Editorial:
Nova safra com esperanças renovadas ENGENHEIRO AGRÔNOMO JOSÉ AROLDO GALLASSINI, DIRETOR-PRESIDENTE DA COAMO
Os cooperados da Coamo realizaram um planejamento eficiente e com apoio da nossa assistência técnica iniciaram a safra 2005/06 esperando produzir boas colheitas e obter bons preços na comercialização para o sucesso da atividade. O que o nosso cooperado sabe fazer é plantar utilizando modernas tecnologias para elevar os níveis de suas produtividades e rentabilidade. E isto os cooperados da Coamo estão fazendo, semeando as melhores sementes e acreditando em dias melhores, fazendo a sua parte para o crescimento e desenvolvimento sustentável do agronegócio e da economia do nosso país.
A nova safra de milho já foi implantada na área de ação da Coamo com um volume 9,2% maior que o da safra anterior. Agora, as atenções estão voltadas para a cultura da soja que deve ter um incremento de 5,3% na área plantada da Coamo, enquanto que o Paraná, segundo as previsões, deverá reduzir sua área em 7,5% e o Brasil em torno de 2,5%.
Estamos realizando o plantio da nova safra, inserida em um ano atípico, com muitos problemas devido a seca na colheita de verão, a queda do dólar e baixos preços das commodities que reduziram substancialmente às margens de rentabilidade na agricultura. A soma de todos estes fatores afeta diretamente não só a agricultura, mas também a cadeia produtiva do agronegócio e a economia brasileira.
Além desses fatores, outro problema que estamos verificando são a ocorrência de chuvas em excesso, que comprometeram a qualidade do trigo, recém-colhido. Esperamos que tanto no milho como na soja, possamos ter regularidade no clima em benefício do seu desenvolvimento vegetativo e boas colheitas.
No caso do trigo, por exemplo, há uma insatisfação geral dos triticultores com relação a preços. A situação é agravada a medida que antes da colheita o cereal tinha um bom PH e qualidade, o que não se verificou após a colheita, haja vista que devido as chuvas a qualidade do produto foi seriamente prejudicada provocando ausência de preço, a saída dos moinhos do mercado e a queda nos preços internacionais. Diante dessa situação o que esperamos é que governo haja rápido e implante mecanismos para resolver a situação, oferecendo garantia de preço aos produtores de trigo. Se este problema do trigo não for resolvido imediatamente, teremos também uma superlotação dos armazéns, de onde precisamos escoar os estoques para dar lugar a produção da nova safra que está sendo plantada.
Se não bastasse os graves problemas na agricultura, a pecuária brasileira começa a sofrer prejuízos em conseqüência da ocorrência do surto de febre aftosa, inicialmente verificado no Mato Grosso do Sul e agora também no Paraná. É uma situação difícil e indesejada, tendo em vista que a divulgação da doença se espalhou e provocou repercussão imediata dos países compradores de carne do Brasil, com redução de consumo e suspensão das exportações com a aplicação de barreiras e restrições sanitárias. Os problemas da febre aftosa aliado aos da gripe aviária refletem diretamente não só na comercialização entre estados brasileiros, mas também nas cadeias de suíno e aves, e farelo de soja e milho, comercializados para ração animal, principalmente para a Europa, principal mercado comprador.
A situação é grave, pois a partir deste fato todo o rebanho brasileiro passa a ser suspeito e enquanto não houver o devido esclarecimento paira a dúvida e havendo dúvida não há comprador no mercado interno e externo, acarretando queda no preço e enormes prejuízos para os pecuaristas. Surpreendente mesmo é o fato de que existe apenas um laboratório no Brasil para análise e divulgação de resultados, localizado na longínqua Belém, no Pará, quando o correto seria que cada estado deveria contar com uma estrutura para análise e agilização no processo, numa situação dessa com registro de surto de febre aftosa. E tudo isto acontece num momento em que estava havendo recuperação nos preços da carne bovina.
Infelizmente, este é o cenário com a realidade atual da nossa atividade que apresentamos de forma clara e transparente para que todos os cooperados tenham consciência da situação e da dimensão dos problemas tanto na agricultura como na pecuária. E pela experiência ao longo das últimas décadas, esta não foi e nem será a última crise que enfrentamos. Mas o que todos nós esperamos é que ela termine o mais breve possível e possamos voltar aos níveis normais e satisfatórios dos últimos anos com produtividades, preços e bons resultados econômicos.
Da parte do governo o que esperamos é que ele tenha sensibilidade e mecanismos que se implantados de forma imediata possam apoiar os produtores brasileiros a superar os obstáculos neste ano que entrará para a história como um dos mais difíceis da atividade agropecuária brasileira. |