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Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 355 | Outubro de 2006 | Campo Mourão - Paraná

Administração

Gerenciamento rural operacionalizado

Programa “Na Ponta do Lápis” beneficia mais de 2 mil cooperados a aperfeiçoar gestão da propriedade rural

Superando as expectativas iniciais, 2,2 mil cooperados estão participando efetivamente a partir deste mês de outubro do Programa Coamo de Aperfeiçoamento em Gerenciamento Rural, mais conhecido como “Na Ponta do Lápis”. O resultado vem ao encontro dos objetivos da diretoria da Coamo quando do lançamento do programa em julho, no mês do cooperativismo. “Este número confirma que estamos no caminho certo e os cooperados entenderam a proposta do programa, que será um instrumento importante no auxílio à família cooperada, para saber a realidade da sua atividade e, ao final da safra de verão, oferecer subsídios para que os produtores saibam quais são os seus custos variáveis de produção, bem como o total gasto com as despesas da propriedade e familia. Enfim, é um programa que visa o aprimoramento do gerenciamento rural”, explica o presidente da Coamo, Dr. Aroldo Gallassini, satisfeito com o interesse e a aceitação dos cooperados em participar deste importante programa que busca aperfeiçoar a gestão da propriedade rural.

Em outubro, em todas as unidades, foram promovidos treinamentos para entrega dos cadernos de anotações e orientações para o seu correto procedimento. “A partir de agora, com o seu caderno, cada cooperado, juntamente com sua família, poderá fazer os apontamentos para conhecer da sua realidade”, informa Nei Leocádio Cesconetto, gerente de Assistência Técnica da Coamo.

Um desses treinamentos foi realizado no município de Farol (Centro-Oeste do Paraná), reunindo dezenas de cooperados e familiares. Para o cooperado Wilson Domingos, presente no evento, o  Programa Coamo de Aperfeiçoamento em Gerenciamento Rural será um grande aliado para os produtores. “O programa ‘Na Ponta do Lápis’ é muito bom. Estamos muito contente com esta idéia da cooperativa. Vou anotar tudo para ver como estão as coisas e ver até onde se pode gastar. E no final da safra vamos saber qual foi o resultado real da nossa atividade. Vou usar muito este material também na pecuária, pois quero aumentar a produção de leite da minha propriedade. Esse programa era o que nós precisávamos. Caiu do céu para nós”, disse, orgulhoso e feliz no momento do recebimento do kit do programa contendo além do caderno, caneta, lápis e calculadora.

Facilidade - O Detec da Coamo, no repasse dos treinamentos realizados em todas as unidades da cooperativa, enfatizou para a importância do hábito de anotar e registrar tudo durante a safra. E esta orientação é compartilhada também pelo cooperado Pedro Bukoski. “Agora é só anotar, por isso precisamos ter mais organização no nosso dia-a-dia e não esquecer de anotar as coisas. Este material é auto-explicitativo e na prática vai ser bem mais fácil para nós”, relata.

Hábito - Para o engenheiro agrônomo Luiz Cezar Voytena, do Detec de Campo Mourão, o segredo do sucesso do programa é fazer anotações diárias para não perder o controle. Mesmo pensa-mento tem o técnico Rudi Ricardo Scherer, do Detec de Campo Mourão, um dos palestrantes no treinamento realizado em Farol. “Foi excelente a adesão dos co-operados e isto mostra a importância deste programa que a Coamo fazendo pensando nos seus cooperados. Certamente, o programa ‘Na Ponta do Lápis’ irá auxiliar muito os cooperados na mudança de hábitos da gestão rural. Na prática ele  será importante para o acompanhamento das tarefas nas atividades diárias, bem como ao final da safra mostrará o valor real do custo de produção por cada saca de soja, milho e também de outras atividades como pecuária.

Família Bauer dá exemplo de gerenciamento rural

O sucesso da atividade agropecuária não consiste apenas em obter altas produtividades. De nada adianta produzir bem se não gerenciar ainda melhor. E administrar a propriedade com profissionalismo tem sido uma das grandes preocupações na vida do cooperado Luiz Carlos Bauer, de Clevelândia (Sudoeste do Paraná). Enquanto muitos não fazem, ou pouco se interessam pelo tema, Bauer não deixa nada escapar e há mais de 20 anos vem anotando tudo o que investe e lucra com a sua atividade.

