Jovens agricultores, associados da Coamo, agregam valor ao ambiente produtivo e fazem da cooperação uma fonte de desenvolvimento sustentável, no profissional e no pessoal
Para o escritor James Hunter, autor do livro “O Monge e o Executivo”, o que diferencia os seres humanos dos animais são as habilidades excepcionais como a imaginação, a consciência e a autopercepção. Em “Como se tornar um líder servidor - os princípios de liderança de “O Monge e o Executivo”, Hunter afirma que possuímos a capacidade de fazer uma reflexão sobre a vida e até de mudar a realidade ao nosso redor, no ambiente que deve ser considerado como ‘natureza humana’. Assim, os seres humanos podem tomar decisões e transformar seus conceitos e a própria vida.
Este pensamento vai ao encontro do momento atual, que dentro do mundo moderno preconiza a Era do Conhecimento. Como resultados, as pessoas são motivadas a planejar e atuar na direção das suas metas, revendo conceitos, aprimorando conhecimentos com foco e visão estratégica não só no desenvolvimento dos resultados do seu empreendimento, mas também nos aspecto social e pessoal.
Assim, a qualidade de vida e a excelência nos resultados dentro do meio ambiente produtivo rural são desejos cada vez mais inerentes aos agricultores e de seus familiares. Na busca e conquista dos seus objetivos, eles labutam de sol a sol, utilizam tecnologias e estão abertos às informações para angariar e aperfeiçoar seus conhecimentos, com o firme propósito de obter melhores condições para o crescimento pessoal e profissional e agregar valor à sua atividade.
Neste contexto, os agricultores tornam-se agentes de desenvolvimento e como empresários rurais são muito importantes para cumprir a sua missão de produzir alimentos para o mundo com qualidade e sucesso, no atendimento as mais exigentes normas do mercado. Os agricultores cooperativistas também têm a certeza de que cada vez mais torna-se necessário o cultivo e a prática da cooperação, eficaz instrumento e alicerce para a construção e manutenção de uma comunidade melhor organizada, alicerçada no espírito solidário, um dos princípios do cooperativismo, visando sempre o bem comum de milhares de pessoas.
Colheita de gente - Este cenário fica mais evidenciado, a medida em que surgem os bons resultados, fruto da dedicação e do suor de cada dia, e das estratégias desenvolvidas pelos cooperativistas que encontram no sistema o apoio necessário para culminar boas colheitas e um horizonte promissor na sustentabilidade não só do cooperativismo, mas também no fortalecimento das relações humanas.
Pensando assim, acreditando e agindo para a melhoria da família cooperativista é que a Coamo incentiva e valoriza a cooperação, investindo na organização, formação e educação dos seus co-operados e familiares. “Estamos na direção certa, promovendo a capacitação e conquistando a satisfação e a melhoria dos co-operados como pessoas, além de agregar valor não só no aspecto técnico e administrativo, mas também no investimento social”, aponta o diretor-presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini.
Principalmente nesses últimos 10 anos, a Coamo vem colhendo bons resultados na formação de uma nova geração de agricultores, denominados de empreendedores do ambiente produtivo rural, que vem apresentando mudando nos seus conceitos e atitudes, graças ao cooperativismo e uma atuação consciente que resulta em trans-formações no seu ambiente social e profissional.
Com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop/PR), a Coamo vem promovendo desde 1998 o Curso de Formação de jovens Líderes Cooperativistas que já formou 405 cooperados. E neste ano, está em andamento a formação da 10ª turma, reunindo mais 45 jovens líderes. “As cooperativas precisam estar atentas para realizar as transformações necessárias diante de um mundo globalizado e cada vez mais competitivo. Neste cenário, entendemos ser fundamental o investimento na formação dos novos cooperados para o desenvolvimento das pessoas visando o fortalecimento das relações humanas, da sociedade cooperativa e por conseqüência, do cooperativismo”, salienta o presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini.
“Quando fui convidado para participar em 1998 da primeira turma do curso de formação de jovens líderes cooperativistas na Coamo, jamais poderia imaginar que seria tão bom e que mudaria minha forma de pensar e com isso, o treinamento geraria mudanças na minha vida, não só de agricultor, mas também como pessoa”. A afirmação é do cooperado Adauto Mattano de Freitas, de São João do Ivaí, (Vale do Ivaí, no Paraná). Para ele, a presença no curso de lideranças da Coamo foi marcante, sendo um divisor na sua vida pessoal e profissional. “O curso abriu minha visão e fez com que passasse a refletir mais sobre a minha importância como ser humano, cooperativista e líder, além de propiciar com que pudesse passar a rever conceitos e fazer mudanças na gestão da minha atividade. Sem contar que melhorou muito a minha auto-estima. Sem dúvida foi um trabalho muito proveitoso e interessante”, diz.
