Agromercado     



Trigo:
Germinação na espiga compromete qualidade

SITUAÇÃO INVIABILIZA USO DO GRÃO NA PRODUÇÃO DE FARINHA, SEGUNDO PESQUISADOR DA EMBRAPA

A chuva intensa ocorrida durante a colheita afetou a qualidade do trigo em todo o Paraná. Isto porque os altos índices de umidade estimulam a germinação do grão na espiga, o que inviabiliza sua utilização para produção de farinha. Pesquisadores da revelam que a vulnerabilidade do grão de trigo à umidade ocorre porque, geneticamente, a maioria das cultivares é sensível à germinação na espiga, o que acarreta declínio no número de queda (NQ), chamado pelos técnicos de falling number (Fn), um dos índices que avalia a qualidade do trigo.

Um dos fatores que reduzem o Número de Queda é a ativação da enzima alfa-amilase, que por sua vez degrada o amido presente no grão de trigo, inviabilizando a farinha para fins industriais. Essa ativação da enzima, no entanto, não se dá apenas quando ocorre a germinação na espiga. A alfa-amilase pode ser substancialmente aumentada mesmo antes dos grãos atingirem o teor de umidade necessário para a germinação (a partir de 35%).

Com as chuvas intensas e prolongadas, os grãos não dormentes e prontos para a colheita, podem apresentar alta atividade de alfa-amilase já a partir de 24% de umidade. “Com certeza, muitos grãos de trigo atingirão esse nível de umidade, ou até mais, estimulando a atividade dessa enzima e, conseqüentemente, diminuindo o número de queda”, explica o pesquisador da Embrapa Soja Manoel Bassoi.

Os estudos desenvolvidos pelos pesquisadores Claudinei Andreoli e Manoel Bassoi mostram que a maioria das cultivares plantadas no Paraná apresenta baixa dormência, mais um sinal de que a atenção deve ser redobrada. As pesquisas desenvolvidas na Embrapa mostram que, além dos aspectos genéticos, outros fatores como os climáticos, também influenciam a germinação na espiga.

No Paraná, na maioria dos anos prevalecem as altas temperaturas e clima seco da fase de maturação fisiológica até o ponto de colheita, condições que também provocam a rápida perda de dormência dos grãos.

 

 

Agroanálises
 SOJA
Mercado muito lento, gerando poucos negócios, em função de que várias indústrias já paralisaram suas atividades para o ano. Com o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), do mês de outubro, apresentando novo aumento na produção americana de 3.87%, totalizando uma produção de 80.75 milhões de toneladas, mais uma vez o mercado fica com tonalidade negativa.
 MILHO
As ofertas estão aumentando dia-a-dia e o comprador alega ter estoques até janeiro. Assim, as perspectivas para o milho não são boas, pois a saída seria a exportação, que com a taxa de câmbio atual, não viabiliza. Desta forma, o comprador dita o preço.
 CAFÉ
Os preços do café recuperam-se bem nos últimos 30 dias, com a cobertura de posições vendidas de fundos. Os fatores que sustentam a melhora nos preços são a baixa nos estoque dos Estados Unidos e, principalmente, o desastre causado pelo furação Stan na Guatemala e no México. As lavouras em si não foram fortemente atingidas, mas as rodovias estão muito danificadas e o escoamento da colheita sofrerá um grande atraso. Assim sendo, uma vez resolvida a logística nesses países, a oferta deve voltar ao mercado. Com isso, na ausência de problemas climáticos no Brasil, as altas tendem a ser boas oportunidades de venda.
 ALGODÃO
Desde nossa última publicação não foram registradas mudanças significativas no cenário internacional do algodão. Diante de um equilibrado quadro de oferta e demanda mundial, as cotações do produto tanto no mercado externo quanto interno têm se mantido bastante estáveis. A comercialização do produto nacional vem sendo impulsionada pelos leilões de PEP – Prêmio para Escoamento do Produto, visando garantir ao agricultor a comercialização de sua produção ao preço mínimo. Por outro lado, a situação das indústrias de fiação continua não muito confortável. Há dificuldades nas vendas do fio e as margens, quando existem, estão muito apertadas. Consequentemente, isto refletirá negativamente na comercialização da pluma por parte dos cotonicultores, mostrando que a tendência é de que o quadro continue com este panorama pelo menos até o final do ano.
 TRIGO
Qualidade comprometida. Este é o panorama para grande parte da produção do trigo já colhido no Estado do Paraná; com um fato inédito: as chuvas que caíram durante a colheita não prejudicaram o PH do trigo. Porém, a qualidade para panificação ficou seriamente comprometida, pela germinação do grão da espiga, um dos fatores que deverão levar os moinhos ainda mais para o trigo importado. Podemos dizer que a comercialização está estagnada desde o início da colheita pelo pouco volume de produto comercializado, tornando-se evidente o desinteresse pelo trigo nacional por parte de muitas industrias, principalmente as das regiões norte e nordeste do país, onde mesmo com uma subvenção concedida pelo Governo Federal preferiram adquirir o produto argentino, pela instabilidade da qualidade apresentada no trigo paranaense. Novos leilões de PEP – Prêmio para Escoamento de Produto, estão sendo lançados pelo Governo Federal. No entanto, poucas são as possibilidades de serem negociados volumes que atendam a necessidade de venda dos produtores, que é grande. No cenário internacional não se observa muitas novidades, com exceção da queda que deverá ser registrada na produção da próxima safra argentina, o que para o Brasil é bom, pois isto deverá manter em alta a cotação do trigo naquele país.