Ele conta passou a fazer as anotações a partir do momento em que sentiu a necessidade de ter um maior controle dentro da propriedade. E nunca mais parou. “Se você não anota nunca vai saber o quanto custa para produzir e o que você pode ganhar, só anotando é possível ter um controle eficaz de como anda a atividade”, explica Luiz Carlos Bauer, que trabalha em parceria com os filhos Julio Cezar e Luiz Carlos Bauer Filho, também cooperados e que administram áreas em Clevelândia e Abelardo Luz (Oeste de Santa Catarina). Júlio Cézar tem a responsabilidade de controlar e conferir todos os custos e despesas da propriedade, sejam elas fixas ou variáveis. Já Luiz Carlos Filho, fica com a parte operacional. Plantar, monitorar e colher é com ele.

O controle é levado tão a sério que há cerca de quatro anos os Bauer adquiriram um programa de computador, próprio para auxiliar no gerenciamento da propriedade, de 232 alqueires de plantio, divididos com soja e milho no verão, trigo e aveia no inverno.

Tudo que diz respeito a despesas, investimentos e os lucros é anotado em grupos separados. Custos com combustíveis, peças, acessórios, mão de obra, insumos em geral e até água, luz e telefone vão para a planilha. “Cada um tem seu salário fixo, condizente com a nossa função, e não a divisão de lucros. Depois que adotamos esse sistema nossa despesa reduziu e o lucro aumentou. Hoje temos menos maquinário e mais área, mas mesmo assim nossa estrutura é o suficiente para atender o dobro dessa área”, comenta Júlio, orgulhoso com os resultados alcançados através desse sistema de gestão. Conforme ele, a forma como administram, possibilita visualizar o futuro. “Nós sabemos por antecedência se termos lucro ou não. É logo que estamos sujeitos a mudanças de preços e clima, mas da para se ter uma idéia do retorno que teremos, compatível com o investimento que definirmos”, explica.

Mas essa eficiência alcançada pelos Bauer não foi conquistada da noite para o dia. Eles reduzem os gastos onde podem e otimizam ao máximo a propriedade. “O trabalho de hoje é o mesmo de antes, mas com maior aproveitamento e menor custo, o que nos gera mais receita”, esclarece o patriarca.

No entanto, em uma coisa os Bauer não economizam: em tecnologia. “Você não pode cortar o que vai te dar renda. Portanto, reduzir tecnologia é baixar produtividade; é cortar alimento da planta, e isso nós não fazemos. Cortamos coisas supérfluas; jamais tecnologia”, argumentam.

Luiz Bauer entende que o menor custo da propriedade é o que gera a produção, ou seja, os insumos. E o maior, segundo ele, o que se gera por fora. De uma forma ou de outra nada passa desapercebido e o que não dá lucro deixa de gerar despesa, uma vez que acaba sendo excluído da vida e da planilha dos cooperados.

Estratégia – Para ajudar neste controle resolveram contratar um funcionário e montaram um pequeno escritório, que fica localizado na área central da cidade de Clevelândia. Mas para que não gerasse mais um custo, o escritório, que foi equipado com um computador, escrivaninha e armário, foi instalado nos fundos de uma sala comercial, e na parte da frente, inteligentemente eles montaram uma loja de variedades para presentes, e com o lucro da loja eles pagam as despesas do local, inclusive o funcionário.

Produtividade – Depois que adotaram o gerenciamento eletrônico os Bauer conseguiram equilibrar mais o sistema de produção da fazenda. Na última safra, eles fecharam a colheita de soja com média de 117 sacas por alqueire e o milho: 350 sacas. O trigo, em razão das adversidades climáticas, foi fechado com média de 90 sacas por alqueire.

Além das lavouras comerciais, os cooperados possuem uma área de 41 alqueires, onde cultivam aveia para semente e engorda de gado.