Mattano de Freitas nasceu em São João do Ivaí, onde atualmente administra uma área de 216 alqueires, entre própria e arrendada. Na safra deste ano, mesmo com os problemas climáticos, produziu média de 111 sacas de soja (em condições normais sua média ultrapassa as 140 sacas por alqueire) e 150 sacas de milho safrinha, quando poderia com clima regular superar as 200 sacas por alqueire. A base de sua atividade na década de 80 foi o algodão, tendo chegado a colher em uma única safra cerca de 28 mil arrobas. Segundo ele, o êxito na condução dos seus negócios deve-se a mudança de postura e implantação de uma filosofia que é fruto dos ensinamentos repassados pela Coamo nos diversos eventos, seja nos dias de campo, encontro na fazenda experimental, ou nas reuniões e treinamentos, que são ferramentas que ajudam a aprimorar o planejamento e gerenciamento das atividades. “São fatores imprescindíveis, hoje não se admite mais fazer a coisas sem planejar, estudar e principalmente, definir metas e resultados”, destaca.
Para o jovem agricultor, que vem se destacando pela liderança e profissionalismo na agricultura, a cooperação e o relacionamento têm uma grande importância na transformação das pessoas e do mundo. “Sempre gostei muito da união e como sou otimista por natureza, acredito que o caminho para o sucesso em todas as atividades passa pela cooperação e pelo espírito empreendedor das pessoas”, conta.
Na administração da sua propriedade, ele pratica o espírito da cooperação e da união, estabelecendo metas e buscando o desenvolvimento dos seus parceiros, que apreenderam a se planejar mais, e também a organizar as suas atividades, onde a motivação e o entusiasmo tem sido ferramenta fundamental para o sucesso deste trabalho cooperativo.
O cooperado enaltece o cooperativismo praticado pela Coamo que tem condições e colaborado para o sucesso a frente da sua propriedade. “Com a assistência da Coamo só tenho conquistado sucesso nesses mais de 20 anos de parceria com a cooperativa e é graças a ela que tenho plantado uma safra atrás da outra, por isso tenho muito orgulho, defendo e valorizo muito o cooperativismo e a Coamo como parceira na integração e na melhoria das condições de vida de milhares de pessoas”, completa.
Integrante da segunda turma do Curso de Jovens Líderes Cooperativistas, realizado em 2001, o cooperado Geraldo Ferreira de Almeida, de Pinhão (Centro-Sul do Paraná) afirma que vem conseguindo um bom desenvolvimento a cada dia. Associado da cooperativa desde que ela chegou à sua região, há sete anos, Almeida re-vela sua admiração pelo cooperativismo praticado pela Coamo. “Desde que a Coamo chegou aqui eu só tenho progredido, estou indo muito bem na minha atividade”, assegura.
Para o jovem cooperado, a presença neste trabalho de formação de lideranças foi determinante na sua vida. Ele conta que o treina-mento abriu seus horizontes e trouxe novos conhecimentos que até então não percebia. “Hoje em dia eu tenho mais noção de como a Coamo trabalha. Tenho uma visão mais ampla dessa relação Coamo e cooperado, assim fica mais fácil trabalhar e também facilita a parceira com a cooperativa”, explica.
Conforme Geraldo Almeida, sua família também percebeu mudanças no seu comportamento e para melhor. Ele revela que com o aprendizado nos quatro módulos do curso, junto com sua esposa conseguiu aperfeiçoar também a forma como conduzir os negócios da propriedade. “Sem dúvida, este evento ficou na história para mim, pois a educação é a base de tudo e a gente quando mais pensa que sabe, mas chega a conclusão que precisa aprender ainda mais. Por isso, é que percebo as diferenças de antes e depois deste trabalho de formação cooperativista”, disse.