 

Indicadores Econômicos
VARIAÇÕES mai/05 jun/05 jul/05 ago/05 set/05 Acumulado
Período
Acumulado
12 meses
IGPM (% AO MÊS) -0,22% -0,44% -0,34% -0,65% -0,53% -1,32% 2,17%
TR (% AO MÊS) 0,25% 0,30% 0,26% 0,35% 2,64% 1,63% 2,66%
DÓLAR COMERCIAL (%AO MÊS) -5,04% -2,22% 1,71% -1,12% -5,99% -16,66% -22,27%
TJLP (% AO MÊS) 9,75% 9,75% 9,75% 9,75% 9,75%    
SOJA 5,56% 13,57% 15,38% 11,32% 14,89% 101,56% 156,51%
MILHO 0,67% 5,44% 3,33% 102,45% 3,70% 61,93% 126,73%
ALGODÃO 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00%
TRIGO (PH 78) 4,76% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 23,91% 32,33%

Poder de Troca mês a mês

MÁQUINAS/
INSUMOS X PRODUTOS

mai/05
jun/05 jul/05
ago/05 set/05 MÉDIA
 DO
 PERIODO
MÉDIA ULT.
12 MESES
TRATOR NEW HOLLAND TM-135 - 125 CV (COMPLETO)
SOJA 6.486 4.281 4.429 6.357 6.733 5.513 5.412
MILHO 11.921 8.477 8.393 12.068 12.364 10.842 11.847
ALGODÃO (TIPO 6) 13.433 9.552 6.564 9.128 12.687 11.086 11.303

TRIGO (PH 78)

8.372 6.564 9.552 13.284 9.444 8.457 8.007
COLHEITADEIRA NEW HOLLAND TC 57 (COMPLETA)
SOJA 13.694 12.040 12.457 11.786 12.475 12.649 11.861
MILHO 25.166 23.841 23.607 22.373 22.909 24.845 25.854
ALGODÃO (TIPO 6) 28.358 26.866 18.462 16.923 23.507 25.274 24.702
TRIGO (PH 78) 17.674 18.462 26.866 24.627 17.500 19.726 17.712
PLANTADEIRA PSE 8 2S (COM CÂMBIO)
SOJA 1.486 1.380 1.427 1.473 1.634 1.417 1.352
MILHO 2.732 2.732 2.705 2.797 3.000 2.786 2.952
ALGODÃO (TIPO 6) 3.078 3.078 3.078 2.115 3.078 2.986 2.884
TRIGO (PH 78) 1.919 2.115 2.115 3.078 2.292 2.055 1.951
PULVERIZADOR COLUMBIA MAXTER FLOW
SOJA 1.257 1.239 1.282 1.323 1.347 1.209 1.091
MILHO 2.310 2.453 2.429 2.511 2.474 2.374 2.371
ALGODÃO (TIPO 6) 2.603 2.764 2.764 1.899 2.539 2.551 2.324
TRIGO (PH 78) 1.622 1.899 1.899 2.764 1.890 1.754 1.575
CALCÁRIO
SOJA 2 2 2 2 2 2 2
MILHO 3 3 3 3 3 3 3
ALGODÃO (TIPO 6) 4 4 4 4 4 3 3
TRIGO(PH 78) 2 2 2 2 3 2 2
Para o cálculo da pariedade dos produtos X máquinas e insumos foram utilizados os preços praticados no último dia do mês.

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