Suinos:
Nem tudo são flores, na granja
PRIMAVERA É TEMPO DE CUIDADOS ESPECIAIS COM OS SUÍNOSCOAMO
Dias quentes e noites mais frescas ou frias caracterizam a Primavera brasileira, estação que é período de transição entre o inverno e o verão. Para os suinocultores, este período é de cautela, já que a saúde e a produtividade dos suínos são influenciadas fortemente pelo conforto térmico.
O médico veterinário Rogério Paulo Tovo, responsável pelo Projeto Suinocultura Coamo, afirma que o desconforto térmico dos animais pode reduzir o resultados das granjas. “Durante o dia, quando as temperaturas estão mais altas, o ideal é deixar as instalações arejadas. Então, devemos manter as cortinas meio abertas e faz a poda das árvores nas laterais dos barracões. E nas noites frias, devemos fazer o contrário”, orienta.
Novo afirma que a sensação dos animais se assemelha à dos seres humanos. “Se e gente está na casa e esfria, você puxa o cobertor e se começa a esquentar, tira o cobertor. Como os animais estão fechados nas instalações, não têm como se protegerem sozinhos. A responsabilidade é do proprietário e de seus funcionários”, esclarece. “Se o trabalho não for bem feito, por exemplo, durante o dia, vai aumentar o desenvolvimento de gases provenientes das fezes e urinas. Esses gases podem criar problemas sanitários, como o aparecimento de encefalite, que é uma doença que pode provocar mortalidade”, relata.
Iniciadores – Para os produtores de leitões, os cuidados se concentram na temperatura da gestação e maternidade, já que se a temperatura estiver muito alta, as matrizes não se alimentam de acordo. “Elas não conseguem comer ração e o leite por elas produzidos entra pela boca, com a ração e água. Tem que cuidar justamente para não faltar água bem como, de repente, fornecer ração úmida, ou oferecer ração na maternidade à noite, justamente no período mais fresco em que as matrizes vão ter mais facilidade para se alimentarem e continuar com a produção de leite necessária ao bom desempenho dos leitões. Além disso, nas noites frias, deve-se manter as cortinas fechadas e os escamoteadores confortáveis para os leitões, para não passarem frio e não ficarem doentes”, afirma Tovo.
Terminadores – Já os terminadores devem estar atentos à higiene da granja. Em locais que possuem lâmina d’água, que chegaram a ficar secas ou foram trocadas a cada dois dias no inverno, no verão, a água da lâmina deve ser trocada até mais de uma vez ao dia. Tovo diz que a troca vai depender do tamanho e largura da lâmina e do número de animais agrupados. “Instalações que tenham animais próximos ao ponto de abate (com mais de 100 kg de peso vivo), e com lâminas d’água de dimensões não ideais podem esquentar muito durante o dia. Nessa condição, a água deve ser trocada mais de uma vez ao dia para que o animal possa se banhar, esfriar e continuar comendo e crescendo”, conclui.
Investimentos no projeto
Recentemente a diretoria da Coamo aprovou investimentos de cerca de R$ 1,5 milhão para a Granja de Suínos e Fábrica de Ração da cooperativa. Na granja, além de reformas nas instalações da creche, que devem ficar prontas até final deste ano, será trocada toda a genética dos animais, que passará a produzir uma linhagem definida e especializada na produção de carnes de alta qualidade. O prazo para ter os primeiros suínos da nova genética é de 2 anos e em 5 anos todos os cooperados integrados ao Projeto Suinocultura estarão com a nova linhagem de animais em suas granjas.

Para a Fábrica de Ração foram adquiridas balanças eletrônicas para melhorar a precisão na inclusão dos aditivos, que além de entrarem em baixíssima inclusão, são muito caros e necessários ao bom desempenho dos animais, e assim que forem concluídas as melhoras na creche, será instalada uma balança rodoviária, para garantir maior controle e precisão nas rações e concentrados produzidos.
Para o médico veterinário responsável pelo Projeto Suinocultura Coamo, Rogério Paulo Tovo, esses investimentos mostram que a cooperativa acredita no projeto. Segundo ele, a suinocultura é uma atividade de diversificação importante que dá mais opções ao produtor, que pode deixar de depender apenas da lavoura. “É uma forma do nosso cooperado possuir uma integração entre a agricultura e pecuária, e assim, ter uma receita adicional mensal e poder continuar no campo, sempre com boa produtividade”, completa.

|
|