Resultados - Nos 165 alqueires que possui o cooperado cultiva soja e milho no verão, trigo e aveia no inverno, além de uma área destinada exclusivamente para pecuária de corte. Segundo ele os resultados já eram bons, mas depois que melhorou a sua forma de planejar e administrar, as coisas melhoraram ainda mais. “Infeliz-mente, os últimos dois anos foram de seguidas frustrações e não foram muito animadores. Mas isso aconteceu com todos, tenho a certeza que a partir de agora vamos retomar a rota de grandes produções e se os preços ajudarem, será ainda melhor”, prevê o jovem cooperado, que coloca a Coamo como principal incentivadora e ponto de equilíbrio para o seu desenvolvimento na atividade agropecuária. “A Coamo está sempre em primeiro lugar, se não fosse ela nem imagino como conseguíramos sobreviver nesse ramo, não sei o que seria da gente”, diz.
O crescimento e o desenvol-vimento pessoal do cooperado é possível de ser mensurado pelas pessoas que o cercam. O engenheiro agrônomo Clodoaldo Medeiros, do Detec da Coamo em Pinhão diz que é possível perceber essa melhoria nas ações do cooperado após a conclusão deste projeto de educação cooperativista. “De fato, observarmos que o Geraldo vem crescendo a cada dia, melhorou muito sua visão quanto à atividade como um todo e a importância do cooperativismo como parceiro para o seu sucesso”, comenta Medeiros.
Para o cooperado Osmar Henrique Fritsche, de Ivailândia, em Engenheiro Beltrão (Centro-Oeste do Paraná), a prática da cooperação está no sangue. Isto porque ele faz parte da terceira geração de uma família descendente de europeus: seus avós são Alemães e Tchecos. “Meus pais e avós sempre tiveram um grande envolvimento com a comunidade. Só que eles não sabiam que isto tinha um nome: cooperação”, conta Fritsche, que integrou a 4ª turma dos Jovens Líderes Cooperativistas, em 2000.
Para ele, o cooperativismo é um movimento que tem conquistado o mundo e feito com que as pessoas e as comunidades sejam mais organizadas, com possibilidade de crescimento. “A base do cooperativismo são as pessoas. Então, quanto mais desenvolvido este sistema, melhor elas ficarão, porque é através delas que as coisas acontecem, seja neste ou naquele segmento de atuação”, considera.
Filho do cooperado Henrique Fritsche, um dos pioneiros da Coamo na região de Engenheiro Beltrão (que após Campo Mourão, foi o primeiro município da região a contar com um entreposto da Coamo), Osmar afirma que com a velocidade com que as coisas estão acontecendo, estar bem informado é o segredo para o sucesso não só na agricultura, mas de todas as atividades. “Hoje é tudo muito rápido, as decisões precisam ser tomadas e quem não tem informação pode não decidir e ficar para trás no tempo”, diz.
Esta posição é compartilhada pelo engenheiro agrônomo Rubens Staub de Barros Júnior, do Detec de Engenheiro Beltrão, responsável pela assistência ao cooperado. “O Osmar é um dos bons exemplos no cooperativismo pelo seu interesse e participação nos eventos promovidos pela Coamo, querendo sempre aprender e crescer. Ele valoriza muito o lado humano e tem uma atenção especial no seu dia-a-dia para o desenvolvimento das pessoas”, revela Barros Júnior.
Mudança - A vida do cooperado mudou para melhor e seus ideais de cooperação e atuação comunitária tornaram-se mais fortes após a conclusão do treinamento de lideranças promovido pela Coamo. “Foi impressionante esse curso. Praticamente uma pós-graduação para nós. Vemos que todo mundo sabe alguma coisa, mas que ninguém sabe tudo. Então, se nós vivermos e fazermos com o permanente espírito de cooperação, não tenho dúvida alguma: o nosso ambiente será cada vez melhor”, destaca Fritsche.
Segundo ele, o cooperativismo disseminado pela Coamo tem feito com que veja as coisas de uma forma mais ampla e com isso, melhore a sua maneira de pensar e de planejar as suas atividades, sejam elas na agricultura, na família ou na comunidade. “Temos que pensar e agir como empreendedor rural, fazer a nossa lição de casa e produzir com qualidade. Enfim, temos que ser cada dia mais organizados e comprometidos com os bons resultados”, orienta.
A visão de empreendedor fez com que, em 2002, juntamente com o cooperado Onório Negri (em me-mória), criasse uma empresa para prestação de serviços no campo. “O mundo hoje exige que estejamos sempre preparados, com ações planejadas para o sucesso”, argumenta.