais cada
vez melhores para os agricultores. Gallassini acompanhou o surgimento
da pesquisa cooperativa no Paraná e lembrou das dificuldades
do início. “O Paraná foi o precursor deste segmento,
e ao mesmo tempo acabou ampliando o mercado da tecnologia, para
outros estados e, inclusive para o Paraguai”, informa. “Por
outro lado, continua, estrategicamente depois da lei de proteção
de cultivares (1997), as variedades desenvolvidas pela Coodetec
são de propriedade das cooperativas, o que as coloca em posição
privilegiada em relação a essa questão estratégica
de ter domínio sobre o germoplasma. Por isso, cada vez mais
essa atividade de pesquisa dentro das cooperativas adquire maior
importância no segmento brasileiro”, completa.
NOVIDADES
– Atualmente, o foco central da Coodetec é
dado à melhoria dos materiais já desenvolvidos pela
instituição em anos anteriores. “Cerca de 80%
do trabalho da entidade é direcionado para o desenvolvimento
de variedades. Mas também há outros trabalhos dentro
das linhas de pesquisa básica, aplicada e de abrangência”,
revela o engenheiro agrônomo Ivo Marcos Carraro, diretor executivo
da Coodetec. Desta forma, segundo ele, a cooperativa está
sempre procurando lançar variedades com melhoria na produtividade
e resistência a doenças, por exemplo.
“No campo convencional as novidades têm que ocorrer
sempre. Por isso, todos os anos as Coodetec tem lançado novos
materiais e todos trazem sempre alguma vantagem para o produtor”,
assegura o agrônomo Ricardo Accioly Calderari, diretor secretário
da Coamo e vice-presidente da Coodetec. Ele cita como estratégias
para os próximos anos o desenvolvimento de variedades de
soja com alto teor de proteína, que devem estar no mercado
a partir de 2006, e a biotecnologia.
ENXERGANDO LONGE – “É pesquisa
trabalhando dentro da realidade de cada produtor. Essa é
a visão de cadeia produtiva”, explica Gallassini. A
própria existência de pesquisa dentro de cooperativas,
segundo ele, já é uma prova de que elas enxergam essa
cadeia, sabem trabalhar com isso e estão investindo porque
a pesquisa é o primeiro elo dessa cadeia. “E a Coodetec
tem uma vantagem muito grande porque ela está inserida dentro
do contexto das cooperativas, que domina vários elos, desde
a produção até o mercado. Então, esse
entrelaçamento entre a cadeia produtiva, quando mais integrado
maior eficiência ele vai ter”, conclui o presidente
da Coamo.
Coamo
na vanguarda
A Coamo é
uma das cooperativas fundadoras da Coodetec, sendo hoje uma de suas
associadas mais ativas na integração e no uso das
tecnologias desenvolvidas pela pesquisa. Além da parceria
com a Coodetec, a cooperativa também mantém, há
29 anos, uma estação experimental em Campo Mourão,
com 140 hectares destinados ao apoio a pesquisa oficial e a validação
de resultados de testes com novas tecnologias que possam assegurar
benefícios na produção dos cooperados.
Todo o trabalho feito no campo é repassado aos cooperados
através de uma didática própria, desenvolvida
dentro da própria fazenda experimental da Coamo. A cada nova
safra a unidade de experimentação da Coamo se transforma
numa gigantesca sala de aula, onde o objetivo é favorecer
a troca de informações entre os criadores, os disseminadores
e os usuários da tecnologia. Tudo funciona como uma relógio
e o resultado final não poderia ser outro senão as
altas produtividades dos cooperados da Coamo em suas lavouras, que
estão entre as mais elevadas do país.
As informações geradas pela fazenda experimental da
Coamo movimentam todo o quadro técnico agronômico da
cooperativa. Na verdade, as recomendações dos profissionais
da Coamo são todas testadas antes na unidade de pesquisa
da cooperativa e só depois é disseminada entre o quadro
social. “A nossa missão é informar os cooperados,
disponibilizando novos conhecimentos para que ele possa progredir
e ter cada vez mais, um maior sucesso à frente do seu empreendimento,
seja na agricultura ou na pecuária. Para isso nos preparamos
antecipadamente e utilizamos uma linguagem bastante simples e clara,
para que o nosso produtor tenha uma boa compreensão e assimilação
dos assuntos”, relata o engenheiro agrônomo Joaquim
Mariano Costa, responsável pela fazenda experimental da Coamo.
Para Costa, tão importante quando repassar a informação
é esclarecer bem o cooperado para que ele não fique
com dúvidas. “O cooperado vem evoluindo a cada ano
porque tem um grande interesse em aprender, é ávido
em conhecer coisas novas, saber como é e como pode fazer
na sua propriedade. Enfim, ele quer ter melhores resultados a cada
nova safra, utilizando tecnologias novas”, esclarece.
| COODETEC
EM NÚMEROS |
| Produção
de 20% da soja, 26% do trigo, 15% do algodão e
1,5 % do milho cultivados no Brasil |
| Meta
é representar em 30% a quantidade de soja cultivada
em todo o país |
| São
39 cooperativas filiadas: 27 no Paraná e 12 nos
estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São
Paulo, Goiás e Mato Grosso |
| Investimento
anual de R$ 10 milhões em pesquisa |
| Atendimento
de 137 mil agricultores cooperados, além de milhares
de outros não vinculados a cooperativas |
| Para
2004 a meta é faturar R$ 50 milhões |
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INSETICIDA BIOLÓGICO:
Coodetec inaugura laboratório
AMPLO
E MODERNO, LABORATÓRIO É O ÚNICO NESTE SEGMENTO
A
Coodetec inaugurou no dia 15 de outubro o seu laboratório
de criação de lagartas Anticarsia gemmatalis para
a produção do Baculovirus anticarsia, um dos inseticidas
biológicos mais usados para controlar a lagarta da soja.
Desde a década de 80 o processamento das lagartas de maneira
industrial vem sendo aprimorado a partir da técnica desenvolvida
pela Embrapa Soja de Londrina (PR) e a Coodetec, através
de convênio com a Embrapa, vem industrializando e comercializando
o inseticida biológico Coopervírus P.M.
Amplo e moderno, o laboratório é único neste
segmento. Atualmente a Coodetec é a empresa que fornece para
o mercado agrícola brasileiro o maior número de doses
do Baculovírus anticarsia (com o nome comercial de Coopervírus
PM), o que corresponde a 65% do consumo do mercado nacional. É
um produto aprovado pelos agentes certificadores da agricultura
orgânica, sendo amplamente utilizado pelos adeptos deste sistema
para a cultura da soja.
O investimento realizado é da ordem de 1,2 milhões
de reais, com capacidade para produzir o equivalente a 1,5 milhões
de doses por hectare ao ano, gerando, quando em pleno funcionamento,
50 empregos fixos.
Investir
em pesquisa é bom negócio
Estudo divulgado
recentemente pelo Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), ligado ao Ministério do Planejamento,
revela que a cada 1% de aumento no volume de recursos destinados
à pesquisa ocorre um aumento imediato de 0,17% na produtividade
total da agricultura brasileira. No caso do crédito rural,
esse efeito é de apenas 0,06%. “Gasto com pesquisa
é mais importante que crédito rural”, conclui
o estudo. |
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